Portugal

Massacre incontestável

Amistosos são jogos interessantes e perigosos de se analisar. Até por isso, os jogos internacionais como os de quarta-feira merecem ser observados com alguma cautela. Ainda assim, mais do que a goleada sobre a atual campeã do mundo, o incontestável 4 a 0 de Portugal sobre a Espanha, um verdadeiro “baile”, como dizem os portugueses, no primeiro grande teste de Paulo Bento no comando da equipe das Quinas, empolga os “adeptos”. E com todas as razões. Depois do que se viu na África do Sul e o que se sondava, pelas polêmicas pós-Copa e pelas dúvidas que havia para o futuro do time, o que se vê é um cenário bastante positivo.

Primeiro pelo que já fora dito – trata-se de um massacre de um time ainda em formação contra os atuais vencedores do Mundial. Segundo pela atuação talvez inesperada, mas praticamente perfeita dos tugas, sempre melhores em campo e atuando de forma muito bem organizada e corajosa. Corajosa como esteve longe de ser na Copa do Mundo, jogando em cima, sem medo, marcando com precisão no meio-campo e saindo com grande velocidade ao ataque. E em terceiro, pela clara volta da confiança à torcida, que já ameaçava retornar após as boas vitórias pelas eliminatórias da Euro 2012, tanto na equipe como no antes questionado Paulo Bento.

A aplicação portuguesa foi bastante destacável desde o início de jogo. O conhecido tique-taque espanhol encontrou muitas dificuldades, tanto pela forte marcação que iniciava já no meio-campo, inclusive com os armadores Carlos Martins e João Moutinho. Aproveitando-se disso, Portugal fez o que faltou na África do Sul: quis buscar impor o seu jogo. Ronaldo e Nani, bem abertos e com liberdade em campo, avançaram pelas pontas com certa facilidade em várias oportunidades na primeira etapa. Além disso, Postiga mostrava boa movimentação, por vezes trocando de lugar com Ronaldo e ajudando no ataque pelo lado esquerdo. A zaga espanhola se viu perdida.

A marcação limitou bastante os avanços dos atuais campeões do mundo. Na lateral esquerda, Bosingwa fez bela partida, mesmo atuando fora de sua posição de origem em seu retorno à seleção. Pela direita, João Pereira, que é um jogador basicamente esforçado e que reconhecidamente tem limitações defensivas (tanto que vinha até mesmo sendo usado como meia direita por Paulo Sérgio no Sporting), teve grande aplicação e superou a concorrência de Capdevilla, tendo mais trabalho quando Iniesta acabou partindo para o jogo pelo canto esquerdo do ataque de uma Fúria nada furiosa, desde o princípio dominada pelos donos da casa.

No segundo tempo, quando se esperava uma reação dos visitantes, apesar das saídas de jogadores importantes, Portugal – agora sem Ronaldo – seguiu com grande superioridade, tirando o pé apenas quando fez 3 a 0 no marcador. Se a Espanha chutava de canela (como fez Fernando Torres após um escanteio), os tugas jogavam fácil e rápido, movidos por Danny (que entrou muito bem) e João Moutinho, aliados ao posicionamento proviencial de Postiga. Com três à frente, a Fúria assustou Rui Patrício, é verdade, mas Portugal assumiu o papel “paciente” da Espanha de Vicente Del Bosque, e encurralou os rivais.

Quatro nomes em especial se sobressairam. Ronaldo mostrou o quanto pode fazer diferença quando joga para o grupo e, justiça seja feita, quando o time o ajuda e ele não se vê sozinho. Marcou um golaço, com cavadinha, mal anulado após entendimento de que Nani havia desviado a bola para as redes quando a redonda já havia passado a linha. Infernizou Piqué e principalmente Busquets. Pelo meio, João Moutinho confirmou a ascensão da temporada e enfim mostra, mais amadurecido, o futebol que deveu em 2009/10, e que acabou tirando-o da Copa. Deu duas assistências e esteve sempre bastante ligado. Parece que os ares do Dragão o fizeram muito bem mesmo.

Já Carlos Martins evidenciou que, se não é brilhante tecnicamente, tem uma aplicação tática invejável e qualidades bastante positivas para um meia, sabendo desarmar e armar e sendo uma surpresa até mesmo para este colunista. O gol marcado por ele foi prova disso, já que Martins roubou a bola no meio e iniciou o contra-ataque com velocidade, achando Ronaldo na esquerda e se posicionando logo na entrada da área, no lugar certo e na hora certa para o rebote. E não se pode esquecer de Postiga, um dos homens de Paulo Bento, que se destacou não só pelos dois gols, mas pela movimentação à frente. Hugo Almeida fez o seu, mas parece ter garantido sua volta à reserva.

Não se pode ignorar, ainda, a representatividade do triunfo para Paulo Bento. O técnico soube repor as peças que deixaram a seleção após a Copa e deu um ânimo diferente a um grupo que nunca deixou de ser bom, mas vinha se deixando levar pela máxima da inferioridade. Curioso, pois trata-se do mesmo comandante que não deu a volta à perda de confiança do Sporting na temporada passada após o início de época do Benfica, e que teimou com táticas inadequadas aos Leões na ocasião. Mais experiente e com o mesmo apego pelo trabalho de antes, vem isolando as dúvidas de ser a segunda opção para o cargo, encaminhando-se para deixar a sombra de José Mourinho.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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