Portugal

Mais águias dão Luz a Jorge Jesus

Quim; Maxi Pereira, Luisão, David Luiz e Fábio Coentrão; Javi Garcia, Ramires, Ángel Di Maria e Pablo Aimar; Oscar Cardozo e Javier Saviola. Esse era o time-base do Benfica campeão português em 2009/10. Um time forte, segura na defesa (apesar de Quim), consistente no meio e que contou com uma temporada inspirada da dupla de ataque. Veio a temporada seguinte, iniciada sem três peças desse onze (Quim, Ramires e Di Maria), e com ela uma queda de produção vertiginosa no primeiro semestre que acabou comprometendo tudo que foi disputado na época.

“Ué, mas a equipe não era tão boa? Foi só sairem dois jogadores de linha e um goleiro para o time deixar de ser bom?”. Não, o time ainda era bom. O problema aí era outro: elenco. Faltavam peças de reposição. O atual Benfica talvez não tenha um onze com a mesma qualidade daquele de 2009/10 – o que pode ser questionável. Mas o elenco proporciona uma variedade de opções interessantes que não se viu na Luz nos últimos dois anos. Variedade essa que ajuda a explicar a boa forma com a qual as Águias iniciaram a época, ainda invictas.

O setor em que essas opções são mais evidentes é exatamente o ataque. Até 2010/11, para além de Cardozo e Saviola, Jorge Jesus tinha apenas Franco Jara, Alan Kardec e Nuno Gomes. Jara até entrava bem em algumas oportunidades, mas não trouxe um diferencial dos maiores. O brasileiro, testado no lugar do Tacuara – que esteve cotado para ir embora – não agradou. Já Nuno Gomes era a última das últimas opções de Jesus e era pouco relacionado. Como a temporada evidenciou a irregularidade da dupla, estava claro que o ataque era um setor carente, nem tanto de titulares, mas de opções.

Na atual temporada, porém, Cardozo e Saviola ganharam, por assim dizer, rivais à altura. Um deles, reforço trazido neste ano (Nolito). Outro, um jovem trazido já na época passada, mas que acabou emprestado por falta de espaço (Rodrigo). Nolito fez ótima pré-temporada e se firmou como uma opção ao menos equivalente aos antigos titulares, e Rodrigo se firmou como se tornou a grande válvula ofensiva encarnada. Deixou sua marca quatro vezes nos últimos três jogos e tomou de vez a vaga de titular, virando prioridade nos esquemas em que o Benfica atua com um homem só de frente.

Pelo meio, as saídas de Ramires e Di Maria não foram bem administradas no começo da última temporada, e o setor sofreu com a falta de sequência de Aimar e a lesão que tirou Eduardo Salvio de mais da metade da época. Durante um bom tempo, o time dependeu bastante da raça de Carlos Martins. Nico Gaitán ajudou o fortalecimento do setor, mas demorou para engrenar, fazendo-o em especial quando Salvio e Aimar atuavam a seu lado. Ainda assim, não havia opções à altura para eventuais ausências, como se viu com José Fernández (contratado no meio do ano) e Felipe Menezes.

Dessa vez, chegaram reforços substanciais para o setor, em especial as vindas de Alex Witsel e Bruno César. A dupla, aliás, entrou muito bem. O belga tem sido titular praticamente desde o início da temporada, enquanto o ex-jogador do Corinthians, se não é titular absoluto, é uma espécie de 12º jogador, a ponto de, por causa do que vem apresentando nas Águias, ter sido convocado para a seleção brasileira. Com menos badalação mas também conquistando gradual espaço e agradando está Nemanja Matic. Isso porque Aimar e Gaitán seguem (e bem) na equipe.

Na defesa, as novidades não foram tão extensas em relação à última temporada – exceto, é claro, pela venda de Coentrão, que trouxe mais trabalho para afirmações nesse setor. No entanto, a vinda de Ezequiel Garay para fazer dupla com Luisão deu a Jardel um papel de reserva à altura dos demais defensores – papel que faltava à equipe passada. No gol, mais avanços, com a titularidade de Artur Moraes e opções seguras como o selecionável Eduardo e mesmo Mika, melhor arqueiro do último Mundial Sub-20. Nas laterais é que ainda se observa uma ausência de alternativas reais a Maxi Pereira e Emerson.

Uma variedade de opções de boa qualidade e futebol equivalente permite à equipe não perder (ou perder pouco) com a eventual necessidade de rodar jogadores no time, e permite ao treinador observar diferentes formações e adequar seu onze ao momento, com peças adequadas às funções. O que ajuda a entender o atual Benfica de Jesus conseguir variar formações com um a três atacantes, um ou dois volantes, sem que isso refletisse em uma queda de resultados. Na verdade, são são 11 vitórias e 6 empates em 17 jogos oficiais de invencibilidade – série que chega a 19, considerando 2010/11.

É verdade que o futebol apresentado contra Basel e Braga, nos dois últimos jogos, teve um quê de irregular. Ante os suíços, um início arrasador que deu espaço a uma queda gradual de rendimento, que animou os rivais e culminou em um empate na Luz, que custou a ponta do grupo na Liga dos Campeões. Diante dos bracarenses, uma atuação sem brilho e que, devido ao jogo bastante seguro dos minhotos, parecia fadada a se configurar em derrota – mas que acabou salva justamente por uma das opções que Jorge Jesus tinha no banco: Rodrigo.

Contudo, certamente o torcedor encarnado sente mais firmeza no atual Benfica do que no da temporada anterior. Ainda por cima com a queda (preocupante) de produção do rival Porto – ainda que se tenha pela frente a ascensão (notável) do Sporting. Diferente de antes, hoje o comandante encarnado pode olhar para o banco e verificar nomes válidos e em bom momento. Se repetirá o feito de 2009/10? É candidato. Resta saber, dentre outras coisas, se essas opções válidas terão “prazo de validade”. Passado 1/3 do campeonato, esse prazo ainda parece longe de acabar.

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Equipe Trivela

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