Portugal

Leandro Salino: “Só volto para o Brasil se for um clube de ponta”

Nas três últimas temporadas, o Braga emplacou boas campanhas no Campeonato Português, chegando a ser vice-campeão em 2009/10 e vice da Liga Europa na temporada seguinte. Os minhotos também ficaram conhecidos pela legião de jogadores brasileiros que compõe a equipe.

Um deles é Leandro Salino. Ex-Cruzeiro, Flamengo e Ipatinga, o volante foi readaptado à lateral direita, posição em que atuou na base, em 2011/12. Se firmou de vez no time titular e é muito respeitado no Braga. De férias em São João Del Rey, interior mineiro, ele falou por telefone à Trivela sobre algumas peculiaridades do clube, o momento vivido pela seleção portuguesa e os planos para o futuro, entre outros assuntos.

Como você avalia esses dois primeiros anos no Braga?

Foram dois anos maravilhosos. No primeiro, tive muitos jogos como titulares, a maioria deles no meio-campo. Fizemos uma boa campanha na Liga dos Campeões, somamos dez pontos e ficamos em terceiro no grupo, nos classificamos para a Liga Europa e fomos vice-campeões. Na segunda temporada, joguei mais como lateral direito e fui titular com mais frequência.

Muito se fala em Portugal que o responsável pelo sucesso do Braga nos últimos anos é o presidente Antônio Salvador. Como é ele no dia a dia, é mais paizão ou cobra mais?

É um cara muito inteligente e ambicioso. Cobra muito, mas está sempre ao lado dos jogadores, é um cara fácil de se lidar. Dá bom dia, toma café com a gente, conversa numa boa, está sempre próximo. Creio que ele é de fato o principal responsável pelo bom momento do clube, que oferece toda a estrutura necessária para que a gente possa trabalhar.

Você teve uma relação parecida com algum presidente de clube no Brasil?

Só com o Itair Machado, presidente do Ipatinga quando eu atuava por lá. (N.R: Leandro Salino teve três passagens pelo Ipatinga, em 2005, 2006 e 2008).

Falando em Ipatinga, é impossível não falar sobre o Ney Franco, técnico que te levou do Ipatinga para o Flamengo em 2007. Como é sua relação com ele?

Devo muita coisa ao Ney Franco e ao Emerson Ávila (atualmente técnico da seleção sub-17), que foi quem me levou para o Ipatinga. Sobre o Ney, é um treinador calmo, paciente, que não precisa gritar com o jogador para se impor. É um profissional espetacular.

Em 2007, você passou pelo Flamengo e acabou não ficando por lá. O que deu errado nesse período?

Tive uma boa passagem pelo Flamengo, mas já tinha contrato assinado com o Nacional-POR desde 2005. Como atuei bem, o Flamengo quis me contratar, mas os portugueses pediram um valor alto. Então fui para Portugal, onde tive uma ótima experiência no Nacional. Ficamos em quarto lugar no Campeonato Português, fomos para as oitavas de final da Liga Europa e quando acabou o contrato me transferi para o Braga.

Você prefere atuar como lateral ou volante?

Muita gente me pergunta isso (risos). Acho que no momento me sinto melhor na lateral, porque joguei assim durante todo o tempo em que atuei na base do Cruzeiro.

Pensas em voltar ao Brasil no momento?

Depende da proposta. Se for em um clube de ponta, com um bom salário, sem dúvidas. Mas se for para atuar em um clube médio, prefiro ficar na Europa. Como eu disse, é um clube que oferece as melhores condições de trabalho aos jogadores.

O Braga se notabilizou nos últimos anos por ter diversos brasileiros em seu elenco. Como é a relação entre vocês e os portugueses? Há algum tipo de problema?

Não há problema nenhum. Saímos para jantar todos juntos, fazemos churrasco entre brasileiros e portugueses e o clima é o melhor possível. Os portugueses do Braga são muito tranquilos e o time é muito unido.

Você terá três companheiros de clube defendendo a seleção portuguesa na Eurocopa: Custódio, Hugo Viana e Miguel Lopes. Qual a sua expectativa sobre o desempenho deles no torneio?

Eles têm tudo para se dar bem. O Custódio é um grande jogador, praticamente não erra passes, se projeta ao ataque, fez uma excelente temporada e merece a convocação. O Hugo Viana é mais experiente, já disputou Copa do Mundo, é um excelente meia.

Portugal está no grupo teoricamente mais difícil da Euro. Como está a expectativa no país?

Todos sabem lá que o grupo é complicado, mas a perspectiva é boa. Todos em Portugal acham que a classificação é possível sonham em chegar novamente à final da Eurocopa.
 

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