Portugal

Invicto, o Porto consagra sua consistência ao ser tricampeão

Bastou ao Porto confirmar o que já parecia decidido desde o sábado passado. Depois de uma vitória inesquecível sobre o Benfica na penúltima rodada, os Dragões selaram a conquista do Campeonato Português neste domingo, ao baterem o Paços de Ferreira por 2 a 0. O tricampeonato nacional do clube, sua 27ª taça na competição, que confirma ainda mais a hegemonia ao celebrar o título pela nona vez nos últimos 11 anos.

Assim como já tem sido costume, o Porto não deixou pedra sobre pedra em sua campanha. Venceu 24 das 30 rodadas e empatou as outras seis. É o segundo título invicto de sua história, o segundo no atual tricampeonato, além de ser o quarto na história do Campeonato Português. Uma campanha que não foi sem sobressaltos apenas pelo desempenho também avassalador do Benfica, que liderou por 17 rodadas e só sofreu sua primeira derrota justamente na penúltima partida.

O triunfo coroa a consistência do trabalho de Vítor Pereira, que segurou as rédeas depois da saída de André Villas-Boas. O treinador tem à disposição um time muitíssimo funcional na defesa, sob a liderança do veterano Hélton. Os Dragões mantiveram média de apenas 0,46 gols sofridos por jogo, a segunda melhor do Campeonato Português neste século. Contabilizando também os jogos por outras competições, o Porto não sofreu mais de dois gols em uma única partida nesta temporada.

Já no ataque, capaz de manter média superior a dois gols por jogo, o grande nome foi Jackson Martínez. Trazido do futebol mexicano no início da temporada, o centroavante se adaptou imediatamente no Estádio do Dragão, combinando oportunismo e muita técnica. O colombiano balançou as redes 26 vezes em 30 partidas, a melhor marca desde os 38 tentos de Jardel em 1999/00. Ao seu lado, James Rodríguez foi o grande responsável pela produtividade ofensiva, enquanto João Moutinho, Lucho González e Fernando formaram trinca entrosada na meia-cancha.

O trabalho do Porto no mercado de transferências, aliás, mais uma vez merece elogios. Apenas com a venda de jogadores, o clube lucrou € 86,6 milhões, entre eles Hulk, Fredy Guarín e Álvaro Pereira. É verdade que a maioria das peças de reposição já estava no elenco, como Silvestre Varela. Todavia, os portistas desembolsaram apenas € 11,7 milhões para completar seu grupo.

Além de trazerem o supracitado Martínez, também contaram com o retorno de Kelvin, comprado em 2010/11 junto ao Paraná e que estava emprestado ao Rio Ave. O brasileiro de 19 anos fez valer a confiança em seu futebol, anotando o gol histórico nos acréscimos contra o Benfica. Já desponta como ídolo da torcida para o futuro.

Nas últimas temporadas, o Benfica tem melhorado seus desempenhos e promete vir ainda mais mordido depois da frustração vivida ao longo da última semana. Por enquanto, seu empenho tem sido suficiente para competir com o Porto, mas ainda não para superá-lo. Mantendo a consistência do elenco e o ótimo trabalho de observação no mercado, os Dragões têm força suficiente para continuar no topo por mais tempo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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