Portugal

Hora de crescer

O Braga foi, até fevereiro, a grande sensação da Liga Sagres. Com um futebol que, se não era atraente do ponto de vista ofensivo, mostrava-se bastante prático e eficiente, o time do Minho liderou em 19 das 20 primeiras rodadas da competição. E a grande dúvida era: até quando os bracarenses manter-se-iam na ponta? Como se viu, isso se deu até 21 de fevereiro, quando o Porto aplicou 5 a 1 nos arsenalistas e deu, de bandeja, a liderança do certame ao Benfica.

De lá para cá, o Braga, deve-se reconhecer, não sumiu do retrovisor benfiquista. Porém, apesar da boa vitória pós-goleada, por 3 a 1, frente o Olhanense, os minhotos fizeram uma apresentação fraquíssima contra o Vitória de Setúbal, ficando no 0 a 0 e permitindo ao Benfica abrir três pontos na ponta. Trata-se da maior distância entre líder e vice-líder nas principais ligas européias. E neste domingo, os dois vermelhos fazem o duelo mais importante do campeonato, que pode ser marcante principalmente para os bracarenses.

Marcante porque, ao mesmo tempo em que pode ser um divisor de águas para o Braga, devolvendo-os a ponta da tabela, pode também significar uma distância de seis pontos da primeira posição, sem a vantagem do confronto direto e com um saldo de gols assustadoramente inferior ao Benfica. Além disso, o resultado pode evidenciar o que já é sentido há um mês: a camisa, a tradição, o peso e o elenco contam, e muito, para quem quer ser campeão. E nisso, o que há em abundância em um, falta em outro.

A questão do elenco sempre foi a mais preocupante. Durante o campeonato, o Braga pouco havia sofrido com desfalques, além de ter sido, de alguma forma, “beneficiado” pela eliminação precoce na Liga Europa, antes mesmo de começar a temporada lusitana. O time titular era um dos mais bem entrosados do torneio nacional, com uma defesa consistente, um meio-campo excelente e inteligente, e um ataque que, apesar de não ter um centroavante matador, destacava-se com jogadas principalmente pelas pontas.

Com o desenrolar da época, os arsenalistas foram encontrando, naturalmente, maiores dificuldades, mas ainda assim, com um futebol que primava primordialmente pela aplicação, do que pela técnica, mantiveram-se a frente. O meio-campo ia se firmando como um dos mais eficientes. Vandinho, volante mais fixo, mas com boa saída de jogo, dava liberdade para Hugo Viana e Márcio Mossoró atuarem mais próximos do ataque. Além disso, os alas subiam pouco, o que dava ainda mais tranquilidade para a dupla.

As coisas começaram a desandar quando Vandinho saiu do time, em virtude de punição no polêmico caso do túnel no jogo entre Braga e Benfica, no primeiro turno. Peça discreta, mas essencial no time titular de Domingos Paciência, o volante não foi substituído à altura, evidenciando as limitações de elenco existentes no Minho. Algo que, a bem da verdade, já fora verificado na Taça da Liga, quando o Braga atuou com equipes mistas e não foi páreo para nenhum dos rivais.

Com isso, Hugo Viana ou Mossoró – principalmente o primeiro – passaram a ter que buscar a bola mais atrás. O que naturalmente deixou o jogo bracarense bem menos rápido e eficiente. Com as dificuldades que o time já vinha encontrando para marcar gols, haja vista o papel mais organizador de Alan e Paulo Cesar, e a irregularidade de Meyong, o Braga caiu, justamente no momento em que mais precisava fazer frente a um Benfica que parece disposto a ganhar tudo que há pela frente.

A saída de Vandinho também evidenciou o ainda fraco peso dos arsenalista. Basta dizer que as punições repassadas ao Benfica, outro envolvido na polêmica, não foram tão fortes. Não se diz aqui que os “encarnados compraram a Justiça”, mas que pesou a força jurídica e de bastidores dos lisboetas. Um exemplo é que o Porto, que também perdeu jogadores (Hulk e Sapunaru) após confusões extracampo, conseguiu, na terça-feira, a redução da pena (leia mais ao lado), enquanto Vandinho teve-a mantida.

O Braga, porém, colocou-se como o coitadinho da história, mesmo tendo vencido o Marítimo, antes do confronto contra o Porto, com um gol irregular de Luís Aguiar – no lance, quando a bola estava na lateral, ela havia saído por completo de campo, mas o bandeirinha não viu, beneficiando os bracarenses. Como se vê, encolheu-se como time pequeno, e demonstrou isso contra o Porto, atuando inexplicavelmente de maneira totalmente defensiva. Um erro de pensamento e estratégia que se mostrou fatal.

Outro fator que também começa a pesar é a indefinição para a próxima temporada. Primeiro porque, a cada dia, discute-se uma eventual saída de Domingos Paciência para o Porto, que, ao que tudo indica, não contará com Jesualdo Ferreira para 2010/11. Não bastasse, nomes importantes, como Hugo Viana, Moisés e Evaldo são cotados para deixar o time após o certame, rumando para um dos grandes portugueses ou mesmo para o exterior. E, como já citado, por hora, não há reforços de qualidade no banco.

Agora, os arsenalistas correm atrás do prejuízo, e precisam vencer o Benfica, que vem de uma bela vitória frente o Olympique de Marselha fora de casa e um título conquistado em cima do Porto, além de ser o atual líder e jogar em seus domínios. Para o Braga, é um jogo decisivo, não somente para as pretensões na atual temporada, mas para o clube provar que é capaz sim, de frequentar o “hall” dos grandes portugueses. Vencer o atual time encarnado, na Luz, será um sinal de que isso é muito possível.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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