Portugal

Guia da final da Liga Europa: Porto x Braga

A quarta-feira será histórica para o futebol português. Futebol Clube do Porto e Sporting Clube de Braga, os populares FCP e SCB, fazem às 15h45 aquela que será a oitava final entre equipes de mesmo país na Liga Europa, e que determinará a sétima conquista tuga no continente. Será, ainda, a primeira vez que uma nação fora das quatro principais ligas do Velho Continente (Alemanha, Inglaterra, Itália e Espanha) emplaca tal decisão.

Portugal, diga-se, já havia sido o quinto país a ter três dos quatro semifinalistas de uma competição europeia – feito também igualado por times alemães, ingleses, italianos e espanhois. Aliás, curiosamente, até as semifinais da atual Liga Europa, nunca dois times portugueses haviam se enfrentado em torneios continentais. De lá para cá, já será o terceiro duelo em verde e vermelho em gramados da Europa.

A chegada do Porto, talvez, fosse esperada, visto a campanha feita pelos Dragões ao longo da temporada, com dois títulos assegurados (Supertaça e Campeonato Português) e mais dois ainda em disputa (além da Liga Europa, o Porto decide a Taça de Portugal com o Vitória de Guimarães). No entanto, o rival esperado para a final era mesmo o Benfica, e muito se falava, aliás, sobre a possibilidade do grande clássico português decidir o torneio.

Porém, a grande sensação do futebol europeu em 2010/11 roubou a cena e fez da final da Liga Europa uma decisão “nortista”. Afinal, Braga e Porto são locais quase vizinhos na “terrinha”. São cerca de 47 quilômetros entre ambos – menos, por exemplo, do caminho que os paulistanos fazem para descer ao litoral (Santos e São Paulo distam cerca de 80 quilômetros). Fica a dúvida: oriundos do país que se consagrou nas grandes navegações, quem chegará primeiro “às índias” europeias?

Quem joga?

No Porto, a previsão é a de que o time vá a campo sem novidades. A dúvida maior está mesmo no terceiro homem da linha de frente portista. Silvestre Varela é o favorito, mas as boas atuações do colombiano James Rodriguez colocaram um ponto de interrogação na cabeça de André Villas Boas. Em relação à partida contra o Marítimo, que encerrou o Campeonato Português, as novidades são os retornos de Fernando, João Moutinho, Hulk e Helton, que foram poupados para Dublin.

No Braga, o zagueiro Alberto Rodriguez é a grande dúvida. Não relacionado para o jogo contra o Sporting, o defensor passará por uma ressonância magnética para confirmar ou não sua presença na decisão. Aníbal Capela, zagueiro que vinha atuando no Vizela, time satélite dos bracarenses, acabou convocado especialmente para o confronto, e brasileiro Kaká pode assumir a titularidade da zaga com Paulão. O lateral direito Miguel Garcia e o atacante Paulo César também estão se recuperando de lesão, mas não devem ficar de fora.

O que eles dizem?

Para o argentino Belluschi, o Porto precisa mostrar, em campo, porque é o favorito. “Se não o fizermos, não ganharemos. De nada adianta sermos favoritos se não o confirmarmos em campo”, disse o jogador, segundo o jornal O Jogo. “Oxalá que possamos repetir o que se passou em 2003; esse é o nosso sonho. A nossa caminhada tem sido feita passo a passo e agora temos a final”, completou o meio-campista, que perdeu espaço na equipe com a ascensão de Freddy Guarín.

O presidente do Porto, Pinto da Costa, por sua vez, no embarque da equipe para Dublin, não perdeu a chance de cutucar o arquirrival Benfica, e destacou a confiança no título. “As finais são para ganhar! Estou totalmente confiante, muito tranquilo, porque o Porto já ganhou em locais muito difíceis e este é apenas mais um. É sempre mais difícil jogar com o Braga que com o Benfica. É sempre mais difícil defrontar quem está na final. O Benfica não chegou à final por isso o Braga é um adversário mais difícil”, avaliou.

Do outro lado, Domingos Paciência concorda que o favoritismo é dos Dragões, mas acredita que o fato de ser um jogo único pode fazer a diferença. “Com a inspiração e a motivação certas, podemos aproveitar uma das situações de gol que vamos criar. Os jogadores ficam mais motivados quando defrontam grandes equipes, como foi o caso do Liverpool. Considero que o esforço destes jogadores e a capacidade de trabalho que mostraram estão a se refletir nestes resultados”, considerou, ao site da UEFA.

A crença no troféu também embala o pensamento do volante Vandinho. “Pensamos sempre jogo a jogo, acreditando que tudo seria possível. Enfrentamos grandes equipes mas, com muito querer, conseguimos os nossos objetivos. Só com muito trabalho foi possível chegar à final. Já é uma vitória chegar à final. Vamos trabalhar pela vitória, mas, independentemente do que acontecer, todo o grupo está de parabéns”, destacou o jogador, também ao portal da UEFA.

Times prováveis

Porto: Helton; Cristian Sapunaru, Nícolas Otamendi, Rolando e Alvaro Pereira; Fernando, Freddy Guarin e João Moutinho; Silvestre Varela (James Rodriguez), Hulk e Radamel Falcão Garcia. Técnico: André Villas Boas.

Braga: Artur; Miguel Garcia, Alberto Rodriguez (Kaká), Paulão e Sílvio; Vandinho, Leandro Salino e Hugo Viana; Paulo César, Alan e Lima. Técnico: Domingos Paciência.

 

Guia da decisão

 

Aí vem… O Porto

1) Por que está na final?

Campeão português invicto e com cinco rodadas de antecipação, finalista da Taça nacional, campeão da Supertaça com autoridade. O Porto teve uma temporada vitoriosa, reflexo da preparação da equipe desde o término da época anterior. Soube conduzir as competições que disputou – deixou a inútil Taça da Liga em segundo plano e ficou fora da fase final, é verdade, mas não se comprometeu – e garantiu um desempenho extremamente seguro no campeonato nacional, capaz de não deixar o foco europeu fugir.

Mantendo a base que já vinha ganhando tudo em Portugal, o Porto não encontrou dificuldades na primeira fase da Liga Europa, com cinco vitórias e um empate, além da terceira melhor campanha até então (atrás de Zenit e CSKA Moscou). Apesar disso, os Dragões não tiveram moleza no mata-mata. Enfrentaram o perigoso Sevilla e o próprio CSKA. Mas as vitórias, aliadas à cada vez maior tranquilidade que vinha sendo obtida na Liga Portuguesa, fortaleceram o grupo, que daí em diante, passou a atropelar: Nos quatro jogos seguintes, ante Spartak Moscou e Villarreal, foram 17 gols.

Os setores de criação e ataque do Porto explicam muito do sucesso do grupo. O grande momento de João Moutinho, Freddy Guarin, Hulk e, principalmente, Radamel Falcão Garcia, foi determinante no caminho europeu. O primeiro, na distribuição das jogadas e os outros três (inclusive Guarin), na incumbência de mandar a bola para as redes. Para se ter uma ideia, Guarin, Hulk e Falcão marcaram, juntos, 26 dos 36 gols portistas no torneio. A média, de 2,5 tentos/partida, merece destaque. Atenção também à velocidade aplicada no setor esquerdo, às vezes não compensada em gols, mas no apoio às jogadas, com Silvestre Varela.

2) Por que pode vencer?

Os Dragões têm vários fatores a seu favor contra o Braga. Além de uma equipe tecnicamente e mesmo coletivamente superior ao rival, o Porto tem, ainda, o peso de uma camisa duas vezes campeã da Liga dos Campeões e o fato de conhecer bem o elenco bracarense, contra quem já se deparam há um bom tempo no campeonato nacional. Na atual temporada, aliás, a vantagem no duelo é portista: duas vitórias em dois jogos, sendo um 3 a 2 no Dragão e um 2 a 0 no Municipal de Braga.

A ótima fase ofensiva da equipe é também superior a de qualquer um dos rivais que os Arsenalistas tiveram pela frente até o momento. Sem contar na possibilidade de o elenco comandado por André Villas Boas, incessantemente comparado a José Mourinho, repetir feito do Porto justamente do atual técnico do Real Madrid, campeão da Copa da UEFA em 2002/03. E como em 2003/04 veio o título da Liga dos Campeões…

3) Por que pode perder?

É bem verdade que a média de gols sofridos do Porto na temporada é baixa (0,73). No entanto, nos últimos embates, a equipe vem rateando mais do que a encomenda em seu sistema defensivo. Nos últimos 10 jogos, a equipe só não levou gols nas vitórias sobre Marítimo e Vitória de Setúbal. Nos oito demais confrontos, porém, foram 15 tentos sofridos – 1,5 gol contra/partida.

A dupla Rolando e Nícolas Otamendi, que vinha tendo boa regularidade, não repetiu as atuações seguras da temporada. A opção de banco para a zaga, o brasileiro Maicon, não demonstrou total confiança ao longo da época. O rendimento defensivo dos laterais, em especial na direita, com o esforçado, mas limitado Sapunaru, também mostrou queda. Sinais de que, atualmente, a defesa é o setor que mais preocupa no Dragão, e deve ser alvo das principais atenções do clube no próximo mercado de transferências.

4) O timoneiro: André Villas Boas

Muito do sucesso do atual Porto passa também pelas mãos de André Villas Boas. O jovem técnico português, de apenas 33 primaveras – mas que desde os 20 e poucos anos está no meio futebolístico –, deixou a Acadêmica para assumir, de Jesualdo Oliveira, uma equipe forte, mas abatida pelo fraco rendimento de 2009/10, em que passou longe da briga pelo caneco nacional.

Aos poucos, Villas Boas instituiu seu estilo de jogo, acertou o posicionamento de atletas cruciais (em especial, Belluschi e Guarín) e, com um estilo ofensivo, valorizando a veloz ligação entre meio-campo e ataque, fez do Porto a grande potencial portuguesa da temporada – e uma das principais equipes europeias do momento. O “mini-Mourinho”, como é apelidado – ainda que afirme ser adepto de Sir Bobby Robson –, é o mais promissor treinador do momento no continente.

5) O craque: Radamel Falcão Garcia

Hulk foi o grande nome do Porto na temporada, mas quando o assunto é Liga Europa, os holofotes estão todos no colombiano. O atacante marcou incríveis 16 gols na atual edição do torneio, tornando-se o maior goleador de uma mesma edição de um torneio europeu, ultrapassando o craque alemão Jurgen Klinsmann. Para o ano, já vão 36 gols, mais que os 34 de sua primeira época (2009/10) no clube.

O entrosamento com o brasileiro, oriundo já da última época, e a parceria com o compatriota Guarín têm sido decisivos nos resultados. Alto e com ótimo senso de posicionamento, Falcão, que começou a temporada devagar e chegou a ficar ausente de algumas partidas devido a lesão, recuperou sua confiança e se firmou como a principal referência ofensiva dos Dragões.

6) O ator coadjuvante: Freddy Guarín

Com Falcão destacado como craque, Hulk seria o teórico “número dois” do Porto na decisão, correto? Não é bem assim. Guarín (que sabe atuar tanto a volante como atuando na ligação com o ataque) cresceu de rendimento de forma “absurda” na segunda metade da temporada, em especial nas partidas da Liga Europa, e se tornou uma peça por demais fundamental na armação da equipe.

Sua eficiência levou até João Moutinho – que já vinha bem – a evoluir ainda mais, ficando menos sobrecarregado na organização do time. Sua velocidade e as presenças-surpresa na grande área resultaram em gols (chegou a emplacar uma sequência de cinco partidas seguidas,entre Liga Europa e Campeonato Português, mandando a bola para as redes). Alguns importantes para os mata-matas, como o que virou o marcador para o Porto no jogo de ida contra o Villarreal, nas semifinais.

7) Você sabia…

… que o Porto já disputou duas finais contra o Braga na história? Ambas se deram pela Taça de Portugal, em 1977 e 1998, e nos dois casos, a vitória foi dos atuais campeões nacionais. Em 77, Fernando Gomes garantiu o caneco da Taça na vitória por 1 a 0 dos Dragões. Já em 98, com Artur, Aloísio e Mário Jardel, os portistas sacramentaram mais uma copa portuguesa, ao bater o Braga por 3 a 1. Sílvio descontou aos Arsenalistas.

8) Quem fica? Quem sai?

A situação do Porto é mais confortável que a do Braga nesse aspecto. A grande temporada, naturalmente, atiçou o interesse de equipes de países futebolisticamente mais fortes pelos atletas do clube e mesmo pelo treinador André Villas Boas. O comandante portista chegou a ser sondado pela Internazionale, foi colocado na órbita do Chelsea (muito inclusive pela “mística” de “novo Mourinho” que paira no técnico) e, recentemente, a imprensa portuguesa noticiou que Juventus e Roma estão atrás do jovem timoneiro.

No tocante ao elenco, em princípio, ninguém deixará o clube. Cristian Rodriguez, que vem sendo pouco utilizado, foi dito como próximo do Rubin Kazan, que pagaria cerca de 13 milhões de euros pelo atleta. Principais nomes da equipe, Hulk e Falcão também chamaram atenção dos europeus. No entanto, o colombiano recentemente iniciou tratativas para renovar seu contrato. O brasileiro, por sua vez, teve mais 40% de seus direitos comprados pelo Porto (por cerca de 13,5 milhões de euros), além de ter sua ligação com os Dragões renovadas até junho de 2016. A multa rescisória é salgada: 100 milhões de euros.

 

Aí vem… O Braga!

1) Por que está na final?

A grande sensação do futebol europeu em 2010/11 está a um jogo de conquistar o continente. Claro, em menor escala que em uma Liga dos Campeões. Mas levando em consideração o próprio histórico do clube, que não chega a ser grande nem em seu próprio país, nunca levantou uma Liga Portuguesa, passou boa parte dos anos atrás do rival local (Vitória de Guimarães) e que apenas nesta temporada estreou na principal competição do Velho Continente, o Braga está perto do que pode ser um feito histórico.

A temporada bracarense começou empolgante, com os triunfos contra Celtic e Sevilla. Na Liga dos Campeões, apesar do começo cambaleante, com as pesadas derrotas para Arsenal (6 a 0) e Shakthar Donetsk (3 a 0), o Braga reagiu, emplacou três vitórias consecutivas e chegou a sonhar com um posto nas oitavas – que não veio. O avanço da “aventura” europeia mexeu com o time, que, com a cabeça no desafio continental, não emplacava no campeonato nacional. Na Liga Europa, após uma suada classificação ante o Lech Poznan, os Arsenalistas voltaram a brilhar: despacharam o favoritismo do Liverpool – conquistando a vaga em Anfield -, souberam anular o Dynamo Kiev e cresceram na hora certa diante do tradicional Benfica, nas semifinais.

A resistência defensiva é o principal atributo dos Arsenalistas. Já o era no vice-campeonato português da temporada passada e continuou sendo na atual época. Nos oito jogos disputados pela Liga Europa, foram somente quatro gols sofridos, todos fora de casa. Último goleiro a chegar ao clube para a temporada, Artur Moraes, ex-Cruzeiro, Paulista e Roma, colecionou grandes atuações e fez a torcida esquecer Eduardo. A eficiência do lateral Sílvio, do zagueiro Alberto Rodriguez e do volante Vandinho, além do crescimento do defensor Paulão, que substituiu bem o antigo titular Moisés ajudaram a equipe a alcançar o status atual.

2) Por que pode vencer?

Apesar da derrota na rodada final para o Sporting (1 a 0), que custou o terceiro lugar no Campeonato Português, o Braga é, talvez, o mais motivado dos finalistas, devido ao ineditismo do troféu em sua história e de todo o ambiente criado, especialmente em Portugal, com o desenrolar da aventura bracarense na Europa. Além da confiança na já conhecida forte marcação para barrar o ataque portista, outra aposta está na irregularidade defensiva do Porto nos últimos jogos.

Os contra-ataques arsenalistas, a serem comandados pela velocidade de jogadores como Alan e Paulo César, além da criatividade de Hugo Viana, podem surpreender. Além disso, tal qual contra o Benfica, o Porto é, por assim dizer, uma equipe “conhecida” dos Arsenalistas. Algo que, assim como pode ser favorável aos Dragões, não deixa de ser positivo aos minhotos, que, pelas experiências passadas, podem conhecer as “saídas” para segurar o ímpeto azul de uma forma mais eficiente que rivais como Villarreal ou Spartak Moscou.

3) Por que pode perder?

Se a defesa bracarense mostrou grande qualidade ao longo da temporada, o ataque não é um lá braço muito forte. Contra uma equipe que dá poucas chances ao adversário como é o caso do Porto, a perda de oportunidades não deverá ser perdoada. A média de tentos arsenalistas na temporada é baixa: apenas 1,6, em 64 partidas. Nos 18 jogos europeus, foram somente 20 gols (menos da metade do Porto, que jogou quatro vezes a menos).

Principal centroavante da equipe, Lima (aquele mesmo, ex-Santos e Avaí) começou bem a temporada, mas não marca gols há 15 jogos. Além disso, o Braga não é uma equipe que prima pela técnica ou pela habilidade. Hugo Viana é aquele de quem mais se espera um lance diferente, mas há o risco de que possa haver uma dependência excessiva do meio-campista.

4) O timoneiro: Domingos Paciência

Se o dedo de André Villas Boas é bastante claro nos Dragões, que dirá o de Domingos Paciência nessa e na temporada passada dos bracarenses? O antigo atacante do próprio Porto, que está de saída do Minho (seu destino deve mesmo ser o Sporting), conseguiu fazer do seu Braga uma equipe muito bem armada taticamente, com atletas que, se não primam pela técnica, compensam com enorme obediência tática.

Em 2009/10, a bela campanha no vice-campeonato português foi marcada pelo incrível saldo de 20 rodadas na liderança e as outras 10 no segundo lugar. Nesta temporada, Domingos manteve a eficiência bracarense mesmo com as gradativas perdas de nomes importantes, como Eduardo, Evaldo, Moisés e Matheus. Sem mudar a maneira de jogar e mais amadurecido, o Braga manteve-se por cima, e Domingos, a ratificar seu posto, ao lado de Villas Boas, no hall dos jovens e promissores técnicos do continente.

5) O craque: Alan

Ele não é o jogador mais hábil ou técnico do time, mas é, talvez, o símbolo de um Braga cada vez mais surpreendente. Melhor jogador do clube no Campeonato Português de 2009/10, Alan não é mais jovem (tem 31 anos, fará 32 em setembro), mas isso pouco importa. Sua velocidade e determinação empolgam a torcida arsenalista e o tornam um dos atletas mais complicados de serem marcados do time de Domingos Paciência.

Ele começou a temporada atual sem empolgar, é verdade, mas logo recuperou a forma da última época e cresceu no segundo semestre, bem na reta final do Português e da Liga Europa, com gols importantes e decisivos, tal qual o da vitória por 1 a 0 sobre o Liverpool, em Braga. Os ingleses, aliás, ainda o estão procurando, tamanha a canseira que o brasileiro deu na defesa dos Reds, dentro e fora do Municipal.

6) O ator coadjuvante: Hugo Viana

Aos 28 anos, o médio/volante é, talvez, o nome mais famoso do elenco bracarense. É também o jogador mais técnico, e de quem se aguardam os lances de maior habilidade e precisão. Mas Hugo Viana não foi apenas importante ao Braga. Os minhotos foram igualmente fundamentais para o renascimento do jogador, grande promessa das categorias de base do Sporting e do futebol português há dez anos, e que voltou a ser cotado para defender a equipe das Quinas.

Destaque no título leonino em 2001, foi vendido ao Newcastle, em 2002, mas não mais conseguiu brilhar desde então. Encostado no Valencia, voltou a aparecer com destaque na temporada passada, e se afirmou de vez na presente época. Seus lançamentos e cobranças de falta precisos deverão ser o centro das principais atividades ofensivas dos minhotos em Dublin.

7) Você sabia…

… que o Braga, mesmo sem o título, já será o time português de maior arrecadação europeia na temporada? Juntando Liga dos Campeões e Liga Europa, os arsenalistas já angariaram mais de 13 milhões de euros em receitas, e garantiram, ao menos, mais 2 milhões de euros, referentes ao mínimo possível, que é o vice-campeonato. Só para comparação, o Porto chegará, no máximo, a 6,3 milhões de euros de arrecadação. Vale lembrar que tais dados não levam em consideração os recursos de via televisiva e bilheteria.

8) Quem fica? Quem sai?

A geração de Guerreiros do Minho que fez história para o Braga nesta e na última temporada deve se despedir, em grande parte, com o apito final da decisão. Domingos Paciência, por exemplo, já anunciou que deixará o clube no final da época. O goleiro Artur rumará ao Benfica, enquanto o lateral Sílvio reforçará o Atlético de Madrid. Rodriguez, por sua vez, está em vias de seguir os passos de Evaldo em 2010/11 e defender o Sporting (para onde deve ir também Paciência). Alan está na mira do futebol árabe e também pode ir embora.

Além disso, três dos titulares (Paulão, Vandinho e Miguel Garcia) estão em fim de contrato e, em virtude dos resultados recentes da equipe, estão sendo observados. Destes, Vandinho é quem efetivamente tem propostas (Ásia), e caso estas sejam boas financeiramente, devido à idade (caso semelhante ao de Alan, com a diferença que no caso do ponta, o Braga deverá ser ressarcido), não é impossível que o capitão também se despeça da torcida em Dublin. Resta saber como o Braga será “remontado” após a esperada debandada pós-Europa.

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Equipe Trivela

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