Portugal

Fora, Carlos Queiroz!

Seis pontos disputados em casa pelo Grupo 1 das eliminatórias européias para o Mundial 2010 e apenas um conquistado. Em quatro partidas, apenas uma vitória, contra a inexpressiva seleção de Malta, fora de casa. Em 12 pontos disputados, a seleção portuguesa somou apenas cinco. Além da estréia contra Malta, empatou fora de casa com a Suécia em 0 a 0 – resultado normal, se não fossem outras as circunstâncias. Mas, em casa, perdeu para a Dinamarca por 3 a 2 (depois de estar vencendo por 2 a 1 até os 44 minutos do segundo tempo) e empatou mais uma vez sem gols diante da Albânia (!!), no último dia 15 de outubro.

Se quiser estar presente na terceira Copa do Mundo consecutiva, Portugal deve dispensar prontamente o técnico Carlos Queiroz. É o que defende este colunista, em que pese a polêmica dessa tomada de posição. Não, não se trata de precipitação. Trata-se apenas da opinião de alguém que, além de fazer comentários sobre o futebol português semanalmente neste espaço, gostaria que esse mesmo futebol se fortalecesse ainda mais no cenário mundial – tanto no nível dos clubes como no de sua seleção nacional. Queiroz não tem envergadura (vejam seu palmarès) para ser técnico principal da seleção sênior portuguesa. Poderia até ocupar-se das camadas jovens ou ser técnico-adjunto, como o fazia – com brilho – no Manchester United.

Nesse ponto, esta coluna parece não estar só. As capas dos jornais esportivos portugueses do dia 16 de outubro mostravam a mesma indignação. O Record trazia, sobre um fundo preto, a frase: “Estamos fartos deste filme! – Seleção volta a falhar agora contra 10 albaneses”. O diário O Jogo era mais sintético e contundente, com o título “Vergonha!”. Já o jornal A Bola provocava, estampando uma foto de Luiz Felipe Scolari e o texto: “Burro sou eu? Exibição confrangedora coloca Portugal mais longe do Mundial… e com saudades de Scolari”. A manchete aludia à frase dita por Felipão após o empate sem gols com a Finlândia, no final do ano passado, que classificara Portugal para a Eurocopa deste ano.

Crise já é indisfarçável
 

Enquête do diário A Bola da semana passada perguntava ao internauta se Portugal ainda podia classificar-se para o Mundial 2010. As respostas dividiam-se ao meio: 50% responderam que sim, 50%, não. Maior descrédito representou a reação do presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Gilberto Madaíl, no Estádio de Braga, durante o Portugal x Albânia: o cartola levantou-se da tribuna faltando cerca de dez minutos para o fim da partida. No dia seguinte, Madaíl afirmou que saíra do recinto devido a “necessidades fisiológicas”. Entretanto, assumiu que ainda não havia digerido bem o resultado, apesar de “ter bebido muita Água das Pedras” (tradicional água mineral gasosa de uma estância do Norte do país).

O pior de toda essa história é a quebra de continuidade do espírito vencedor que Portugal apresentou em boa parte da “Era Felipão”. Sob o comando de Queiroz, a equipe tem mostrado certa apatia e grande falta de ambição. Contra a Albânia, Portugal jogou com um homem a mais por cerca de 1 hora – e nem assim conseguiu fazer um mísero gol. Contra a Suécia, em Estocolmo, a seleção abdicou da vitória no segundo tempo. Resultado de tudo isso: sete pontos perdidos e apenas cinco conquistados no Grupo 1. Portugal é apenas o terceiro colocado, atrás de Hungria e Dinamarca, e com um jogo a mais do que a mesma Dinamarca e a Suécia. Se a colocação na tabela não é boa, o futebol apresentado não anima tampouco.

Taça Uefa prossegue com apenas dois clubes portugueses

Ao longo desta semana, teremos a continuidade das competições européias, com apenas duas equipes portuguesas na Taça Uefa. No Grupo B, o Benfica surge como natural candidato a uma das vagas, já que terá pela frente o Olympiacos, o Galatasaray, o Hertha Berlim e o Metalist Kharkiv. O problema do clube da Luz pode ser apenas a tabela, que não lhe foi muito satisfatória. Os encarnados estréiam no dia 23 de outubro em Berlim, diante do Hertha; depois recebem o Galatasaray, saem para enfrentar o Olympiacos e terminam a fase de grupos recebendo o Metalist Kharkiv. Melhor seria se o Benfica pegasse fora de casa o Metalist Kharkiv – mais fraco da chave – e recebesse o Hertha ou o Olympiacos. De todo modo, é quase obrigatório obter a classificação num grupo como esse.

Já o Braga não teve tanta sorte na distribuição das chaves. Caiu no Grupo E, ao lado de Milan, Heerenveen, Portsmouth e Wolfsburgo. Estréia também no dia 23 de outubro em casa, diante do Portsmouth, com obrigação de vencer. Depois, sai para enfrentar o poderosíssimo Milan. Em seguida, recebe o Wolfsburgo e encerra a fase de grupos na Holanda, diante do Heerenveen. Considerando que uma das vagas será do Milan e considerando o equilíbrio das outras equipes, o Braga poderá classificar-se se fizer a lição de casa e vencer seus compromissos domésticos.

Pela Liga dos Campeões, outras duas equipes lusas permanecem com grandes chances de seguir adiante. O Porto recebe o Dínamo de Kiev no dia 21 de outubro com a obrigação de apagar a goleada sofrida por 4 a 0 diante do Arsenal, na rodada anterior. Uma vitória deixará os Dragões com seis pontos e bem à vontade no Grupo G, que por ora é liderado pelo mesmo Arsenal (quatro pontos). No dia seguinte, o Sporting enfrenta o Shakhtar fora de casa e praticamente decide a vaga do Grupo C. Ambos estão empatados em segundo lugar com três pontos e sabem que uma das vagas não deverá sair das mãos do Barcelona, que lidera o grupo com seis.

Golo de Letra

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura

(Trecho de “Poema”, de Mário Cesariny)

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Equipe Trivela

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