Fica ou não fica?

No final do mês de novembro, Luiz Felipe Scolari – atual técnico da seleção de Portugal – declarou ao jornal O Estado de S. Paulo que deixaria o cargo após a realização da Eurocopa-2008, quando se encerra o contrato firmado com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF): “Nem vamos discutir uma nova renovação. Existe a hipótese de trabalhar em um clube europeu”, afirmou à época o treinador. Desde então, seu nome também começou a ser ventilado como um dos possíveis comandantes da seleção inglesa.
Para surpresa de muitos, o mesmo Scolari declarou ao jornal esportivo A Bola, no último sábado (8 de dezembro), que pode continuar com a seleção lusa até a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Felipão chegou a dizer que “seria ótimo e maravilhoso” se acertasse um novo contrato com a FPF desde já e que está totalmente disponível para permanecer com os Tugas. Entretanto, esclareceu que, à semelhança do que vem ocorrendo, o acerto está condicionado à campanha da seleção no campeonato europeu do próximo ano.
Gilberto Madaíl, presidente da FPF, vem estabelecendo contratos de apenas dois anos com Scolari. O problema é que esses contratos sempre se encerram simultaneamente ao fim das duas principais competições do planeta (a Eurocopa e o Mundial de futebol), o que acaba acarretando incertezas e dúvidas quanto à continuidade de qualquer treinador à frente da seleção lusa. Historicamente, os treinadores são trocados a cada torneio, algo interrompido por Felipão, que já vai para sua terceira competição consecutiva (após o vice na Eurocopa em 2004 e o 4º lugar no Mundial de 2006). Se ficar para a Copa de 2010, estará batendo um recorde inimaginável.
Há muitas razões para ficar
Scolari está com a vida particular estabilizada em Portugal, onde seus filhos permanecem estudando. Na seleção de Portugal, sabe que terá em suas mãos um elenco praticamente fechado após a renovação que procedeu nas últimas eliminatórias para a Eurocopa – o que lhe deu tanta dor-de-cabeça devido à inexperiência dos novatos. Portanto, caso mostre um bom desempenho na Áustria e Suíça em 2008, não há nada que o impeça de permanecer mais dois anos no comando dos Tugas. E o que esperar dessa seleção na próxima Eurocopa?
Na primeira fase, Portugal enfrenta Suíça, República Checa e Turquia. Contra os donos da casa, o retrospecto histórico é ruim: em 19 jogos, foram apenas seis vitórias, cinco empates e oito derrotas. Como consolo há de se destacar o fato de que a última derrota para os suíços ocorreu no longínquo 24 de março de 1982, num amistoso. De lá para cá, Portugal está há seis jogos sem perder, com três vitórias e três empates.
Contra a República Checa (considerando-se o retrospecto com a antiga Tchecoslováquia), o balanço é negativo: em 11 jogos, Portugal ganhou três, empatou quatro e perdeu outros quatro jogos. O pior é que não ganha desde 14 de outubro de 1984. Desde então, foram três derrotas e um empate, incluindo-se aí a eliminação da Eurocopa de 1996, nas quartas-de-final. Já com a Turquia, os números são bem favoráveis: apenas uma derrota no primeiro confronto, em 1955; depois, são cinco vitórias seguidas – a última na Eurocopa de 2000.
Crise leonina
O técnico Paulo Bento dá cada vez mais sinais de que já está a fazer hora extra no Sporting. O jovem treinador vem decepcionando a cada temporada, e não consegue incutir um espírito vencedor em seus discípulos leoninos. Na semana passada, vários torcedores sportinguistas pediram sua saída do cargo após o empate em casa por 1 a 1 com o União de Leiria – último colocado do Campeonato Português. No último sábado (8 de dezembro), o clube de Alvalade goleou por 4 a 0 o Louletano, pela Taça de Portugal, mas mesmo assim alguns atletas foram hostilizados após o jogo, na saída do estádio.
Para piorar, o clima entre Paulo Bento e os jogadores não parece mais ser o mesmo. O artilheiro Liedson sequer foi relacionado para o jogo com o Louletano devido a uma insubordinação no treino da véspera (o brasileiro recusou-se a ensaiar cobranças de penalidades). E, depois de Carlos Queiroz (técnico-adjunto do Manchester United) ter protagonizado uma troca de insultos pela imprensa com o presidente do Sporting, Soares Franco, foi a vez do mesmo Paulo Bento desentender-se com o desafeto Carlos Martins, ex-jogador do clube e atualmente no futebol espanhol. A precoce eliminação na Liga dos Campeões e a campanha pífia dos Leões no campeonato doméstico falam por si.
Golo de Letra
A gelada solidão
Que tu me dás coração
Não é vida nem é morte
É lucidez, desatino
De ler o próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte
(Fado “Maldição”, cantado por Amália Rodrigues)



