Portugal

Fernandes: “Queríamos trazer os jogadores certos para o que queremos fazer. O clube precisa disso”

O meia português deu uma excelente entrevista ao The Athletic, falando da sua função, da temporada passada e defendendo que reclamar com os árbitros é absolutamente normal

No próximo jogo do Manchester United, preste atenção ao árbitro. Provavelmente, Bruno Fernandes estará ao lado dele. Em uma ótima entrevista ao The Athletic, o meia português entregou um dos seus truques para encontrar espaços como camisa 10, refletiu sobre a última temporada desastrosa dos Red Devils e voltou a elogiar o técnico Erik ten Hag. E se por acaso ele estiver perto do árbitro, parado, reclamando, não se preocupe: é apenas o jeito dele.

Fernandes foi trazido por Solskjaer e causou um impacto imediato. Muitos gols e muitas assistências assim que chegou, ajudando o Manchester United a chegar à Champions League. Com a manutenção da base e reforços como Cristiano Ronaldo, ele esperava um salto no último ano. Mas aconteceu exatamente o contrário: Solskjaer foi demitido, e o interino Rangnick não conseguiu melhorar os resultados.

“Eu sentia que poderia ser a temporada em que mudamos o momento do clube. Nós sentíamos que poderíamos tentar algo grande”, disse Fernandes, que ficou triste com a demissão de Solskjaer e não acredita que o norueguês deva ser culpado por todos os problemas. Como também não acredita que Rangnick tenha sido individualmente responsável pelos resultados ruins que vieram a seguir.

“Ralf chegou com sua ideia de jogar com intensidade e pressão e como ele estava acostumado na Alemanha. Mas não funcionou direito conosco porque havia um clima entre todos no qual a confiança estava baixa e tudo era triste. Não teve nada a ver com Ralf. Ele é um bom treinador com boas ideias, mas elas não se encaixaram com todos. Isso é porque o time havia sido construído com Ole e sua ideia, e então veio um novo técnico. Isso pode ser uma diferença no clube porque cada treinador que chegou aqui teve ideias diferentes, então trouxe jogadores diferentes”, explicou.

Como, por exemplo, Ten Hag. “Primeiro de tudo, ele tem uma ideia. Ele tem um estilo. Você tem que seguir as regras dele. Ele é rígido com isso. E eu gosto. Ele trouxe disciplina, o que é algo do que sentimos falta no passado. Todo mundo precisa estar na mesma página. É isso que Pep e Klopp têm feito há anos porque eles têm estabilidade no clube e na maneira como tentam escolher jogadores no mercado de transferência e construir o time, o que é muito importante para eles serem recompensados”, disse.

“Eu vi o técnico dizer em uma entrevista coletiva que não queríamos trazer jogadores apenas por trazer. Queríamos trazer os jogadores certos para o que queremos fazer. Isso é algo que o clube precisa. Ainda temos uma margem para melhorar e ele precisa de tempo para tirar o máximo da sua ideia de jogo. Eu acredito que vamos chegar a um ponto com ele em que estaremos estabilizados como um time e todo mundo estará na mesma página”, acrescentou.

Bruno Fernandes é um viciado em futebol, que consegue relembrar detalhadamente lances de partidas anteriores e assiste a todos os jogos que puder. É muito interessante ouvi-lo falar sobre táticas. Ele explicou, por exemplo, que presta atenção aos movimentos do árbitro para encontrar espaços vazios dentro do gramado.

“É sobre encontrar áreas não ocupadas ou às vezes áreas mortas onde ninguém pode vê-lo ou marcá-lo. Ou, se marcá-lo, eles criam mais espaços no meio do gramado para outras pessoas. Normalmente, eu chamo de ‘áreas do árbitro’. Porque ninguém marca o árbitro. Às vezes, é isso que os técnicos dizem aos jogadores que jogam entre as linhas ou aos pontas que entram por dentro ou ao atacante quando ele quer recuar”, contou.

“Claro que às vezes as posições são diferentes porque você pode estar em um contra-ataque, por exemplo. Também depende da maneira como o árbitro apita o jogo. Mike Dean, por exemplo, corre muito centralmente, o que é provavelmente para ele ver o jogo, mas, para nós, como camisas 10, essa não pode ser nossa posição, então você tem que encontrar para onde pode ir”, acrescentou.

Fernandes é muitas vezes visto balançando os braços, parecendo reclamar com os companheiros. Mas ele se defende dizendo que está apenas discutindo as jogadas certas. As reclamações ficam com os adversários mesmo.

“Eu sou quem eu sou. Quem você vê em campo é o Bruno apaixonado pelo jogo que não dará nada de graça. Eu posso até brigar com alguém que é meu amigo em campo. Eu jogo contra o Wolverhampton e tem muitos jogadores portugueses, mas se eu tiver que chutá-los, vou chutá-los. Se eu tiver que discutir com eles, vou discutir. Eu preciso disso. Eu joguei muitas partidas em que fiquei quieto e ninguém disse nada sobre isso. Mas eu não me sinto eu mesmo. Eu preciso para me sentir vivo. Sobre reclamar com árbitros, honestamente…”

“Eu reclamo contra todo mundo que é contra mim. Ole viu alguém que era apaixonado e o ajudou a me contratar. No meu primeiro dia, ele disse: ‘seja você mesmo’. Ele disse: ‘eu sei que você é capaz com a bola, mas eu também quero você seja o líder que foi no Sporting’. Eu jogo pelo Manchester United, então eu sei que todas as câmeras estão em nossos jogadores, mas todos na Premier League fazem isso. No Crystal Palace, Zaha está sempre reclamando com o árbitro. É porque ele recebe faltas, então é normal reclamar com os árbitros. Isso é normal! Ele quer faltas e quer que o árbitro dê cartões amarelos”, disse.

“Fernandinho, que estava no Manchester City, estava sempre reclamando com os árbitros e me chutando! Bernardo, por exemplo, que as pessoas veem como alguém quieto. Ele é um dos caras que está sempre falando com árbitros. Ele provavelmente não faz da maneira intensa como eu faço, mas eu o vejo na seleção, então eu sei”, completou.

Fernandes tem um gol e uma assistência em seis jogos nesta temporada pelo Manchester United. Está com a seleção de Portugal para os jogos finais da primeira fase da Liga das Nações contra Tchéquia e Espanha. Os portugueses estão em segundo lugar, um ponto atrás dos espanhóis. Apenas o vencedor da chave avança às semifinais da competição.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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