Portugal

Entre pétalas e espinhos

A paciência da torcida do Benfica com o técnico espanhol Quique Flores começou a chegar ao fim no dia 13 de dezembro, quando o clube da Luz foi eliminado pelo Leixões da Taça de Portugal, na decisão por pênaltis. A lua-de-mel foi definitivamente encerrada quatro dias depois, com a derrota dos Águias por 0 a 1, em casa, para o Metalist, na última rodada do Grupo B da Taça Uefa. Certo é que a classificação dos encarnados era remotíssima (precisavam vencer por 8 a 0 e torcer por um empate entre Olympiacos x Hertha Berlim). Mas perder novamente em casa pela Taça Uefa era algo impensável para o Benfica.

Com esse resultado, o clube ficou simplesmente na última colocação de sua chave, com um mísero ponto em quatro partidas. Jogou duas vezes em casa e perdeu as duas (contra o Galatasaray e o já citado Metalist), sem ter anotado um único gol sequer no Estádio da Luz. E não é só a torcida que se mostrou decepcionada: também a diretoria benfiquista esperava mais daquele que é o elenco mais caro do futebol português na atualidade. Agora, sem Taça de Portugal e sem Taça Uefa, os Águias passam a ter a “obrigação” moral de vencerem o campeonato doméstico.

A temporada ainda reserva no calendário a pouco prestigiada Copa da Liga – que, por enquanto, não concede vaga ao campeão em nenhuma outra competição. Trata-se assim de um torneio em que os grandes normalmente não atuam com sua força máxima. Logo, só resta mesmo ao Benfica o campeonato português para redimir o elenco das severas cobranças que surgirão daqui para frente. Ainda é cedo para se fazer tantas cobranças de uma equipe formada apenas a partir do mês de julho? Talvez. Mas com Porto e Sporting dividindo suas atenções entre a Liga nacional e a Liga dos Campeões, o clube da Luz fica com o caminho facilitado rumo ao título nacional.

Uma primeira ajuda aos benfiquistas foi dada na última rodada, uma vez que Sporting (23 pontos), Porto e Leixões (ambos com 24) acabaram empatando seus compromissos. Dessa forma, os Águias já são, independentemente do resultado da partida com o Nacional nesta segunda-feira (22 de dezembro), os “Campeões de Natal”, com 25 pontos. Aliás, prefiro esta denominação, já que “campeão de inverno” deveria ser considerado apenas no final do primeiro turno, algo que só acontecerá com a 15ª rodada, em 25 de janeiro. Até lá, é desejável que o técnico Quique Flores torne seu caminho menos espinhoso pelos lados da Luz, caso queira passar mais um ano no comando do Benfica.

Sorteios escaldantes ao longo da semana

A última semana registrou, para além dos sorteios da Uefa, a definição dos confrontos das quartas-de-final da Taça de Portugal. E o acaso determinou que os atuais vice-líderes do campeonato nacional, o Porto e o Leixões, enfrentem-se no Estádio do Dragão no dia 28 de janeiro. Será a oportunidade de os Dragões vingarem-se da derrota sofrida em casa para o mesmo Leixões por 2 a 3 no dia 25 de outubro, pelo campeonato português. Os demais jogos não oferecem o mesmo interesse: Paços de Ferreira x Naval, Vitória de Guimarães x Estrela da Amadora e Atlético Valdevez x Nacional. O Valdevez, por sinal, aparece como o “estranho no ninho” dessa eliminatória, já que é o único a pertencer à terceira divisão – todos os outros são da Primeirona.

No caso dos sorteios da Uefa, comecemos pelo Braga, que irá enfrentar o Standard de Liège pelos 16 avos-de-final da Taça Uefa. O primeiro jogo será em casa, no dia 19 de fevereiro. Trata-se de um adversário bem acessível, e para o clube português tudo deverá depender do resultado da primeira partida. A volta será na Bélgica, em 26 de fevereiro.

Já pela Liga dos Campeões, o Porto foi outra equipe portuguesa que não poderá queixar-se das bolinhas do sorteio para as oitavas-de-final; caiu-lhe o ascendente, mas imprevisível Atlético de Madrid, equipe que faz gols na mesma medida em que os leva. Não será um confronto fácil, mas pelo menos é melhor enfrentar os “colchoneros” num deslocamento de duas horas à capital espanhola do que ter pela frente Chelsea, Inter de Milão ou Real Madrid.

Pior mesmo será a tarefa do Sporting, que enfrentará o Bayern de Munique. Além de superar a tradição do gigante alemão, os Leões terão que driblar a história: em 14 jogos, nunca o clube de Alvalade venceu uma equipa germânica. Apesar de o clube bávaro estar em processo de reformulação já há algum tempo, a inconstância do Sporting faz do clube português o maior azarão das oitavas-de-final.

Golo de Letra

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

(Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)

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Equipe Trivela

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