Portugal

Eles quatro, de novo

Os times portugueses conheceram na última semana seus rivais nas fases finais da Liga dos Campeões e da Liga Europa, contra os quais vão se deparar em fevereiro. Na LC, o Benfica terá pela frente o Zenit – que, curiosamente, foi responsável pela eliminação do rival Porto na etapa de grupos da competição. Já na LE, para a qual os Dragões, que acabaram “rebaixados”, os portistas enfrentarão o maior desafio dentre todos os times lusos: despachar o milionário Manchester City, líder da Premier League; o Sporting encara o Legia Varsóvia e o Braga medirá forças contra o Besiktas. Veja o que aguarda os quatro sobreviventes da nau portuguesa que busca conquistar o Velho Continente.

Benfica x Zenit

O Zenit pode ter superado o Porto, mas o favoritismo nesse duelo das oitavas é do Benfica. E a julgar pela temporada que fazem Águias e Dragões, é bem mais difícil imaginar que os Encarnados vão repetir os maus resultados dos rivais do norte contra os russos. Mesmo longe de ser aquele Zenit campeão da extinta Copa da UEFA, que já teve Pavel Pogrebnyak e Andrey Arshavin, a equipe de São Petesburgo possui uma boa defesa e o português Danny tem sido importante ao longo da competição. A resposta lusa, porém, está na ótima temporada de alguns de seus principais atletas – o que não ocorreu com o time portista ao longo da fase de grupos e pode ser decisivo a favor dos lisboetas.

Pablo Aimar – que vem jogando com bem mais frequência que nas épocas anteriores – Javi Garcia, Artur Moraes e Rodrigo tem sido peças importantes durante a Liga Portuguesa, e Bruno César, Ezequiel Garay, Nico Gaitán (ainda que um degrau abaixo do que representou em 2010/11, talvez pela deficiência do time na ocasião) e mesmo Oscar Cardozo (quando titular e até nas ocasiões em que é colocado durante os jogos) também têm mostrado regularidade muito boa. Se mantiverem o ritmo e o bom futebol apresentado na fase anterior da LC, em que voltaram invictos dos confrontos com o Manchester United, o Benfica deve passar até mesmo sem grandes problemas.

Porto x Manchester City

É a primeira vez na temporada que o Porto entra como franco-atirador em um confronto. Não só pela diferença técnica entre os dois times, mas principalmente pelo momento vivido por ambos. Apesar da surpreendente eliminação na Liga dos Campeões, o Manchester City lidera a difícil Premier League, é o grande candidato ao título, e vem em um momento psicológico muito superior ao dos portugueses – que embora liderem a Liga Zon Sagres ao lado do Benfica, não mostram a regularidade esperada de um time que ocupa a primeira posição de seu campeonato e ainda ficaram marcados pela queda precoce em um grupo fácil na LC.

Não seria um absurdo o Porto despachar o City, até porque camisa e tradição sobram aos lusos. Contudo – além de naturalmente torcer por uma atuação fraca dos rivais – os Dragões precisarão, até lá, sanar problemas que mesmo diante da gradual evolução da equipe, são claros. A chegada de Danilo para atuar pela direita parece ser uma dessas soluções, mas até o momento não se encontrou o substituto ideal de Radamel Falcão. Sacrificar Djalma ou Hulk na posição, dada a dificuldade de Kleber se firmar como o “9” já mostrou não ser a melhor saída. Resta saber se após rodar na LC, os portistas aprenderam a lição, e se ela será suficiente para encarar o líder da Premier League.

Braga x Besiktas

Um confronto de equilíbrio semelhante ao de Benfica e Zenit, mas dessa vez com o pêndulo do favoritismo indicando o lado turco – que, aliás, é dirigido por Carlos Carvalhal (ex-Sporting) e conta com seis portugueses no elenco: o volante Manuel Fernandes, os meias Bebê (ex-Manchester United), Simão Sabrosa e Júlio Alves e os atacantes Hugo Almeida e Ricardo Quaresma. No entanto, os Bracarenses têm um ponto que lhes é favorável: aprenderam a jogar mata-matas. Prova disso foi o vice-campeonato da Liga Europa na última temporada, com a equipe chegando à decisão sabendo como atuar dentro e fora de casa. O comando é diferente, mas o time é, na essência, quase o mesmo.

Porém, o se Braga da época anterior primava pela regularidade, o atual ainda intercala momentos dignos de um lugar entre os grandes de Portugal e outros em que parece estar brigando contra o rebaixamento dentro da mesma partida. O time de Leonardo Jardim tem mostrado um rendimento ofensivo bem interessante, com destaque às boas atuações de jogadores como Lima, Hélder Barbosa e principalmente Hugo Viana, mas ainda busca retomar a regularidade defensiva do time vice-campeão da LE. As chances de classificação existem e são boas e reais, mas para isso o Braga deve dar fim à “bipolaridade” que tem apresentado durante os 90 minutos. Caso contrário, ficará mais difícil do que já será.

Sporting x Legia Varsóvia

Dos quatro duelos envolvendo portugueses, trata-se daquele em que o favoritismo luso é mais evidente. É verdade que o Sporting volta e meia encontra problemas contra equipes inferiores, mas o time nas mãos de Domingos Paciência parece menos afeito a essa situação – ou pelo menos tem aprendido a enfrentar equipes assim. Pela frente, os sportinguistas terão um rival que se classificou em uma chave que em tese era das mais limitadas (com exceção ao PSV), e que não parece um bicho tão feio a ser abatido no momento. O grande desafio promete estar na próxima etapa, na qual o time de Lisboa pode ter pela frente o rival Porto em um verdadeiro clássico tuga ou o milionário Manchester City.

A perspectiva se mostra positiva exatamente porque os Leões estão em uma campanha bem satisfatória na temporada, com possibilidades reais de arrebatar um título após quase três anos – as chances mais claras estão na Taça de Portugal, onde é o único grande sobrevivente – e mostrando um rendimento técnico superior ao dos últimos anos. A equipe parece ter achado um “substituto” para Liedson (Ricky Van Wolfswinkel), parceiros de ataque competentes (Diego Capel, Jeffrén e André Carillo) e meias capazes de dar real apoio ao ataque (Stijn Schaars e Elias). Talvez ainda falte um jogador mais “diferente”, como João Moutinho ou Pablo Aimar. Mas o atual elenco é suficiente para despachar os poloneses.

Liga de Honra

Após 12 rodadas, a Liga de Honra tem um novo líder: o Estoril, que derrotou o Moreirense por 1 a 0 e pulou a 22 pontos, tirando da ponta o Atlético, que foi superado pelo Desportivo Aves por 3 a 1. O torneio, aliás, está muito equilibrado, a ponto de somente dez pontos separarem o Estoril do lanterna União da Madeira. O tradicional Belenenses aliviou a má fase com a vitória por 2 a 1 sobre o Santa Clara, mas está em antepenúltimo lugar. Já na II Divisão (terceira divisão), o Boavista segue reagindo. Venceu o Angrense por 2 a 1 fora de casa e assumiu a vice-liderança do grupo Centro com 29 pontos em 13 jogos, quatro atrás do líder Espinho. O campeão de cada grupo (Centro, Norte e Sul) segue vivo na luta pelo acesso.

Habemus semifinalistas

Foram decididos os semifinalistas da Taça de Portugal. A Acadêmica foi a primeira equipe a garantir vaga entre os quatro sobreviventes ao derrotar o Desportivo Aves por 3 a 2, com gols de Eder, Abdoulaye e Markus Berges (Pires e Amaury Bischoff diminuíram). Na quinta, o Sporting, com gols de Ricky Van Wolfswinkel, Emiliano Insúa e André Carrillo, goleou o Marítimo por 3 a 0 e firmou-se como o principal favorito ao título da competição. No mesmo dia, o Oliveirense, da Liga de Honra, aprontou para cima do Olhanense e venceu por 2 a 1, de virada, com gols de Clemente e Rui Lima (Cauê fez para os algárvios). Já na sexta, o Nacional sofreu para passar pelo Moreirense. Os madeirenses abriram 2 a 0 com Claudemir e Diego Barcellos, mas passaram quase 40 minutos com dois jogadores a menos, viram Fábio Espinho e Bruno Moreira empatarem e só garantiram a classificação nos pênaltis.

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Equipe Trivela

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