Portugal

É tudo ou nada

Num espaço de apenas quatro dias, Portugal saberá se ainda pode sonhar com uma vaga no Mundial de 2010 na África do Sul ou se já estará alijado precocemente da principal competição futebolística do planeta. No sábado (5 de setembro), os Tugas enfrentam fora de casa a Dinamarca, com a obrigação de saírem vencedores e devolverem a derrota sofrida em Lisboa por 3 a 2 (de virada) há exatamente um ano (10 de setembro de 2008). No dia 9 de setembro, pegam a Hungria – também com a obrigação de vitória.

A seleção treinada por Carlos Queiroz é apenas a terceira colocada do Grupo 1 das eliminatórias européias, com 9 pontos em (seis) jogos. Está ao lado da Suécia, mas vence no critério de desempate. Só que, no primeiro lugar, aparece a mesma Dinamarca, sete pontos na frente. Em segundo lugar, a Hungria (13 pontos), adversária da próxima quarta-feira. Dois empates (resultados bastante exeqüíveis) praticamente eliminam os portugueses do Mundial. Uma derrota e uma vitória só serão razoáveis se nos demais jogos do grupo nenhuma seleção se distanciar muito.

Hoje, por incrível que pareça, a seleção que tem Cristiano Ronaldo (atual melhor do mundo Fifa) já se daria por satisfeita se ficasse em segundo lugar no grupo e disputasse a repescagem européia. O primeiro lugar, que dá vaga automática na Copa, é algo longínquo. E qual a razão de tamanho desespero, faltando quatro partidas para o fim das eliminatórias? Resposta: a total ineficiência lusa nas partidas em casa, onde fez apenas dois pontos em três jogos (derrota para a Dinamarca, como referido acima, e empates sem gols com Suécia e Albânia – !).

Convocação de Liedson é outra face do desespero luso

O desespero é de tal ordem que o jogador Liedson, que acabou de ganhar a nacionalidade portuguesa, foi convocado para essas duas partidas decisivas sem nunca ter atuado com o grupo da seleção. Os Tugas têm o segundo melhor ataque do grupo com 8 gols, mas quatro deles foram anotados na partida de estréia contra a frágil seleção de Malta. A falta de eficácia do ataque tem sido flagrante nos três últimos jogos, em que Portugal só anotou duas vezes contra a Albânia. Será Liedson a solução para uma equipe que ainda não tem padrão de jogo?

A presença de Liedson, aliás, não passou despercebida pela equipe dinamarquesa. O capitão, Jon Dahl Tomasson, provocou os portugueses ao dizer que estes tiveram que ir ao Brasil comprar um atacante. E arrematou: “Não fazemos isso na Dinamarca, nem no resto da Escandinávia. Isso só acontece nos países do Sul da Europa”. O confronto entre a Europa nórdica e a Europa latina anuncia-se escaldante também diante das afirmações do zagueiro Simon Kjaer, que prometeu uma marcação implacável a Cristiano Ronaldo, sugerindo ainda que tentará irritá-lo desde o início, dar-lhe pancadas e derrubá-lo algumas vezes – mas sem receber o cartão. Terão combinado isso com a arbitragem também?

O que esperar dos clubes lusos nas competições européias?

Após o sorteio feito pela Uefa para as competições continentais da temporada, fica a impressão de que os clubes lusos têm muitas chances de seguir adiante – e, assim, angariar pontos preciosos no ranking de nações da entidade. Comecemos pelo Porto, que cai no Grupo D da Liga dos Campeões (LC): os Dragões têm pela frente o Chelsea (que deverá ficar com uma das vagas do grupo), o Atlético de Madrid (eliminado pelo clube das Antas na última edição da LC nas oitavas-de-final) e o Apoel do Chipre. A equipe espanhola é a única que pode ameaçar os portistas, que, entretanto, têm atuado sem medo diante das equipes inglesas nos últimos tempos.

Já na Liga Europa (ex- Taça Uefa), o Sporting está no Grupo D e enfrenta Hertha Berlim (Alemanha), Ventspils (Letônia) e Heerenveen (Holanda). Em tese, teria a “obrigação moral” de passar adiante. O Benfica, no Grupo I, tem o mesmo desafio diante do Everton (Inglaterra), AEK Atenas (Grécia) e Bate (Bielorrússia). Já o Nacional, no Grupo L, tem tarefa mais difícil: enfrenta o Atlético de Bilbao (Espanha), Werder Bremen (Alemanha) e Áustria Viena (Áustria). De todo modo, é bastante aceitável que, dos quatro clubes em competições européias, Portugal classifique ao menos três delas, o que já daria uma boa média de 75% de “aprovação”.

Golo de Letra

A minha sombra sou eu,
ela não me segue,
eu estou na minha sombra
e não vou em mim.
Sombra de mim que recebo luz,
sombra atrelada ao que eu nasci,
distância imutável de minha sombra a mim,
toco-me e não me atinjo,
só sei dó que seria
se de minha sombra chegasse a mim.

Trecho do poema “A sombra sou eu”, de Almada Negreiros.

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Equipe Trivela

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