Portugal

E agora, José?

O futebol europeu assistiu com impacto a saída do técnico José Mourinho do Chelsea na última quarta-feira, 19 de setembro. Poucas horas mais tarde, a Uefa anunciava que o atual técnico da Seleção de Portugal, Luiz Felipe Scolari, fora suspenso por quatro partidas, em função da agressão ao defesa sérvio Dragutinovic, em partida das eliminatórias para a Eurocopa disputada no dia 12 deste mês. Como Portugal tem apenas quatro jogos a disputar nessas eliminatórias, Felipão só reassume a equipe em partidas oficiais se os Tugas obtiverem a classificação. O raciocínio da imprensa e da torcida lusa foi imediato: por que não Mourinho na Seleção, no lugar de Scolari?

Pode parecer jogo de cena, mas as relações entre Felipão e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) estão um pouco abaladas. Não do lado do brasileiro, mas do lado do presidente da entidade, Gilberto Madaíl, que ficou muito contrariado com os arranhões na imagem de Portugal após o caso “Dragutinovic”. Tanto é que a FPF não quis recorrer da sanção imposta pela Uefa a Scolari, pois teme que a pena possa ser até agravada. Coube ao próprio Scolari a iniciativa de interpor recurso. O risco do treinador é, igualmente, ver a punição aumentada. Agora, convenhamos: quatro partidas, na verdade, acabou ficando “barato” para o treinador. A FPF, por sua vez, reúne-se ao longo da semana, para decidir como se posicionar diante do episódio.

E o que Mourinho tem a ver com a história? O técnico português já anunciou que sonha em treinar a seleção de seu país. Entretanto, ele mesmo garantiu que para já não quer trabalhar em Portugal, “nem em clubes nem na seleção”. Foi ainda mais longe, ao afirmar que só pretende assumir o cargo de treinador nacional quando estiver mais velho, “na parte mais terminal da carreira”. Mais uma vez, pode ser jogo de cena, apenas para despistar a imprensa. De todo modo, os efeitos junto à opinião pública já são negativos: muitos portugueses não aceitaram esse desdém com a seleção e reprovaram a atitude de Mourinho. O jogo pode ficar embaralhado com a possível disponibilidade de Carlos Queiroz, que deve desligar-se do Manchester United (onde atua como adjunto de Alex Ferguson). Como se vê, o lugar de Scolari será logo ocupado, caso a FPF resolva dispensá-lo.

Semana européia para esquecer

Portugal não poderia ter começado de modo mais lastimável sua participação nas copas européias neste início de temporada. Em sete partidas (três pela Liga dos Campeões e quatro pela Taça Uefa), os clubes lusos não tiveram nenhuma vitória. E, pior do que isso, apenas um empate foi registrado – contra seis derrotas. O Porto foi o único que se salvou – mesmo assim, jogou em casa e não conseguiu conquistar os três pontos. O placar de 1 a 1, entretanto, não foi tão lamentado porque o adversário era o poderoso Liverpool – daí que o resultado acabou não sendo de todo ruim. Os Dragões viajam agora, no dia 3 de outubro para enfrentar o Besiktas, que perdeu em Marselha para o Olympique por 2 a 0. Se vencer bem, o clube das Antas pode até assumir a liderança do Grupo A.

Também no dia 3 de outubro, o Benfica recebe o Shakhtar Donetsk, que surpreendeu na primeira rodada do Grupo D ao vencer em casa o Celtic por 2 a 0. O clube encarnado precisa vencer a todo custo, para se redimir da derrota – já esperada – para o Milan, por 2 a 1, no San Siro. Já o Sporting tem mais motivos para choramingar, devido à derrota em casa por 1 a 0 para o Manchester United e devido à vitória da Roma sobre o Dínamo Kiev por 2 a 0 pelo Grupo F. No próximo dia 2 de outubro, os Leões enfrentam o Dínamo fora de casa, em partida decisiva. Quem perder começa a dar adeus à classificação.

Na Taça Uefa, o jogo mais complicado acabou sendo o mais surpreendente para as equipes portuguesas: o Belenenses perdeu por “apenas” 1 a 0 para o Bayern de Munique, na Alemanha, e ainda sonha com a possibilidade de alcançar a vaga. O União Leiria também foi à Alemanha e perdeu por 3 a 1 para o Bayer Leverkusen. Por incrível que pareça, tanto o Leiria como o Belenenses se classificam se fizerem 2 a 0 no jogo de volta. O Braga tem tarefa mais fácil, porque precisa de uma vitória simples contra o Hammarby (os bracarenses perderam por 2 a 1 no jogo de ida). O mais complicado ficou para o Paços de Ferreira, que perdeu em casa por 1 a 0 para o AZ Alkmaar. O destino destas equipes lusas se decide no próximo dia 4 de outubro.

Tudo azul na Primeira Liga

Pelo Campeonato Português, a liderança permanece com o Porto, que visitou o ainda atordoado Paços Ferreira, derrotado em casa na Taça Uefa (ver item anterior). A superioridade dos Dragões não foi posta em causa, e o triunfo por 2 a 0 acabou não traduzindo o desequilíbrio entre as duas equipes. O clube das Antas segue inabalável no campeonato com 15 pontos (cinco vitórias em cinco partidas) e repete a performance da “era Mourinho”, quando disparava no início da temporada para não mais ser alcançado. Já o Sporting decepcionou mais uma vez sua torcida com o empate em casa diante do Vitória de Setúbal por 2 a 2. Os Leões ficaram para trás na terceira colocação, com 10 pontos – já a cinco de distância do Porto.

Destaque ainda para o empate sem gols entre Braga e Benfica, que não foi bom para nenhuma das duas equipes. Em cinco partidas, o clube da Luz já soma seis pontos perdidos – fruto de três empates (Braga, Leixões e Guimarães) – e aparece apenas na quarta colocação, com 9 pontos. O Braga, que nas últimas temporadas vem sendo considerado o melhor time português depois dos três grandes, soma apenas sete pontos (duas vitórias, duas derrotas e um empate). Quem surpreende até agora é o Marítimo, que segue na segunda colocação (12 pontos), após vencer o Belenenses por 2 a 0 em casa. No próximo sábado (29 de setembro), o derby Benfica x Sporting esquenta a rodada da Superliga.

Golo de Letra

Talvez que a guerra tenha ajudado a fazer de mim o que sou hoje e que intimamente recuso: um solteirão melancólico a quem não se telefona e cujo telefonema ninguém espera, tossindo de tempos a tempos para se imaginar acompanhado, e que a mulher a dias acabará por encontrar sentado na cadeira de baloiço em camisola interior, de boca aberta, roçando os dedos roxos no pêlo cor-de-novembro da alcatifa.

(Trecho do romance “Os cus de Judas”, de António Lobo Antunes)

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Equipe Trivela

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