Portugal

Derbys nulos

A 21ª rodada do Campeonato Português reservou um atrativo todo singular nesta reta final de temporada: nada menos do que três derbys históricos acabaram sendo realizados no mesmo final de semana. E, coincidentemente, todos acabaram empatados. Melhor para o Porto (51 pontos) e o Benfica (39), que continuam assim com a liderança e a vice-liderança da Liga, respectivamente. O maior derrotado foi o Sporting, que despencou para a quinta colocação, depois de ser ultrapassado pelo Vitória de Setúbal. Agora, os três grandes voltam as atenções para os compromissos pelas ligas européias do meio de semana.

O primeiro empate foi registrado no “derby minhoto”, entre Braga e Vitória de Guimarães, que ficaram no 0 a 0 na última sexta-feira (29 de fevereiro). Trata-se da maior rivalidade do Norte de Portugal, opondo cidades que ficam a 30 km de distância. Para se ter uma idéia da animosidade entre os adeptos dos dois clubes, uma placa de estrada com a indicação para Guimarães, nos arredores da cidade de Braga, trazia no ano passado a inscrição “Segunda Divisão”, numa provocação ao clube que fora rebaixado em 2006 e que voltou à elite na temporada seguinte.

No sábado, o empate sem gols foi registrado entre Boavista x Porto, no “derby da Cidade Invicta”. Mas aqui cabe a ressalva de que os Dragões pouparam alguns de seus titulares, casos de Lisandro, Bosingwa e Pedro Emanuel (que não atuaram) e de Raul Meireles, Tarik Sektioui e Quaresma (que começaram na reserva e entraram no segundo tempo). As atenções do Porto estavam mais voltadas para o difícil encontro da próxima quarta-feira com o Schalke 04, no Estádio do Dragão, no jogo de volta das oitavas-de-final da Liga dos Campeões. A equipe portista precisa reverter a derrota de 1 a 0 do jogo de ida.

Por fim, no domingo, o grande derby lisboeta entre Sporting x Benfica, que também ficaram no empate, mas em 1 a 1. O Sporting, antes do início da partida, já sabia que o Guimarães (35 pontos) e o Setúbal (34) estavam à sua frente na tabela do campeonato. O resultado do clássico deixou os Leões com 34 pontos, na quinta classificação – algo decepcionante para quem está cinco pontos atrás do Benfica na luta pela vice-liderança e pela vaga direta na próxima Liga dos Campeões. Daí que os benfiquistas saíram do Estádio Alvalade Século XXI com um leve sabor de vitória, uma vez que o título já está mais do que garantido para o Porto. Quinta-feira (6 de março), o clube da Luz recebe o Getafe, da Espanha, enquanto o Sporting vai a Londres enfrentar o Bolton, pelos jogos de ida das oitavas-de-final da Taça Uefa.

João Pinto e o atestado de estupidez

Portugal teve uma campanha decepcionante no Mundial de 2002, com apenas uma vitória (4 a 0 na Polônia) e duas derrotas (3 a 1 para os EUA e 1 a 0 para a Coréia do Sul). Foi eliminado ainda na primeira fase e de forma vergonhosa, com o meia João Pinto sendo expulso de campo na partida com a Coréia depois de agredir o árbitro do encontro. Após a Copa, o jogador cumpriu quase um semestre de suspensão e nunca mais foi convocado para a seleção. Além disso, viu sua carreira despencar – algo contra o qual ele pouco podia fazer após o incidente na Coréia. Alguém acha que João Pinto teria alguma chance com a chegada de Luiz Felipe Scolari ao comando de Portugal?

Certo é que as ausências de João Pinto e do goleiro Vítor Baía foram as duas grandes polêmicas do início da “Era Scolari”. No último final de semana, o meia veio a público alfinetar Felipão, ao afirmar que a ausência de Vítor Baía na Eurocopa de 2004 representou a assinatura de um “Atestado de estupidez a todos os portugueses”. O jogador foi mais além, ao dizer que outros treinadores portugueses fariam melhor do que Scolari naquele torneio, casos de Carlos Queiroz, Manuel José e José Mourinho. João Pinto não conseguiu justificar, entretanto, o porquê da agressão ao árbitro em 2002.

“Apito Dourado” tem agora o “Caso Loureiro”

Os diversos escândalos que envolvem o caso “Apito Dourado” (aliciamento de árbitros e dirigentes no futebol português, com algumas denúncias envolvendo Pinto da Costa, presidente do Porto) ganharam novos contornos na última semana. Agora foi a vez de a Justiça Portuguesa ter denunciado Valentim Loureiro e seu filho, João Loureiro, acusados de corrupção ativa na partida Boavista 0 x 1 Estrela Amadora, de abril de 2004. Os antigos dirigentes do Boavista são acusados de terem coagido o árbitro da partida a favorecer o clube axadrezado.

A família Loureiro dominou a presidência do Boavista nos últimos anos, até que deixou o poder no ano passado. O patriarca, Valentim, reagiu prontamente às acusações, com a célebre frase “Estou inocente”. O cartola, que também já foi presidente da Liga de Clubes de Portugal e Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, afirmou que ficou surpreso com a decisão da justiça: “A ida a julgamento foi como um murro no estômago. Mantenho a convicção de que não cometi qualquer crime. Tenho a consciência tranqüila”. Vejamos se os tribunais portugueses também partilham dessa opinião.

Golo de Letra

Comigo me desavim,
sou posto em todo perigo;
não posso viver comigo
nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
antes que esta assim crescesse;
agora já fugiria
de mim, se de mim pudesse.

Que me espero ou que fim
do vão trabalho que sigo,
pois que trago a mim comigo,
tamanho inimigo de mim?

(Poema de Francisco Sá de Miranda)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo