Portugal

Crise ou exagero?

O Porto voltou a perder no Campeonato Português, desta vez por um gol, fora de casa, diante da Naval 1º de Maio. Foi a segunda derrota consecutiva na Liga, após o 2 a 3 no Estádio do Dragão, na rodada anterior, com o Leixões. Se somarmos aqui o 0 a 1 também em casa no confronto com o Dínamo de Kiev, pela Liga dos Campeões, teremos então três derrotas seguidas – algo improvável nos últimos anos diante do espírito vencedor do clube portista (a última vez que isso aconteceu foi em 2005). 

A primeira imagem que nos vem à cabeça é a de crise. Independentemente dos resultados, a equipe não vem mostrando um bom futebol, e as vaias de sua própria torcida têm sido uma constante nas partidas disputadas em casa. No entanto, o técnico Jesualdo Ferreira rejeita a idéia de crise. Após a derrota para a Naval, o treinador afirmou que é um exagero falar-se em crise: “Não se pode falar disso. Perdemos dois jogos, é verdade, mas estamos ainda na sétima jornada. Não me parece que se deva fazer essa leitura tão cedo”.

O problema do Porto está exatamente nessa leitura do treinador, que acredita ainda ser cedo para se falar em crise. Só que o cenário poderá ficar ainda pior nos próximos dias, quando os Dragões vão à Ucrânia enfrentar o Dínamo de Kiev na quarta-feira (5 de novembro). Se perderem, dão adeus à Liga dos Campeões no Grupo G. Quatro dias depois, o Porto vai a Alvalade para enfrentar o Sporting pela Taça de Portugal (o sorteio ditou o clássico logo na quarta eliminatória do torneio). Como se vê, o cenário não é dos mais agradáveis para a reação desejada por Jesualdo.

Sporting, por outro lado, afasta a crise
 

Se o céu anda nublado pelos lados do Dragão, uma nesga de sol passou a iluminar o céu sportinguista. No campeonato português, os Leões venceram fora de casa o Rio Ave por 1 a 0 – novamente com um gol de Liedson, que chegou ao 150º jogo na Liga Portuguesa. Com esse resultado, o Sporting superou três jogos seguidos sem vitória pela Liga e chegou aos 13 pontos. A equipe ganhou ânimo extra para receber o Porto no próximo final de semana pela Taça de Portugal. Antes disso, porém, terá que enfrentar o Shakhtar Donetsk no dia 4 de novembro, pela Liga dos Campeões. se ganhar, assegura uma das vagas do Grupo C.

Quem está na liderança do campeonato é o Leixões, que vem surpreendendo e já alcançou os 16 pontos. Logo atrás, aparece o Benfica, com 15. O clube da Luz começa a ganhar entrosamento e consistência, fruto do trabalho persistente do técnico Quique Flores. O Nacional da Ilha da Madeira está na terceira colocação com 13 pontos, mas pode empatar com o Leixões se vencer o Marítimo no dérbi ilhéu desta segunda-feira (3 de novembro). O Sporting, com 13 pontos, é o quarto colocado – bem melhor do que o Porto, que vem apenas na sétima colocação, com 11 pontos.

Federação Portuguesa defende Carlos Queiroz
 

Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, em entrevista à imprensa lusa na semana passada, defendeu sem rodeios a presença de Carlos Queiroz no comando da seleção nacional. Para Madaíl, o técnico não representa apenas um selecionador da equipe, mas um projeto para o futebol português. Queiroz foi contratado para classificar o país para a próxima Copa do Mundo e a próxima Eurocopa, mas também para reformular o trabalho das camadas jovens. Neste caso, por se tratar de um projeto, o treinador não estaria dependente de resultados.

Temos aqui um dilema de difícil solução no futebol português. Seria Carlos Queiroz capaz de levar a cabo os dois projetos que estão na base de sua contratação, ou seja, classificar a seleção principal para as duas competições e ainda gerir as seleções de base? Pelo seu histórico até agora e pelo seu currículo, o treinador é uma excelente opção para trabalhar com as seleções de base. Mas trata-se de um equívoco sem tamanho colocá-lo para gerir a seleção principal. Queiroz é ótimo para trabalhar como técnico adjunto. Merece o Oscar de ator coadjuvante. Colocá-lo como ator principal é dar margem ao insucesso.

Golo de Letra
 

Livrai-me, Senhor
De tudo o que for
Vazio de amor.

Que nunca me espere
Quem bem não me quer
(Homem ou mulher).

Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem.

E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.

(Poema “Libera-me”, de Carlos Queiroz)

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo