Portugal

Cresceu na hora H

Experiência não é algo que vem necessariamente com a idade, mas com a prática. Nem sempre as coisas dão certo – às vezes, uma série de fatores faz com que muita coisa dê errado. Contudo, sempre se chega naquele momento em que conhecer o caminho das pedras é o diferencial para se chegar ao topo da montanha antes dos outros. O Porto é prova clara disso. A temporada é irregular, com a demora para o time se acertar em campo, a queda ainda na primeira fase da Liga dos Campeões e atuações de muito pouco futebol. No entanto, a quatro jogos do fim da Liga Portuguesa, são justamente os Dragões que, cinco pontos a frente do vice-líder Benfica, estão com uma mão na taça da Liga Portuguesa.

Do ponto de vista técnico e ainda que possa ser uma visão questionável, o Porto tem o elenco mais completo de Portugal, por assim dizer. Só que só pôde mostrar isso em campo quando esteve frente a frente com os concorrentes diretos ao título – exatamente nas partidas em que a equipe se sobressaiu. Em um quadrangular hipotético entre Porto, Benfica, Braga e Sporting (que apesar de tudo, ainda é um dos três grandes), os Dragões têm o melhor desempenho: são 11 pontos em cinco jogos, contra oito das Águias (em seis) e quatro de Leões (em quatro) e Bracarenses (em cinco). Sem esses jogos, contudo, os portistas viriam apenas no segundo lugar, dois pontos atrás, curiosamente, do Braga.

Foi contra Águias e Bracarenses que o Porto fez valer a experiência de seu elenco. Não que Benfica ou Braga não tenham jogadores rodados. A diferença é que os portistas têm atletas mais acostumados a pressão de um jogo decisivo. Dos titulares na vitória sobre o Braga, por exemplo, só Steven Defour, Kléber e Lucho González não estavam no grupo multicampeão da última temporada – apesar de Lucho já ter sido parte de outros times campeões pelos Dragões. Do time que bateu o Benfica na Luz há um mês, só Djalma e Marc Janko eram “novatos” em decisões pelo Porto. Em contrapartida, as Águias tinham só cinco campeões pelo clube em campo: Luisão, Maxi Pereira, Javi Garcia, Pablo Aimar e Oscar Cardozo.

A evolução técnica de algumas peças da equipe ao longo da temporada também ajudou. Maicon foi tão insistentemente usado na lateral direita que aprendeu a apoiar, sem desaprender a jogar atrás quando preciso – como no triunfo diante do Braga. Lucho e Janko, reforços trazidos na janela de inverno, logo se aprumaram na equipe. James Rodriguez, que começou a época em alta, caiu de produção e retomou o bom futebol neste segundo turno, é outro exemplo. O próprio Hulk, que se não chegou a ir mal, também não apresentava o mesmo rendimento de 2010/11, evoluiu à medida que o returno da Liga teve início – quem, curiosamente, está devendo é Álvaro Pereira, já com a sombra de Alex Sandro à persegui-lo.

Pesou também o avanço de Vítor Pereira enquanto treinador nestes jogos. Contra Benfica e Braga neste returno, o treinador viveu seus melhores momentos no comando dos Dragões. Soube armar o time de forma a pressionar gradativamente o adversário, marcando as principais saídas de jogo rivais e sabendo se aproveitar dos erros rivais para chegar ao gol. Prova disso é que foi um passe equivocado de Hugo Viana que culminou no lance que garantiu a vitória do Porto sobre os Arsenalistas. Também acertou em algo que vinha tropeçando paulatinamente: nas substituições. Diante do Benfica, a entrada de James Rodriguez foi crucial, já que o colombiano desafogou o jogo para os portistas e desequilibrou o Benfica.

Mas, claro, o fator sorte não pode ser desconsiderado. E “sorte” aí diz respeito ao que contribuiu para Benfica e Braga terem ficado tão para trás. As Águias, que haviam aberto cinco pontos na liderança e que até o início do ano eram as grandes favoritas ao título, viram o foco se dividir entre o Português e a Liga dos Campeões e, paralelamente, mostraram uma queda de produção razoável nos jogos em que ficaram sem Javi Garcia. Acumularam alguns jogos fracos e vitórias sofridas pelo torneio nacional, mas pareciam ter retomado o prumo após os jogos diante do Chelsea e do próprio Braga – como aqui se abordou na última coluna. De fato, o Benfica pós-LC parecia o Benfica da primeira metade do torneio.

Só que isso ocorreu muito tarde (ou não, visto que o campeonato ainda não acabou). O time de Jorge Jesus, embora bem armado taticamente e dotado de um elenco tão qualificado quanto o Porto, só agora parece ter aprendido um pouco do que é atuar sob pressão. Prova é que, mesmo com um a menos durante mais de 45 minutos, os Encarnados peitaram o Chelsea em Londres e quase ficaram com a vaga às semifinais da LC. “Mas o Benfica foi derrotado pelo Sporting!”. De fato, mas não pelo time ter se descontrolado, mas porque os Leões fizeram uma grande partida e anularam as Águias. Não dá nem para dizer que os vermelhos sentiram o peso de ver o Porto abrir cinco pontos – embora isso agora pese bem mais.

E o Braga? Pode-se dizer que houve aí uma mistura de falta de experiência com falta de camisa. Há duas semanas, esta coluna já sentenciava que os jogos contra Benfica e Porto seriam cruciais para as pretensões do até então líder da Liga. Contra as Águias, o Braga até jogou bem. Enfrentou o Benfica olho no olho e viu um pontinho escapar graças a um gol de Bruno César, nos acréscimos. Já ante o Porto, os Arsenalistas se acuaram e sentiram a pressão – que na verdade era mais deles (jogadores) mesmos do que efetivamente da torcida – de ter que correr atrás do resultado diante de um rival experiente. Após deixar as rodadas do “tudo ou nada” zerado, o time minhoto viu o título inédito – que parecia tão real – tornar a ficar longe.

Faltam quatro jogos. Em tese, o Benfica têm a sequência menos complicada: Marítimo (pedreira), Rio Ave, União de Leiria e Vitória de Setúbal. O Braga tem os “chatos” Paços de Ferreira e Olhanense, além de Beira-Mar e do Sporting na rodada final. Já o Porto, que receberá o Beira-Mar, terá dois duelos difíceis em sequência (Marítimo e Sporting) antes de se despedir contra o Rio Ave. Ante os mesmos adversários no primeiro turno, Benfica e Braga têm 100% de aproveitamento (12 pontos), contra 10 dos Dragões. Ao Porto, basta que o cenário se repita. Da parte portista, as pernas (ainda meio tortas, diga-se) estão inteiras para a reta final. Resta saber se as dos rivais vão retomar forças à tempo.

Taça da Liga

Neste sábado, o Benfica terá a primeira chance de “salvar” a temporada, ainda zerada de conquistas, na decisão da Taça da Liga diante do Gil Vicente, em Coimbra. Pelos lados encarnados, o jogo ainda não é tratado com grande atenção, até porque o grande foco das Águias esteve até há pouco no clássico ante o Sporting. Já os gilistas encaram a decisão como a partida mais importante da história do clube – o que de fato o é. São esperados pelo menos 5 mil torcedores do time minhoto, que tem feito grande campanha em Barcelos (onde fica a sede do Gil) para levar torcedores a Coimbra. O clube disponibilizará, inclusive, ônibus gratuitos para quem pretende ir ao jogo. A partida, certamente, promete.

Liga de Honra

O Estoril encaminhou o retorno à primeira divisão ao derrotar a Naval por 2 a 0 no último final de semana e atingir 52 pontos, sete diante do vice-líder Desportivo Aves. A promoção pode ser assegurada já na próxima rodada, em confronto direto contra o terceiro colocado Moreirense (que está a oito pontos do Estoril). Já na luta contra o rebaixamento, o Belenenses deu mais uma respirada, ao bater exatamente o Moreirense por 1 a 0, em casa. Com 33 pontos, o time do Restelo é o 10º colocado e já abre seis pontos da zona de perigo, encabeçada pelo Portimonense (27) e que ainda tem o Sporting da Covilhã (26). Mais uma vitória será suficiente para livrar os azuis de qualquer risco de queda à terceira divisão.

II Divisão

Pelo terceiro escalão português, o Varzim está quase garantido no triangular final do torneio, que reúne os campeões das chaves Norte, Sul e Centro. A equipe de Póvoa do Varzim derrotou o Merelinense por 3 a 1 e foi a 59 pontos, aproveitando-se da derrota do Chaves ante o Fafe para abrir nove pontos do rival, na ponta do grupo Norte – um empate contra o Marítimo B classifica o Varzim. No grupo Sul, grande equilíbrio, a ponto da diferença do líder (Torreense) ao quinto colocado (Pinhalnovense) ser de apenas três pontos. Por fim, na chave Centro, o Tondela venceu o Espinho por 4 a 2 e assumiu a ponta com 59 pontos, passando o próprio Espinho (58). O Boavista é o terceiro, com 47, sem chances de acesso.

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