Portugal

Clássico à vista?

Porto eliminado nas oitavas de final da Liga dos Campeões após levar um sonoro 5 a 0 do Arsenal no Emirates. Benfica caindo ante o Liverpool, em Anfield, nas quartas da Liga Europa. Sporting, uma etapa antes, rodando diante do Atlético de Madrid em casa. Nacional despachado na fase de grupos da LE, torneio no qual Paços de Ferreira e Braga deram adeus ainda nas fases preliminares. De fato, a temporada européia 2009/10 dos clubes portugueses não foi das mais promissoras. E o fato de a liga nacional ter lá suas “n” limitações não dava à 2010/11 grandes perspectivas.

Mas a atual época veio e com ela a possibilidade de os representantes tugas fazerem história. História que está muito próxima de chegar aos últimos capítulos, em cores vermelhas e azuis. E se o vermelho já estava garantindo, fosse com Benfica ou Braga, o azul está cada vez mais reluzente para Dublin, após a goleada espetacular – mais uma – do Porto, no Dragão, sobre o Villarreal. E, quem diria… Talvez nem o mais otimista adepto português sonhava em ver dois clubes do país decidindo título europeu. Dois rivais inclusive culturais, que estão a 90 minutos de se enfrentarem na final da Liga Europa.

O confronto em território portuense foi de dois tempos distintos. No primeiro, um Porto que se não era irreconhecível, vinha mal, deixando-se levar pela marcação do Submarino Amarillo e caindo nos contra-ataques rivais, em especial pela boa atuação de Borja Valero pelo meio-campo dos espanhóis, que vinha distribuindo bem as jogadas e aproveitando os espaços deixados pelo setor defensivo portista nas pontas, em especial nas costas de Álvaro Pereira. Foi assim, inclusive, que saiu o primeiro gol, com Valero achando Nilmar (e depois Cani). Espaços esses corrigidos com o advento do segundo tempo, mas não só.

André Villas Boas insiste que seu discurso no intervalo teve “efeito zero” no desempenho fantástico da etapa final, mas é evidente que o treinador, conhecido não somente por seu conhecimento técnico, mas por seu comportamento enfático, daqueles que interagem com o grupo, mexeu com o time. Mas não se limitou a isso. Aproximou Freddy Guarin da linha de frente, para apoiar Cristian Rodrigues (que mais uma vez deixou Silvestre Varela no banco), Hulk e, principalmente, Radamel Falcão Garcia, deixando João Moutinho mais como segundo homem de meio, para conter a armação rival que, como supracitado, era coordenada por Valero justamente por aquele setor. Deu certo.

E aí brilhou a linha colombiana do Dragão. Guarin cresceu demais, marcou um golaço – mais pela jogada do que pelo gol – e Falcão teve noite oportunista e inspirada. Chegou cerca de seis vezes ao gol do Villarreal e mandou para as redes quatro vezes, duas vezes de cabeça. Chegou a seu recorde pessoal, fez o 15º na Liga Europa – torneio do qual é artilheiro isolado – e foi o principal responsável pela terceira vitória seguida do Porto aplicando cinco gols em seu rival. E com os ataques, curiosamente, quase sempre saindo pelo mesmo lado direito que tanto complicara Álvaro Pereira no primeiro tempo.

Qual vermelho?

Do norte para o sul, o Estádio da Luz presenciou uma partida bastante agitada e equilibrada entre Benfica e Braga, talvez a melhor envolvendo a dupla nos últimos anos. Como alertado aqui há duas semanas, tratavam-se de dois times que já se conheciam bem e se acostumaram a jogos decisivos entre si. E ainda que tecnicamente as Águias estivessem a frente, o ambiente era mais propício aos Bracarenses, que vinham de mais resultados positivos e, entre os dois, era quem menos tinha a perder. Mas surpreende o que um título, ainda que de Taça da Liga, foi capaz de fazer com um time então demasiado abatido.

O título contra o Paços de Ferreira veio após um bom primeiro tempo e uma segunda etapa fraca e apertada. Tanto a vitória não convenceu que depois da conquista, Luisão viu a torcida devolver sua camisa. Apesar de tudo, o Benfica veio a campo com outra postura, se lembrarmos dos duelos ante o Porto. Comandou as ações (ainda que sem ser exatamente dominador) e soube manter tal perfil ao longo do confronto. Demonstrou mais vontade que em jogos passados, além da determinação e cabeça que faltaram em outras decisões. Tendo em vista o momento (uma semifinal européia), é um avanço considerável e importante.

O time titular seguiu com Franco Jara aberto, ao invés de Nico Gaitán, que se recuperara da lesão que o tirou da decisão de sábado passado, mas estava sem ritmo de jogo. Mas foram dois nomes que efetivamente chamaram atenção. Pablo Aimar foi um deles. Foi, disparado, o melhor em campo com a camisa encarnada, responsável pela armação das principais jogadas lisboetas. O outro foi Oscar Cardozo, que voltou a “brigar” com a bola e com a trave (duas vezes). Mas dessa vez, não irritou a torcida como outrora, já que mostrou maior aplicação que nos últimos jogos. E ainda saiu da seca com um golaço de falta.

Do outro lado, o Braga fez uma partida interessante, em muitos momentos atuando com a mesma intensidade dos mandantes, e mesmo saindo de Lisboa em desvantagem – cenário que nesta Liga Europa só havia presenciado contra o Lech Poznan, depois de perder na Polônia –, deixa o confronto em aberto. A equipe de Domingos Paciência poderia até mesmo ter ido um pouco mais ao ataque, mas o treinador optou em conter Hugo Viana e Leandro Salino, o que obrigava os atacantes Meyong e, principalmente, Lima e Alan, a buscarem mais a bola para arrematar, com Sílvio chegando pela esquerda.

Apesar disso e de seguir sem pressão, o Braga sabe que o ambiente agora muda de figura e fica a favor do Benfica. Em campo, dois fatos relevantes: o provável retorno de Gaitán ao onze, já totalmente recuperado, paralelamente à suspensão de Vandinho, capitão e líder do meio-campo bracarense. Além disso, a diferença entre as atuações encarnadas de quinta e sábado é bem marcante, o que mostra o ganho de confiança do time da Luz. Tendo em vista que a empolgação arsenalista ainda é elevada, a perspectiva é de que o Municipal de Braga receba um jogo, digno de duas das três melhores equipes de Portugal nos últimos dois anos.

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Equipe Trivela

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