Portugal

Bruno César: “Corinthians amadureceu com as derrotas”

Reserva no início da temporada, titular absoluto no fim, Bruno César conquistou o seu espaço no Benfica e chamou a atenção pelos gols marcados e pela precisão com a perna esquerda em chutes e passes. Atuando aberto pela esquerda ou pela direita, mostrou talento, conseguiu se firmar em uma equipe que tinha várias opções para o meio-campo e tem boas perspectivas de crescimento em 2012/13.

Em entrevista exclusiva à Trivela, o meia fala sobre sua temporada em Portugal, a evolução que teve como jogador e o momento vivido pelo Corinthians. A entrevista foi feita na entrega do prêmio “Futebol no mundo”, evento realizado pelos canais ESPN (Bruno César ganhou como revelação da temporada). Confira:

Você começou a temporada na reserva, mas aos poucos foi se firmando. Como você avalia seu primeiro ano no Benfica?

É importante passar por um período de adaptação. Por isso, comecei devagar, entrando no time aos poucos para ganhar confiança. Esse início foi importante para que eu pudesse me aclimatar no clube sem sentir muita pressão.

O Benfica chegou a liderar o Campeonato Português por várias rodadas, mas acabou deixando o título escapar. Como foi a repercussão dessa perda?

Realmente, tivemos o título na mão, com cinco pontos de vantagem para o Porto, mas estávamos jogando quatro campeonatos ao mesmo tempo, enquanto eles disputavam apenas um. Isso gerou um desgaste maior no nosso elenco, que acabou não conseguindo manter a vantagem que tinha. Mas é importante ressaltar que chegamos às quartas de final da Liga dos Campeões ficando em primeiro lugar de um grupo que tinha o Manchester United. Por isso, penso que o saldo da temporada foi positivo.

Em que você acha que evoluiu como jogador desde que chegou ao Benfica?

Acho que cresci muito na questão física. Na Europa, não adianta jogar só com a bola. É necessário estar bem fisicamente para poder contribuir defensivamente, e nisso eu acho que cresci bastante. Após todos os treinos, eu ficava conversando com o treinador, perguntava em quais aspectos poderia melhorar, e ele me ajudou muito [N.R: O técnico do Benfica é o português Jorge Jesus]. Acho que esse crescimento físico me ajudou a melhorar taticamente também.

O Benfica chegou a disputar várias partidas sem nenhum português no elenco. Esse fato é comentado dentro do clube, ou pela torcida?

Não, as pessoas não comentam. É uma opção do treinador, que não enxerga a nacionalidade, e sim os melhores jogadores no momento. E creio que a torcida entende isso.

Como foi a mudança de São Paulo para Lisboa? Há muitas diferenças entre as duas cidades?

Foi tranquila. Lisboa é uma cidade mais calma do que São Paulo e a alimentação é um pouco diferente. Tive que aprender a comer peixe com mais frequência. Fora isso, a adaptação foi bem tranquila.

Como você avalia o desempenho da seleção portuguesa na Eurocopa?

No início, disseram que era o “grupo da morte”, mas dentro de campo o time se portou muito bem e mereceu a vaga para a semifinal. Acho que Portugal tem grandes chances de conquistar a Euro.

O único jogador do Benfica a disputar a Euro é o jovem Nélson Oliveira, que brilhou no Mundial Sub-20 de 2011. Como você analisa o potencial dele?

É um jogador muito talentoso, rápido, forte, e sempre procura dar opções aos companheiros, torço muito por ele na seleção portuguesa.

Você já atuou por duas vezes na seleção brasileira. Te incomodou ficar de fora justamente no momento em que você cresceu no Benfica?

Tive as oportunidades e acho que não fui mal, mas acredito que tudo vem no seu tempo. O Mano optou por convocar jogadores com idade olímpica, o que é importante nesse momento. Preciso continuar jogando bem no clube para ter outra oportunidade e agarrar com unhas e dentes.

Você fazia parte do elenco do Corinthians que foi eliminado para o Tolima na Pré-Libertadores de 2011. O que mudou em um ano para que o time crescesse tanto e pudesse chegar à final contra o Boca Juniors?

O Corinthians amadureceu muito com as derrotas de 2010 e 2011. A mentalidade lá mudou, o pensamento é diferente. Há mais confiança e o time chegou à final com merecimento.

Paulinho e Ralf já estavam no Corinthians quando você jogava lá. Era possível prever o crescimento dos dois?

Sim, com o tempo as coisas eram bem claras. Os dois foram adquirindo um entrosamento cada vez maior e tomando conta da posição aos poucos.
 

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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