Agora, rumo à disputa do Euro

Estão feitas as contas do futebol português na temporada 2007/2008, no âmbito dos clubes: o Vitória de Setúbal foi o primeiro campeão da pouco prestigiada Taça da Liga (que atendeu pelo nome de Taça Carlsberg, por força da marca de cerveja que patrocinou o torneio); o Porto foi o legítimo campeão nacional, numa prestação de fazer inveja a qualquer adversário (assegurou o título com cinco rodadas de antecedência e terminou o campeonato com 14 pontos à frente do vice-colocado); e o Sporting, pelo segundo ano consecutivo, fechou a época com a conquista da Taça de Portugal, ao vencer o Porto por 2 a 0. Nota: os Leões terminam a temporada do mesmo modo como a começaram, já que também haviam vencido o Porto em agosto passado, na final da Supertaça.
Nesta última conquista, o Sporting contou com os préstimos de um brasileiro, Rodrigo Tiuí, que anotou os dois gols da vitória no segundo tempo da prorrogação – num momento em que tudo indicava que as duas equipes esperavam a decisão por pênaltis. O Porto, apontado por muitos como favorito ao título, não jogou bem e mostrou-se muito desentrosado. Ainda por cima, teve que se deparar com a expulsão de João Paulo na metade do segundo tempo e chegou à prorrogação quase sem forças. Melhor para o Sporting, que levou a 15.ª Taça de Portugal para sua sala de troféus. Melhor ainda para o contestado técnico Paulo Bento, que passou a ser o sexto treinador a conquistar o bicampeonato na Taça de Portugal.
Por sinal, a conquista leonina na Taça acabou sendo justa: em seis jogos, o Sporting anotou 18 golos sofreu apenas quatro. Dos quatro gols tomados, três foram no eletrizante clássico com o Benfica, na semifinal do torneio, quando os sportinguistas venceram de virada por 5 a 3. Antes do Benfica, o clube de Alvalade superou o Louletano, o Lagoa, o Marítimo e o Estrela da Amadora. A vitória sobre o Porto na final não deixou margem para dúvidas – ainda mais que, no campeonato português, o Sporting já havia vencido os Dragões em casa no segundo turno também por 2 a 0.
Para alem do cansaço dos atletas no final da temporada e para o fato de ter atuado desde o segundo tempo da final com um jogador a menos, o Porto pareceu abalado pelo anúncio de que pode ficar fora da próxima Liga dos Campeões, em função da punição sofrida no âmbito doméstico por causa do “Apito Dourado”. Sinal de que algo pode não estar bem no clube das Antas foi a dispensa do lateral Bosingwa, que não foi escalado para a final da Taça por causa de ter sido negociado com o Chelsea. A saída do lateral é apenas o prenúncio de um desmonte que pode afastar do clube outros elementos-chave da equipe – casos de Quaresma, Lucho Gonzalez e Lisandro López.
As escolhas de Felipão
Finalizada a temporada doméstica em Portugal, tudo agora aponta para a participação de Portugal na Eurocopa 2008, a ser realizada na Suíça e na Áustria. Os Tugas estréiam contra a Turquia, no dia 7 de junho, em Genebra. Depois enfrentam a República Checa no dia 11, também em Genebra, e pegam a Suíça no dia 15, na Basiléia. A apresentação do elenco convocado pelo técnico Luiz Felipe Scolari iniciou-se na segunda-feira (19 de maio) já com quatro desfalques importantes: os quatro atletas que disputam a final da Liga dos Campeões em Moscou, no dia 20 de maio (Cristiano Ronaldo e Nani, pelo Manchester United, e Paulo Ferreira e Ricardo Carvalho, pelo Chelsea).
Como o leitor já deve saber, não houve grandes surpresas nas escolhas de Felipão, salvo o fato de Maniche e Caneira terem ficado de fora. Na verdade, a surpresa maior ficou por conta de Maniche, o maior artilheiro da Seleção Lusa sob o comando de Scolari em fases finais: foram dois gols na Eurocopa de 2004 (Rússia e Holanda) e dois no Mundial de 2006 (México e Holanda), com presença em todas as partidas desses dois torneios. O meia, que se transferiu no meio da temporada do Atlético de Madrid para a Inter de Milão, mostrou-se muito magoado com o fato de ter ficado de fora desta vez e alegou que tinha como certa sua convocação.
A torcida portuguesa ainda não demonstrou grande expectativa pelo time de Scolari, algo que só deve começar a acontecer se a equipe engrenar na competição. Ao mesmo tempo, os portugueses sabem que têm uma seleção competitiva e que conta com o possível “melhor do mundo” no momento – Cristiano Ronaldo. Assim mesmo, o fracasso na Eurocopa de 2004, com a derrota na final para a Grécia, ainda martelam os pensamentos da torcida. Desta vez, para piorar, a equipe não jogará em casa e ainda terá que se deparar com a renovação do elenco e com ausência de um líder em campo do quilate de Luís Figo.
Certo é que Scolari começa esta Eurocopa tentando mesclar juventude e experiência: 11 jogadores do grupo estiveram com o treinador no Euro-2004 e no Mundial-2006: Ricardo, Cristiano Ronaldo, Ricardo Carvalho, Miguel, Deco, Simão, Nuno Gomes, Petit, Paulo Ferreira, Hélder Postiga e Quim. Outros 11 debutam numa competição desse porte: Rui Patrício, Bosingwa, Ricardo Quaresma, Nani, Hugo Almeida, Miguel Veloso, João Moutinho, Raul Meireles, Jorge Ribeiro, Bruno Alves e Pepe. Completa a lista Fernando Meira, que também esteve na Copa da Alemanha. São esses os jogadores que tentarão prolongar a permanência de Felipão em Portugal: se a seleção for convincente, o técnico encara o desafio do Mundial-2010. Se a seleção fracassar, não faltarão opções de transferência.
Golo de Letra
Gosto de ti como quem mata o degredo,
Gosto de ti como quem finta o futuro,
Gosto de ti como quem diz não ter medo,
Como quem mente em segredo,
Como quem baila na estrada,
Vestido feito de nada,
As mãos fartas do corpo,
Um beijo louco no porto
E uma cidade p’ra ti.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
Enquanto não há amanhã,
Ilumina-me, Ilumina-me.
(Trecho da canção “Ilumina-me”, de Pedro Abrunhosa)



