Portugal

Acorda, gajo!

Talvez nenhuma seleção da Eurocopa seja tão dependente de um único jogador como Portugal é de Cristiano Ronaldo. Por isso, os portugueses comemoram o fato de que, mesmo com a ineficácia de sua maior estrela, chegam à rodada final da primeira fase com chances de classificação.

CR7 não marca pela seleção desde o dia 15 de novembro do ano passado, no jogo contra a Bósnia, pela repescagem de qualificação para a Euro (fez dois, na goleada por 6 a 2). Desde então, foram cinco partidas e nenhum gol, marca negativa que não ocorria desde 2009/2010.

Tentativas não faltaram, é verdade. Quando esta coluna foi escrita (na metade da segunda rodada), o capitão português era o jogador que mais havia chutado ao gol em toda a Eurocopa: oito vezes, quatro na estreia contra a Alemanha e outras quatro no jogo diante da Dinamarca, além de outros três chutes para fora.

No próprio duelo diante dos vikings, Ronaldo protagonizou momentos de Diego Souza, como o gol incrivelmente perdido diante do goleiro Stephan Andersen, que poderia, àquela altura, decretar a vitória lusa com tranquilidade bem maior do que ocorreu posteriormente, graças ao chute salvador de Silvestre Varela.

É claro que CR7 é craque, um dos melhores jogadores do planeta. Ninguém em sã consciência duvida disso – assim como também não se pode duvidar que ele tem capacidade para resolver a partida decisiva contra a Holanda sozinho e carregar o time nas costas para as quartas de final. Mas é claro, também, que o momento não é dos melhores para o atacante do Real Madrid.

Isso pode ser sentido nas próprias declarações do gajo. Após a partida contra a Dinamarca, ele irritou-se demais com perguntas dos jornalistas sobre os provocativos gritos de “Messi” que vieram das arquibancadas. Disse que, nesta mesma época do ano passado, o argentino do Barcelona estava chorando a eliminação de sua seleção na Copa América. Ao invés de diminuir o tom, evitar polêmicas e concentrar-se no seu futebol, Ronaldo parece estar preocupado demais com o seu maior rival na disputa pela Bola de Ouro, um prêmio individual.

A má atuação do atacante português na suada vitória diante da Dinamarca não é medida apenas pelos gols perdidos. Cristiano Ronaldo deu liberdade demais ao lateral direito adversário, Lars Jacobsen, que pôde participar dos dois gols do seu time e ainda marcar de maneira eficiente o camisa 7.

O lado bom da “Ronaldodependência” estar sendo colocada à prova é que naturalmente outras opções começam a surgir. Provavelmente elas não serão capazes de levar Portugal muito longe sem a ajuda mais que necessária de CR7, mas, por outro lado, ficariam completamente ofuscadas se o artilheiro estivesse nos seus melhores dias.

Opções como a do sempre criticado Hélder Postiga, que ao marcar o segundo gol no triunfo sobre os vikings tornou-se o jogador com a sétima melhor média de gols na seleção portuguesa na história: 0,39 por jogo, a maior entre todos da atualidade. A média de Ronaldo é de 0,35. O líder é Peyroteo, que jogou pela seleção apenas 20 vezes, de 1938 a 1949 e marcou 0,65 gol por partida, em média.

Outra é Silvestre Varela, o autor do gol salvador, a três minutos do fim do tempo regulamentar, que manteve Portugal vivo na Eurocopa. O jogador do Porto tornou-se o 20º português a marcar numa Eurocopa. E é ele a quem, mesmo que arrebente contra a Holanda e apague suas más atuações iniciais, Cristiano Ronaldo deve agradecer.

CURTAS

– Quando a fase é ruim, vale apelar para a superstição. Tem português comemorando o fato de que, sempre que jogou com o árbitro italiano Nicola Rizzoli apitando, Cristiano Ronaldo fez gol. É Rizzoli quem comandará a partida diante da Holanda, no domingo.

– Em declarações à imprensa uruguaia, Alvaro Pereira deixou aberta a possibilidade de não atuar pelo Porto na próxima temporada.

– Franco Jara, do Benfica, dificilmente ficará no clube em 2012/13. Pelo menos dois times espanhóis, Bétis e Granada, querem o jogador, que já manifestou desejo de jogar no futebol espanhol.

– Depois de um ano e dois meses assinando a coluna Áustria/Suíça, esta é minha estreia no espaço dedicado a Portugal aqui na Trivela. Herdo o bastão deixado pelo Lincoln Chaves, que tão bem contou as coisas lusitanas nos últimos anos. O trabalho será para trazer boas histórias, análises críticas e muita informação. E você, leitor, fique à vontade para usar o espaço de comentários aí embaixo. Críticas e sugestões são sempre bem-vindas.

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