Portugal

A que vem este novo Braga?

As duas últimas temporadas estão na história do Braga. Em 2009/10, a equipe chegou a um inesperado vice-campeonato português, tendo liderado o certame por vinte rodadas e ficado em segundo nas outras dez jornadas. Em 2010/11, chegou à fase de grupos da Liga dos Campeões depois de deixar Celtic e Sevilla pelo caminho, bateu o Arsenal na fase de grupos e alcançou uma inédita final de Liga Europa, caindo para o Porto. O bem arrumado time dirigido por Domingos Paciência ganhou admiração nacional e continental e colocou os Bracarenses como candidatos reais ao posto de “quarto grande” de Portugal.

Daquela decisão contra os Dragões para cá, o Braga mudou. Domingos e Alberto Rodriguez foram para o Sporting; Sílvio acabou negociado com o Atlético de Madrid; Artur Moraes trocou o Minho pelo Benfica; Miguel Garcia rumou ao Orduspor, Paulão foi para o Saint-Étienne e o experiente Vandinho seguiu ao Al Sharjah, dos Emirados Árabes. Os Arsenalistas perdiam, ali, os nomes principais do setor mais forte e equilibrado da equipe: a defesa. Sem o comandante da nau dos últimos dois campeonatos e com a necessidade de reformular o sistema defensivo, havia dúvidas – até tendo em vista os escassos recursos que o Braga tem em mãos para aplicar em contratações de peso – sobre as pretensões e o futuro do time.

Mas eis que o Braga começa a temporada com o pé direito. Passadas cinco rodadas, é um dos únicos invictos da Liga Portuguesa, ao lado de Porto e Benfica. Tivesse vencido o derby minhoto contra o Vitória de Guimarães (1 a 1), os Bracarenses poderiam estar, hoje, dividindo a ponta da tabela com Águias e Dragões. Dependendo do resultado do clássico entre portistas e encarnados desta sexta, uma vitória diante do Nacional, que faz campanha pífia, pode levar o Braga à ponta da tabela. Na Liga Europa, depois de uma classificação apertada à fase de grupos diante do Young Boys, um tranquilo 3 a 1 contra o Birmingham, na Inglaterra, ratificou o favoritismo da equipe à vaga na próxima fase da competição.

Alguns fatores colaboram com a manutenção dessa já extensa boa fase. Primeiramente, a troca de comando técnico acabou se mostrando bem sucedida. Leonardo Jardim, tal qual Domingos, já havia mostrado fazer parte da recente safra de bons treinadores portugueses, encabeçada por André Villas Boas. No limitado Beira-Mar, na última temporada, seu trabalho não só foi decisivo para a permanência dos aurinegros na elite como, no tempo em que esteve em Aveiro, permitiu ao clube sonhar em brigar por Liga Europa. Quando deixou a equipe, o Beira-Mar desandou e colecionou tropeços, mas a campanha era tão boa que o time não chegou efetivamente a ser ameaçado pelo rebaixamento – apenas matematicamente.

No Braga, Jardim conseguiu reorganizar a defesa. Claro, ainda longe da regularidade imposta pela dupla Rodriguez e Paulão (mas principalmente quando o titular era Moisés), mas já chamando atenção, sendo a menos vazada da competição até o momento (dois gols sofridos em cinco jogos). Por um lado, o lado esquerdo, sem Sílvio, é o setor mais frágil, especialmente porque Elderson Echiejile, desde a temporada passada, encontra dificuldades para se adequar ao ritmo da liga portuguesa. A dupla de zaga Paulo Vinícius (ex-União de Leiria) e Ewerton (ex-Corinthians/AL) ainda está se entrosando, mas tem mostrado futuro. E Baiano (ex-Paços de Ferreira) parece ser mais regular que Miguel Garcia.

Outro ponto interessante é que Jardim não promoveu grandes alterações na forma do Braga jogar. Muito porque do meio para frente a única perda foi mesmo a de Vandinho. Até por isso, a equipe segue com três jogadores de meio – dois com características mais defensivas – e três homens de frente. Os experientes Custódio e Hugo Viana, além de Vinícius e Djamal, podem fazer esse setor mais defensivo, sendo que Hugo Viana tem mais liberdade para ir a frente. Mais adiante, Jardim conta com Leandro Salino – de excelente temporada 2010/11 -, Márcio Mossoró e o outrora badalado (mas de fato talentoso) Fran Mérida, emprestado pelo Arsenal.

O ataque também não sofreu com perdas. Pizzi, de grande temporada emprestado ao Paços de Ferreira, nem atuou direito pelos bracarenses. Além disso, o setor ainda saiu ganhando, com as vindas de Nuno Gomes e a afirmação de Hélder Barbosa, trazido no começo do ano. Até pelo longo tempo sem ritmo de jogo a titular, Nuno Gomes ainda não é dono de uma vaga entre os onze, mas tem entrado bem. Hélder, por sua vez, chegou ao Braga depois de brilhar pelas categorias de base do Porto mas nunca receber a devida atenção no Dragão e ser seguidamente emprestado. Na atual época, sua velocidade e técnica tem sido importantes aos Arsenalistas. Com um diferencial em relação às demais temporadas: além de assistências, tem até marcado gols.

O campeonato ainda está no começo e dificilmente o Braga o encerrará na ponta da tabela, principalmente porque Benfica e Porto são muito mais eficientes contra os rivais médios e menores do que os Bracarenses conseguem ser, e isso faz diferença no fim das contas. Contudo, tamanha é a irregularidade do Sporting que não é nada absurdo que o Braga postule uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Quanto à Liga Europa, está tudo no começo, mas como comentado na coluna anterior, os Arsenalistas são favoritos em seu grupo e parecem mais amadurecidos que na última edição para jogos decisivos. Algo que, se não for efetivo no Velho Continente, pode fazer da equipe uma séria concorrente à tornar a vencer a Taça de Portugal, grande título da história do clube e que não é conquistado a 45 anos. Não é impossível.

Olho na Liga

O Porto acabou surpreendido na última rodada do Campeonato Português, ao empatar sem gols com o recém-promovido Feirense. O resultado impediu que os Dragões seguissem isolados na liderança e permitiu ao Benfica, que goleou a Acadêmica por 4 a 1, encostar na liderança – ambos têm 13 pontos. O Braga ficou no empate em 1 a 1 no clássico minhoto com o Vitória de Guimarães e segue em terceiro, com 11 (os vimarinenses ainda buscam ratificar a reação na competição e ocupam somente o 12º lugar, com 4 pontos). Uma boa surpresa da Liga até o momento é o Marítimo, que bateu o União de Leiria fora de casa e é o quarto, com 10 pontos (o União é o vice-lanterna com 3).

O Sporting chegou a segunda vitória na temporada ao derrotar o Rio Ave por 3 a 2. O curioso é que os Leões chegaram a abrir 2 a 0 nos três primeiros minutos de jogo, mas deixaram os donos da casa encostarem no marcador. O time de Lisboa assumiu o sexto lugar com 8 pontos, enquanto os vilacondenses seguem em último, com somente 1 ponto. Quem deixou as últimas posições mas seguem em situação complicada é o Nacional, que derrotou o Paços de Ferreira por 1 a 0. Os madeirenses estão em 13º, com 4 pontos, enquanto os Castores caíram para a colocação imediatamente inferior, também com 4 pontos.

Hora de clássico

Nesta sexta-feira é o dia do grande clássico do país: Porto e Benfica. No Estádio do Dragão, na última temporada, um resultado inesquecível aos portistas: um 5 a 0 que foi considerado um dos marcos do inquestionável título azul em 2010/11. Desta vez, no entanto, o cenário é diferente. Se o Porto não é o mesmo time avassalador da época passada, o Benfica está claramente em melhor forma do que estava na ocasião do clássico do Dragão. Além disso, os portistas terão um desfalque importante: James Rodriguez, que acabou expulso contra o Feirense. Os Encarnados, por sua vez, estão completos e, pode-se dizer, em momento de confiança.

A expectativa é de que o Benfica faça uma formação semelhante a que mandou a campo contra o Manchester United, apostando na segurança de dois volantes (Javi Garcia e Ruben Amorim), na velocidade de Nico Gaitán e na criatividade de Pablo Aimar, com Oscar Cardozo mais a frente. Outra possibilidade é Jorge Jesus render Amorim e lançar Nolito ou Javier Saviola. No Porto, nenhuma novidade é esperada, até porque já é bem conhecido o substituto habitual de James – Silvestre Varela. A dúvida maior está em quem formará dupla na armação com João Moutinho – se Freddy Guarin ou Steven Defour. Favorito? Porto, por jogar em casa. Mas longe daquele favoritismo de 2010/11.
 

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Equipe Trivela

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