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A bola pune, Dragão

Pelo jogo em si, não era para o Porto ter ficado pelo caminho na Liga dos Campeões. Em que pese não ter sido uma grande atuação, os Dragões tiveram enorme domínio sobre o Zenit e, não fosse o goleiro Vyacheslav Malafeev, muito provavelmente o atual campeão português teria atropelado o time russo e ficado inclusive com a ponta do grupo. Mas o que eliminou os portistas da competição continental vai além da campanha pífia ao longo do torneio. Passa na verdade pela demora em se afirmar de uma equipe que sentiu mais do que deveria a perda de seus antigos técnico (André Villas Boas) e centroavante (Radamel Falcão Garcia) e que só agora, em dezembro, esboça encontrar um novo padrão de jogo.


Contra o Zenit, o Porto pressionou do início ao fim. Sem um centroavante de ofício entre os titulares — Hulk fez a função, com Djalma fazendo a ponta — faltou aos Dragões aquele jogador de conclusão. Oportunidades não faltaram, especialmente porque João Moutinho estava inspirado e coordenou muito bem o meio-campo portista. Contudo, por um lado, Hulk teve uma atuação bem infeliz, por vezes segurando a bola ou arriscando lances desnecessários. Por outro, Djalma até fez uma boa partida, mas sentiu o peso da partida quando tinha a chance da finalização. Teve, por exemplo, a chance de mudar a história do jogo aos 6 minutos, recebendo de Moutinho na diagonal e ficando cara a cara com Malafeev, sem sucesso.

Era a terceira vez seguida que o Porto repetia um onze — o que há muito não acontecia. No entanto, era o tipo de jogo no qual uma mudança seria necessária, e ela só veio nos últimos 45 minutos, quando Kleber entrou no lugar de Defour (lesionado) e os Dragões passaram a ter um centroavante de ofício. Com Hulk voltando a uma das pontas e Djalma na outra, James Rodriguez virou meia-atacante, auxiliando Moutinho na aproximação com o ataque. A pressão tornou-se ainda mais intensa e a equipe cresceu, ainda que, à medida que o jogo corria, de forma mais nervosa. O time chegou ao ponto de ter Rolando dentro da área russa e Belluschi entrando no lugar de Nicolas Otamendi. Mas nada tirou o zero do placar.

O Porto paga por toda uma campanha, nem tanto pelo empate — fruto da grande atuação de Malafeev e de muito azar. Foi preciso chegar dezembro para que o time de Vítor Pereira começasse a ser redesenhado e retomasse um espírito de jogo como o da temporada passada. Espírito que sobrou ao APOEL, contra quem os Dragões somaram só um ponto em seis possíveis. A ausência de um “nove” constante (Kleber ainda precisa amadurecer e está bem atrás de Falcão) fez Hulk virar quase que uma referência única no ataque. James voou no início da época, mas tornou-se irregular e Moutinho só agora retoma o futebol de 2010/11, mas ainda não tem um parceiro regular para jogar pelo meio-campo.

A decepção naturalmente é considerável, tanto pela excepcional temporada 2010/11 quanto pela fraca chave na qual o clube foi sorteado. Nem mesmo o fato de outros campeões nacionais até mais fortes, como Borussia Dortmund e Manchester United, também terem rodado cedo, atenua o peso da queda — até pelo rival Benfica não só ter se classificado como ficado a frente em seu grupo. Para complicar, a sequência europeia dos Dragões promete ser difícil, já que como a equipe não foi uma das melhores terceiras colocadas, não entrará como cabeça-de-chave na Liga Europa e, portanto, pode se deparar, já no primeiro dos mata-matas, ter pela frente algum dos Manchesters (City ou United).

O que de fato ajuda a atenuar (um pouco) o fracasso na LC é o fato de que, ainda que tarde, o Porto apresenta melhoras. Já havia mostrado isso no 2 a 0 aplicado no Shakthar Donetsk, e confirmou isso na vitória sobre o sempre perigoso Braga, no final de semana, pelo Campeonato Português. Tanto que os Dragões dominaram e venciam por 3 a 0 até os 44 minutos do segundo tempo, quando um apagão quase comprometeu o resultado (o jogo terminou 3 a 2). Diante do Zenit, a má atuação do jogador de quem mais se esperava (Hulk) e a falta de um homem de área (Kleber pouco adicionou quando em campo) pesaram, mas a equipe foi novamente superior, a ponto de receber aplausos dos torcedores, apesar da eliminação.

Até o fim do ano, o Porto terá ainda dois jogos, nos quais espera ratificar a evolução e ter um Natal razoavelmente feliz, pelo menos com a liderança da liga nacional assegurada. Muito provavelmente, a janela de inverno deverá presenciar alguns avanços portistas, especialmente atrás de um atacante e mesmo de um meia. Para a lateral direita, a vinda de Danilo deve dar fim a improvisação de Maicon e garantir qualidade no toque de bola e nos avanços pelo setor, proporcionando uma nova opção de ataque pelos lados. A tendência no Dragão é de fato a de melhorar. Até porque é necessário, para que os atuais campeões portugueses deixem de ser (justamente) punidos pela bola, como diria Muricy Ramalho.

Taça das zebras?

O Benfica foi surpreendido no com sua primeira derrota na temporada ao perder por 2 a 1 para o Marítimo, o que custou a classificação às quartas de final da Taça de Portugal. O torneio, aliás, está interessante, já que somente um dos grandes está entre os oito quadrifinalistas. Trata-se justamente do grande que, nos últimos anos, mais sofreu com a distância dos rivais: o Sporting, que bateu o Belenenses por 2 a 0 e terá pela frente o próprio Marítimo. E se por um lado sobrevivem times medianos como Nacional e Acadêmica, continuam vivos os pequenos Olhanense, Oliveirense, Moreirense e Desportivo Aves. No atual cômputo, não seria nada absurdo imaginar um nanico repetir o Chaves em 2009/10 e atingir a decisão.

Divisões inferiores

Hora de uma rápida passada nas outras divisões do futebol português. Passadas 10 rodadas, o Atlético segue líder da Liga de Honra com 20 pontos. No entanto, o time lisboeta, que iniciou “voando” a competição, já vê a aproximação de rivais como o Santa Clara e o Moreirense — que bateu os atleticanos na última rodada fora de casa — que somam 18 pontos até o momento. Rebaixados na última temporada, Naval e Portimonense ainda patinam. Os figueirenses ocupam somente a 6ª posição com 15 pontos, enquanto os alvinegros vêm no 14° e antepenúltimo lugar, com 9 pontos. Tradicional, o Belenenses vem somente em 13°, com 10 pontos.

Já na II Divisão, equivalente ao terceiro escalão do futebol tuga, o Boavista, que chegou a ter a participação na competição colocada em xeque, vem em terceiro lugar na chave Centro com 23 pontos, seis atrás do líder Espinho e a quatro do Tondela. Na zona Norte, o Varzim está na liderança com 26 pontos, enquanto o Estrela Vendas Novas, pelo saldo de gols, está em primeiro na chave Sul. O campeão de cada grupo classifica-se para um triangular final, em que os dois primeiros ascendem a Liga de Honra.

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Equipe Trivela

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