Andrea Pirlo marcou época em seus anos de carreira. O jogador, que tem 40 anos de idade (fará 41 no dia 19 de maio) foi jogador profissional de 1995 até 2017, quando pendurou as chuteiras. Afastado do futebol desde então, o ex-jogador da seleção italiana quer retornar ao futebol como técnico. Mas não em qualquer trabalho de técnico. Não quer, por exemplo, dirigir times de categorias de base.

Aposentado dos gramados, Pirlo se dedicou a estudar e tirar todas as licenças de técnico exigidas na Europa. Ele foi cotado para ser o técnico do time sub-23 da Juventus, que joga a Serie C na Itália. “Eu estou mais inclinado a elencos principais do que de categorias de base”, afirmou Pirlo ao Il Nuovo Calcio.

“Eu acho que eu preciso de um objetivo para almejar. Eu quero sentir a adrenalina do jogo, a vitória ou a derrota, aquela responsabilidade. Eu não acredito que os times de base são o melhor para mim, ou que seja algo que eu vá gostar. Eu prefiro começar com adultos”, afirmou o ex-jogador de Brescia, Inter, Milan e Juventus.

Pirlo teve muitos grandes técnicos ao longo da carreira, mas um deles o marcou a ponto de ter escolhido seguir na profissão. “Tanto Antonio Conte e Massimiliano Allegri me ensinaram muito. Eu não acho que treinador sem colocar a mão na massa realmente exista hoje, já que mesmo Allegri, que parecia de fora que não estava dando muitas orientações táticas, trabalhava muito duro”, contou.

“A primeira vez que eu considerei me tornar um técnico foi depois de uma lição tática de Conte, como ele fazia por pelo menos 40 minutos cada. Foi quando pensei comigo mesmo: quero fazer isso também”, revelou Pirlo. Os dois trabalharam juntos em todo o período que o treinador esteve na Juventus, de 2011 a 2014. Depois, ainda trabalharam juntos mais algumas vezes na seleção italiana – que conte decidiu não levar Pirlo para a Eurocopa 2016, inclusive.

Entre os muitos títulos que Pirlo conquistou na carreira, inclusive Champions League pelo Milan, campeonatos italianos por Milan e Juventus, esteve a Copa do Mundo, em 2006, com o técnico Marcelo Lippi. “Ele foi fundamental para aquela vitória na Copa do Mundo, porque desde as primeiras convocações dois anos antes, ele tinha um time em mente e nos motivou, dizendo que nós iríamos longe. Ele dizia as coisas na sua cara”, elogiou o antigo meio-campista.

Ainda muito jovem para um técnico, Pirlo tem tempo para encarar vários desafios. Se as categorias de base não seduzem o ex-jogador, não deve faltar espaço nas duas primeiras divisões do futebol italiano. Até porque lá, por mais que não tenha o nível de rotatividade dos técnicos por aqui, até por regra, gosta de uma troca de técnico. E outros da sua geração, como Alessandro Nesta, Filippo Inzaghi e Simone Inzaghi, além de Gennaro Gattuso, já trabalham em clubes do país.