Por Emmanuel do Valle, jornalista e dono do blog Flamengo Alternativo

Há exatos 40 anos o Torino cicatrizava uma profunda ferida, ao conquistar seu sétimo – e até agora último – título italiano. O triunfo se consumou após um empate em 1 a 1 com o Cesena, no velho estádio Comunale de Turim. Marcado pela tragédia aérea de Superga em 1949, que vitimou todo o seu elenco hegemônico do Calcio na alvorada do período pós-Segunda Guerra Mundial, o clube grená virava a dolorosa página, pondo fim ao luto e a um jejum de 27 anos em 16 de maio de 1976. O time dirigido por Luigi Radice prevaleceu sobre o fortíssimo elenco da arquirrival Juventus, em uma dramática rodada final da Série A, e no último momento de plena grandeza de um gigante adormecido.

Um inverno de 27 anos

A década de 1950, que se seguiu quase imediatamente ao desastre, é um decênio perdido para o clube. Em 1953, com a saída do lendário Ferruccio Novo da presidência, a qual ocupava há 14 anos, tem início um entra-e-sai de mandatários, treinadores e jogadores. Acumularam campanhas medíocres, culminando no primeiro rebaixamento para a Série B da história do Toro em 1959. A reconstrução vem lentamente. O clube abandona o velho estádio Filadelfia e passa a mandar seus jogos no Comunale. Na temporada 1961/62, o Torino chega a contar com um jovem atacante escocês chamado Denis Law, mas logo em seguida o jogador retorna ao futebol britânico, para fazer história no Manchester United.

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Em 1963, o empresário Orfeo Pianelli assume a presidência, e a partir da segunda metade dos anos 60 o Torino volta a ter um time promissor, alinhando nomes como o goleiro Lido Vieri, os defensores Fabrizio Poletti, Roberto Rosato e Giorgio Puja, o meia Giorgio Ferrini e o ponta Luigi Meroni (todos da Azzurra), além do atacante franco-argentino Nestor Combin. Mas, em outubro de 1967, outra tragédia vem se abater sobre o clube com a morte estúpida do ídolo Meroni aos 24 anos, atropelado ao atravessar a rua na saída do estádio Comunale após uma partida contra a Sampdoria.

A recuperação vem na mesma temporada, com o título da Copa da Itália num quadrangular com Milan, Inter e Bologna, conquistado ao vencer os nerazzurri por 2 a 0 no San Siro. É o primeiro troféu em quase 20 anos. Um novo processo de renovação começa, e na nova conquista da Copa da Itália em 1971 – nos pênaltis diante do Milan em jogo extra – já integram o time titular jogadores que marcariam a história do clube como o goleiro Luciano Castellini, o zagueiro Angelo Cereser, o volante Aldo Agroppi, o meia Claudio Sala e o atacante Paolino Pulici. Com estes, mais o recém-contratado zagueiro Roberto Mozzini, o Toro fica a um ponto da campeã Juventus na Série A em 1972/73 – ainda que os tifosi granata reclamem até hoje de decisões de arbitragem que tiraram pontos em jogos contra a Genoa e o Milan e que teriam custado o caneco.

luigi radiceEm fase de nítido amadurecimento, o Torino parece estar perto de voltar a entrar como favorito na briga pelo Scudetto. Mas, aparentemente, ainda não será naquela temporada 1975/76. Naquele verão, as apostas mais seguras recaem sobre a Juventus, então detentora do título, um time experiente, seguro de si, vasto em quantidade e qualidade, quase imbatível. Milan e Inter, os favoritos de sempre, embora com equipes não tão fortes quanto a da Vecchia Signora, também são cotados. Enquanto isso, o ambicioso Napoli, vice-campeão do ano anterior dirigido pelo brasileiro Luís Vinícius de Menezes, Il Lione (ex-atacante do Botafogo e de vários clubes italianos), parece ser a maior força fora do trio gigante, principalmente por dar a impressão de ressurgir ainda mais forte ao contratar o atacante Giuseppe Savoldi, do Bologna, por dois bilhões de liras (ou £1,2 milhão), novo recorde mundial de transferência mais cara.

 

O Torino, por sua vez, não pensava em Scudetto e vivia fase de transição. A começar pelo comando da equipe, com o jovem Luigi Radice, 40 anos, substituindo o veterano Edmondo Fabbri (técnico da Itália na Copa de 1966). Ex-defensor do Milan e da Azzurra, Radice havia surgido como treinador no Monza nas divisões inferiores, antes de levar o Cesena à Série A em 1973. No Toro, mostra o sistema de jogo pelo qual ficaria conhecido: o pressing. O elenco grená também tem alterações importantes – algumas traumáticas – naquele verão de 1975. O veterano capitão Giorgio Ferrini pendura as chuteiras após 16 anos defendendo o clube e passa a ocupar o cargo de assistente técnico de Radice. Outro decano da equipe, o zagueiro Angelo Cereser, sai pela porta dos fundos com destino ao Bologna, acusado de liderar uma panelinha de veteranos para derrubar Fabbri. E o volante Aldo Agroppi, que havia saído no braço com torcedores um ano antes, toma o rumo do Perugia depois de oito temporadas em Turim.

O time

Limpado o terreno, Radice começa a montar seu time. Do Bologna, destino de Cereser, vêm o líbero Vittorio Caporale e o meia-armador Eraldo Pecci. Do Monza chega o volante Patrizio Sala, 20 anos, estreante na Serie A. Os demais reforços, como o goleiro reserva Romano Cazzaniga, o lateral Fabrizio Gorine o atacante Salvatore Garritano, são trazidos para compor o elenco também seguindo a receita do clube e do treinador, de peneirar talentos brutos nas divisões inferiores para serem lapidados pelos grenás. O novo comandante também reorganiza as peças que tinha, mudando alguns jogadores de posição. Mantém, entretanto, o desenho tático no tradicional 4-3-3, mas incorporando a estratégia que havia desenvolvido, de um futebol agressivo, com defesa adiantada e marcação sufocante na saída de bola no campo do adversário. Ou, no termo consagrado, o pressing. Frio e rigoroso (apelidado “sargento de ferro” pelos comandados), mas também atento às inovações táticas recentes – especialmente do futebol holandês, de onde extraiu a movimentação incessante em campo e a linha de impedimento –, o treinador é o nome ideal para reconstruir aquele Torino pós-Fabbri.

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O time titular começa com o corajoso goleiro Castellini. Na lateral-direita, a primeira grande alteração de Radice: originalmente defensor pelo lado esquerdo, Nello Santin (ex-Milan) passa a ocupar a posição a partir da sexta rodada, depois de uma rápida passagem como líbero. Do outro lado do setor, mais um remanejamento: o volante de origem Roberto Salvadori é deslocado para a lateral canhota. Em ambos os casos, as mudanças garantem versatilidade, força no setor defensivo e qualidade na saída de jogo. Pelo meio, Caporale é o líbero que comanda o avanço da defesa para adiantar a marcação e organiza a linha de impedimento, enquanto Roberto Mozzini é um stopper seguro. O meio-campo começa com Patrizio Sala, o pulmão da equipe, jogador dinâmico e incansável na marcação e na proteção à defesa e responsável para entregar a bola o mais limpa possível para o regista Eraldo Pecci, meia-armador clássico, técnico sem deixar de ser combativo, e que chegara ao Toro com apenas 20 anos de idade. A seu lado joga o dono da camisa 10, Renato Zaccarelli, meia de estilo elegante, bom passe e chute, e de grande inteligência e utilidade tática: pode jogar como ponta de lança, atrás dos atacantes, ou mais aberto pela esquerda.

Já o ataque começa com aquele a quem imprensa e torcedores consideram o grande nome do elenco: Claudio Sala. Apelidado “O Poeta” em referência à exuberante qualidade técnica e aos dribles, fora revelado pelo Monza e, após passagem rápida pelo Napoli, aportara em Turim em 1969. Tido por vezes como inconstante e individualista pelos críticos, dará sua resposta em campo. Ao iniciar aquela que seria sua sétima temporada pelo Toro, vive duas novas experiências sob o comando de Radice: recebe a braçadeira de capitão, após a aposentadoria de Ferrini; e passa da ponta-de-lança para a ponta-direita, onde tem mais espaço para entortar defensores e servir seus companheiros de setor, uma dupla que fará história no clube e no futebol italiano.

torino 76

Trata-se de Francesco “Ciccio” Graziani e Paolino Pulici, chamado de “Puliciclone” pela torcida. O primeiro veio do pequeno Arezzo em 1973, enquanto o outro havia ascendido ao profissionalismo no próprio clube e já era mais consagrado, tendo sido artilheiro da Série A em 1973 e 1975. Graziani joga mais centralizado, enfiado na área, atraindo a marcação e abrindo espaço para as infiltrações de Pulici vindo do lado esquerdo. Fortes fisicamente e no jogo aéreo, inteligentes no posicionamento e exímios finalizadores, formam uma dupla que se entende quase por telepatia, em movimentos perfeitamente sincronizados. São “Os Gêmeos do Gol”, como os batizou a imprensa.

A campanha

Embora qualidade não falte ao elenco, o começo da campanha é um tanto hesitante, enquanto Luigi Radice ajeita as peças no tabuleiro. Na estreia, derrota de 1 a 0 para um bom time do Bologna fora de casa. Nas quatro partidas seguintes, enquanto conquista boas vitórias em casa sobre o Perugia (3 a 0, três gols de Pulici) e a Inter (2 a 1), para em empates nas visitas a Ascoli (1 a 1) e Sampdoria (0 a 0), dando razão aos argumentos do treinador de que ainda se trata de um time em construção. Na sexta rodada, porém, uma vitória convincente por 3 a 1 sobre o líder Napoli – que até ali havia somado quatro triunfos e um empate – mostra que o Toro poderia brigar por algo mais concreto.

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Em 7 de dezembro de 1975, pela oitava rodada, vem o primeiro Derby Della Mole, que segue equilibradíssimo até os 30 minutos da etapa final, quando Zaccarelli recebe de Claudio Sala na meia-lua, mata a bola no peito e passa por elevação para Graziani, que se antecipa à saída de Zoff e cabeceia para abrir o placar. Três minutos depois, vem o segundo gol, com Pulici cobrando pênalti cometido por Gentile para dar números finais ao marcador. O Toro encosta e já vê a rival a apenas um ponto de distância. Na semana seguinte, mais uma vitória respeitável confirma que os granate brigarão pelo Scudetto: 2 a 1 sobre o Milan no San Siro, graças a um gol de Graziani a quatro minutos do fim. Depois de bater Como, Fiorentina e Lazio por placares apertados, mas importantes para manter o ritmo, o Toro tropeça ao parar num 0 a 0 com o lanterna Cagliari na Sardenha, enquanto a Juve bate o Bologna em Turim e abre mais um ponto na liderança. Duas semanas depois, a Vecchia Signora confirma o título de inverno com expressivos 26 pontos em 30 disputados ao bater o Perugia, enquanto o Torino volta a empatar como visitante, desta vez diante do Cesena.

duas fileiras

A boa vitória por 3 a 1 em revanche contra o Bologna na abertura do returno é um alento para o Toro, até porque a Juve não tira o pé do acelerador. E quando o faz, logo na rodada seguinte ao empatar em casa com o vice-lanterna Como, os rivais não aproveitam, caindo derrotados diante do Perugia. Em 28 de fevereiro, quando a Juve bate o Cagliari com gol de pênalti de Damiani e o Torino perde para a Inter também pelo placar mínimo em Milão, a desilusão toma conta da torcida grená. Agora são cinco pontos atrás da líder, e o Scudetto parece perdido. Entra em cena o motivador Radice: na base da conversa franca com o elenco, ajuda a manter a coesão da equipe, que junta os cacos e volta a vencer, sem deixar a rival abrir mais pontos à frente na tabela.

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Até que vem o fim de março, e com ele os primeiros sinais de mudança de rota no campeonato. Na 22ª rodada, o Torino vence a Roma por 1 a 0, enquanto a Juventus perde de virada em sua visita ao Cesena. Tropeço na pior das horas para os bianconeri, já que na semana seguinte viria o dérbi do returno. Em 28 de março, os rivais voltam a se enfrentar no Comunale. Bufando, o Toro já abre o placar aos dois minutos, quando Patrizio Sala apanha uma rebatida da defesa juventina e chuta forte para o gol, contando com o desvio em Cuccureddu para matar Zoff. No último minuto da etapa inicial, a vantagem é ampliada graças a uma cabeçada de Graziani, novamente resvalada em um adversário (desta vez, Damiani). No intervalo, enquanto os jogadores se dirigem ao túnel, o goleiro Castellini é atingido por um rojão vindo da torcida da Juventus e não tem condições de voltar para a partida. Com o reserva Cazzaniga em seu lugar, o Toro sofre o gol de desconto por meio de Bettega, mas sai vitorioso de campo e também dos tribunais: a Federação o declara vencedor “a tavolino” do jogo pelo placar de 2 a 0.

A um ponto da líder e esbanjando moral, o Torino entra de vez na briga pelo Scudetto, ainda que Radice prefira a discrição: “Aqui, não falamos esta palavra”. Mas será inevitável: a rodada seguinte, de 4 de abril, marca os confrontos Milão-Turim, com o Toro recebendo o Milan e a Juve visitando a Inter. No Comunale, os grenás abrem o placar com Graziani ainda no primeiro tempo, mas o momento decisivo da rodada e do campeonato virá aos 35 minutos da etapa final. Em Turim, o reserva Garritano acerta belo chute de primeira para ampliar a vantagem do Torino. E no San Siro, Bertini bate falta sofrida por Sandro Mazzola (filho de Valentino, ídolo grená falecido em Superga) e faz o gol da vitória dos nerazzurri. Pela primeira vez na temporada, o Torino chega ao topo da tabela. Agora a perseguição é invertida: a Vecchia Signora seguirá no encalço do rival.

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Na 26ª rodada, o Torino folga mais um ponto na liderança depois de vencer a Fiorentina por 4 a 3 (com nova tripleta de Pulici), enquanto a Juve volta de Nápoles apenas com um empate. Entretanto, a diferença volta a ser de um ponto justamente após a penúltima rodada, quando os grenás não saem do 0 a 0 contra o ameaçado Verona fora de casa. Fica tudo para a última hora: em 16 de maio de 1976, o Torino recebe o Cesena, sensação do campeonato, sétimo na tabela, e que não perdeu nenhum jogo para os ponteiros de Turim. A Juventus, por sua vez, também não tem tarefa fácil: viaja para enfrentar o Perugia, estreante na Serie A e que também faz campanha quase tão espetacular quanto os cesenati.

gol pulici cesena

Naquele dia, a cidade de Turim amanhece completamente granata, já que seria o Torino quem decidiria o título em casa e em situação privilegiada para conquistá-lo. Mas o jogo contra o Cesena se revela muito mais tenso do que se imaginava, com um 0 a 0 persistente até o início da etapa final. Quando o cronômetro marca dez minutos do segundo tempo, a torcida finalmente explode com a notícia do gol de Renato Curi abrindo o placar em Perugia a favor dos donos da casa. Seis minutos depois, explode mais ainda quando Graziani cruza da esquerda e Pulici, num peixinho eternizado em fotografia, antecipa-se à defesa e marca o gol grená, abrindo inalcançáveis três pontos da Juve. Fim do drama? Nem pensar. Dez minutos depois, o meia Frustaluppi, do Cesena, alça uma bola despretensiosa para a área do Torino. Mozzini, sem ser pressionado, mete a cabeça para cortar para escanteio, mas o toque pega outra direção e morre no fundo das redes de Castellini, num gol contra que faz a torcida gelar e Radice se desesperar no banco.

São quase 20 minutos de agonia até o apito final em Perugia e no Comunale. Mesmo deixando de ganhar em casa pela primeira e única vez na temporada, desperdiçando a chance de estabelecer uma marca histórica, o Torino é consagrado campeão italiano, pondo fim ao jejum de 27 anos e deixando para trás o luto eterno por Superga. É, enfim e de novo, o dono do Scudetto. Enquanto os torcedores tiram o nó da garganta nas arquibancadas do estádio lotado, dirigentes, jornalistas, jogadores, comissão técnica e até um grupo de paraquedistas invadem o gramado, alguns ainda tensos sem saber do desenrolar da partida de fundo, mas por fim eufóricos. Chorando copiosamente, o goleiro Castellini recebe um carinhoso abraço do habitualmente frio Luigi Radice, antes da volta olímpica iniciada pela curva Maratona, tradicional local onde se concentrava a torcida do Toro no estádio.

Depois do Scudetto

É um título incontestável: 18 vitórias, 9 empates e apenas três derrotas. Nos 15 jogos em casa, 14 vitórias e um empate. Melhor ataque e melhor defesa da competição. Pulici sagra-se mais uma vez o artilheiro (21 gols), com Graziani vindo logo atrás (com 15, ao lado de Bettega, da Juventus). Para a temporada seguinte, na qual disputa a Copa dos Campeões pela primeira e única vez em sua história, a equipe se reforça apenas com o bom lateral Danova, do Cesena. Elimina o Malmö na primeira fase, mas cai nas oitavas diante do forte Borussia Mönchengladbach de Berti Vogts, Uli Stielike, Jupp Heynckes e Allan Simonsen. Em 8 de novembro ainda naquele ano de 1976, o clube sofre mais um baque com a morte de Giorgio Ferrini, ex-ídolo e então auxiliar de Radice, vitimado aos 37 anos por um derrame cerebral.

torino - volta olímpica 1976

A temporada do Calcio 1976/77 assistirá mais uma vez a uma briga cabeça-a-cabeça entre os rivais de Turim. O Torino termina sua campanha com apenas uma derrota e impressionantes 50 pontos – cinco a mais que na temporada anterior – mas perde o Scudetto por um ponto para uma Juventus ainda mais impressionante. E em 1977/78, novamente a dupla permanece nas primeiras posições (agora com o Toro dividindo o segundo posto com o surpreendente Lanerossi Vicenza, comandado por um jovem centroavante chamado Paolo Rossi). Não à toa, Juventus e Torino formam a base da seleção italiana que faz grande papel na Copa do Mundo da Argentina: são nove bianconeri e seis granate – todos os jogadores do Toro do meio-campo para frente – entre os 22 convocados por Enzo Bearzot, ele próprio um ex-atleta do Torino.

Aos poucos, porém, a equipe vai envelhecendo e se reformulando. Sem ter como repor satisfatoriamente o elenco, o clube torna a ocupar posições intermediárias na tabela. Ainda chega a brigar pelo título em 1985, num novo time comandado pelo brasileiro Junior, em que apenas Zaccarelli (agora jogando mais recuado) é remanescente do Scudetto de nove anos antes, mas o troféu fica com o Verona. Há ainda uma breve ressurreição no início dos anos 90, quando o Toro volta a fazer sucessivas boas campanhas, vence mais uma Copa da Itália e decide a Copa da Uefa em 1992 contra o Ajax. Mas logo virá uma crise ainda mais profunda que o impede de se sustentar na elite, e da qual o clube nunca mais se recuperaria.