Neymar acusou Álvaro González, do Olympique Marseille, de ofensas racistas durante a derrota do Paris Saint-Germain, por 1 a 0, no Le Classique, neste domingo, que terminou com cinco expulsões, inclusive a do brasileiro, por um tapa na cabeça do zagueiro espanhol.

Ainda no primeiro tempo, González pediu que o árbitro Jérôme Brisard utilizasse o assistente de vídeo para punir uma suposta cusparada de Angel Di María. O oficial para o jogo e se dirige à linha lateral. Neymar e o argentino se aproximam, junto com González, dizendo “racismo não”, “racismo não”. González se afasta negando que havia sido racista, e Neymar insiste dizendo “racismo não” mais algumas vezes.

Florian Thauvin, aos 31 minutos do primeiro tempo, completou cobrança de falta de Dimitri Payet para fazer o único gol da partida. Aos 50 da etapa final, as câmeras mostraram Neymar dando dois tapinhas na cabeça de Álvaro González, sem violência, mais provocativos. Os dois trocaram algumas palavras enquanto Steve Mandanda cobrava o tiro de meta. Para tentar receber o chute do goleiro, Darío Benedetto fez falta em Leandro Paredes. Paredes revidou, e a confusão começou.

Lavying Kurzawa tentou afastar González, que caiu no chão se debatendo como se tivesse levado uma marretada na cabeça. Um segundo entrevero começou entre Kurzawa e Jordan Amavi. Brisard mostrou cartão vermelho para Benedetto, Paredes, Kurzawa e Amavi. E, então, alertado pelo assistente de vídeo, foi ao monitor checar um outro tapa de Neymar em González, pouco antes da queda do uruguaio ao gramado. Retornou a campo e mostrou o vermelho também ao craque brasileiro.

Saindo de campo, Neymar parou para repetir ao quarto árbitro as acusações de racismo.

Depois da partida, Neymar se manifestou pelo Twitter. “VAR pegar minha ‘agressão’ é mole. Agora, quero ver pegar a imagem do racista me chamando de ‘MONO HIJO DE PUTA’ (macaco filha da puta). Isso eu quero ver. E aí? Carretilha você me pune. Cascudo, sou expulso. E eles? E aí?”, escreveu. “Único arrependimento que tenho é por não ter dado na cara desse babaca”.

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Após a partida, o treinador do PSG, Thomas Tuchel, disse que Neymar lhe havia dito que tinha sido xingado com ofensas raciais. “Não ouvi nada em campo. Racismo, em nossas vidas, em todas as áreas, no esporte, não deveria existir”, disse. O técnico adversário, André Villas-Boas, afirmou que seria um erro grave “se tivesse acontecido”, porque não acha que aconteceu, mas tem certeza da cusparada de Di María. “São coisas que deveriam ser evitadas no mundo do futebol”, acrescentou.

Foi o primeiro jogo de Neymar na nova temporada. Ficou fora da estreia do PSG por ter contraído coronavírus. O atual campeão francês perdeu as duas primeiras rodadas e sofreu apenas sua terceira derrota em casa pela liga desde março de 2016.

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