Negócio mais caro da história do Watford, Sarr é uma nova promessa a se observar na Premier League

Já faz um tempo que Ismaïla Sarr pintava como uma grande promessa do futebol francês. O senegalês, descoberto pela academia Génération Foot (a mesma que levou Sadio Mané à Europa), foi tratado como um fenômeno quando estourou pelo Metz e passou a ser cortejado por grandes clubes do continente, inclusive o Barcelona. Preferiu uma evolução gradual, ao escolher o Rennes. E mesmo sem ascender como Ousmane Dembélé, de quem se tornou substituto, o jovem de 21 anos vive um planejamento de carreira interessante. Após dois anos com os rubro-negros, irá se mudar à Inglaterra. Vai disputar a Premier League, virando a contratação mais cara da história do Watford.

Sarr pode não ter causado o impacto que alguns imaginavam com a camisa do Rennes, mas nem de longe dá para dizer que sua passagem pelo clube foi ruim. Em 59 partidas pela Ligue 1, o ponta assinalou 13 gols e serviu 12 assistências. Evoluiu em relação ao que fazia no Metz, tornando-se um dos principais jogadores da equipe. Além do mais, virou nome recorrente na seleção de Senegal. Disputou a Copa do Mundo de 2018 como titular e fez uma boa Copa Africana de Nações. Seguiu bem cotado.

Sarr tem a vantagem de unir um bom porte físico com qualidade na criação. É um jogador que, ao partir para cima das defesas em velocidade, consegue gerar um bom número de ocasiões – seja para finalizar ou para oferecer o passe aos companheiros. Além da Ligue 1, provou-se com sucesso na Liga Europa, ao eliminar o Betis e dar trabalho contra o Arsenal. Em sua curva crescente, o Watford aparece como um novo desafio, ao integrar uma liga mais competitiva. É um tipo de jogador que se casa com a ideia do clube e pode ajudar bastante os Hornets.

Os €30 milhões pagos pelo Watford indicam a valorização de Sarr, após custar €17 milhões ao Rennes há dois anos. É um investimento considerável, mas que possui diferentes valias. Além do talento em si, o senegalês pode atuar em diferentes funções no ataque, sobretudo nas duas pontas. E também traz a perspectiva de que os ingleses possam recuperar o dinheiro em breve, levando em conta a sua idade. De certa maneira, é um movimento que se assemelha ao feito com Richarlison – mas com mais riscos, diante do preço inicial.

Sarr acaba se tornando o único reforço caro em um mercado no qual o Watford privilegiou a manutenção. Além de outros jovens com menos rodagem, os únicos nomes mais tarimbados são do zagueiro Craig Dawson e do atacante Danny Welbeck. Nada que pareça melhorar os Hornets tanto assim, apesar da badalação ao redor do antigo atacante do Arsenal, em busca de um ambiente realmente condizente com seu nível. De qualquer maneira, a principal história para se observar será mesmo a do senegalês. A ver como continuará sua progressão, interessada em galgar degrau a degrau rumo ao reconhecimento.