Alexis Sánchez parecia perto de estar acabado depois de uma temporada e meia de fracasso no Manchester United. Sem espaço no clube, foi emprestado para aliviar a folha de salário, mas acabou recuperando, na Internazionale, parte do prestígio que havia sido dizimado na Inglaterra. Como recompensa a um primeiro ano bem-sucedido, o chileno agora assina por três temporadas com a Inter, podendo deixar para trás o pior episódio de sua trajetória e, melhor, ganhando a chance de escrever um último capítulo positivo em sua aventura europeia.

A Internazionale anunciou nesta quinta-feira (6) a contratação em definitivo de Sánchez. O negócio parece ter sido uma boa a todas as partes envolvidas. O chileno ganha mais tempo em um lugar em que começava a dar frutos, os italianos conseguem um jogador sem custos (United liberou o atleta de graça para a Inter), e os ingleses tiram um peso significativo de sua folha salarial, ainda que tendo que pagar entre £ 5 milhões e £ 10 milhões ao chileno no acordo. O ex-camisa 7 tinha cerca de £ 40 milhões a receber pelo restante de seu contrato com o time de Manchester, sendo o jogador de maior salário semanal nos Red Devils: cerca de £ 500 mil.

Sánchez teve talvez menos tempo em campo do que gostaria na temporada 2019/20, desfalcando a Inter durante cerca de três meses devido a uma lesão, entre outubro de 2019 e janeiro de 2020. Ainda assim, quando esteve no gramado, fez valer sua passagem, especialmente no reinício da Serie A, após a parada devido à pandemia do Coronavírus.

O chileno participou de apenas 22 jogos da Inter na Serie A, sendo apenas dez desses como titular. Ainda assim, foi o jogador que mais deu assistências na equipe, com oito. Somando os minutos no Campeonato Italiano, foram 918 em campo, com envolvimento direto em 12 gols (marcou quatro, além dos oito em que foi assistente).

Neste período na Inter, Sánchez chegou a atuar atrás dos dois atacantes, Lukaku e Lautaro Martínez, e pelas pontas. Entretanto, foi mais influente quando jogou como um dos atacantes, em dupla seja com Lukaku seja com Martínez. Pouco usado desta maneira tanto por Mourinho quanto por Solskjaer no United, o chileno demonstrou novamente que pode fazer a diferença em uma equipe de topo de tabela.

Sánchez chegou ao United em janeiro de 2018 com muitas expectativas. Não era por menos, já que, durante anos, havia sido um dos melhores jogadores da Premier League, atuando pelo Arsenal. Com Mourinho, a coisa não deu certo. Inicialmente você poderia ver a faísca de diferença que ele trazia, mas logo o marasmo de todo o elenco o contagiou.

Já com Solskjaer, a partir de dezembro de 2018, não chegou a ter uma sequência de jogos, prejudicado por lesões. Nos treinamentos, não demonstrou capacidade de se encaixar na ideia de jogo e no projeto que o norueguês buscava implementar.

Por mais que seja lembrado como uma contratação que fracassou, é justo ressaltar que o chileno teve seus momentos positivos, ainda que escassos e espaçados. A torcida do Manchester United sempre será grata sobretudo pela atuação de alto nível contra o rival City em abril de 2018. Junto de Pogba, o camisa 7 liderou a virada de 2 a 0 para a 3 a 2, no Etihad, retardando o título dos rivais, que tinham camisetas prontas com os dizeres: “Conseguimos (o título) no dia do dérbi”.

Alguém como Alexis Sánchez não desaprende a jogar futebol da noite para o dia, mas o seu declínio havia sido tão profundo que, para muita gente, o chileno já era visto como alguém cuja bola havia ficado para trás. Embora não tenha repetido pela Inter o futebol que mostrou no Arsenal, o atacante alcançou nível suficiente para indicar que tem ainda o que contribuir para uma equipe de alto escalão no futebol europeu.

Aos 31 anos, a quatro meses de chegar aos 32, Sánchez dificilmente encontrará o mesmo patamar de seus melhores anos de Arsenal. Entretanto, com um QI de futebol elevado, uma técnica aguda e o desejo de recuperar o tempo perdido, pode ser peça importante em um momento de transição para a Inter, que busca voltar à disputa constante por títulos. Sánchez conquistou no campo, ao longo do último ano, a chance de fazer parte deste projeto ambicioso.