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Tanto quanto o time, a torcida também fez a diferença no Maracanã

A seleção brasileira teve uma atuação impressionante na decisão da Copa das Confederações. A torcida presente no Maracanã, entretanto, precisa ser tão exaltada quanto a equipe que conquistou a vitória dentro de campo. A atuação excelente foi possibilitada pelo esforço dos jogadores, mas também empurrada pelos 70 mil nas arquibancadas.

A continuação do hino nacional, como nas outras quatro partidas do torneio, foi a primeira prova da empolgação. E o gol de Fred logo no primeiro minuto da partida, obviamente, foi essencial para incendiar a torcida. Enquanto a seleção brasileira fazia um trabalho incrível de marcação, os torcedores ajudavam nessa intimidação. Além das vaias já tradicionais na passagem da Roja nesta Copa das Confederações, os gritos de “o campeão voltou” e de “pentacampeão” também cresciam durante o tiki-taka.

De maneira justa, os nomes dos protagonistas eram exaltados a cada lance importante. David Luiz foi ovacionado depois do carrinho que salvou o gol de Pedro, que empataria a partida. Da mesma forma, Júlio César teve seu nome entoado antes da cobrança de pênalti perdida por Sergio Ramos. Destaques individuais, Neymar e Fred também foram devidamente aclamados pela torcida.

E no segundo tempo, quando Fred definiu a vitória com o terceiro gol, o caminho ficou aberto à galhofa. Dos gritos de “olé” durante os passes do Brasil ao inventivo “quer jogar, quer jogar, o Brasil vai te ensinar”, a provocação ficou evidente. Nos minutos finais, o tom foi dado pelo “está chegando a hora”, antes de sair de vez o “é campeão”. No fim, faltou apenas “As Touradas de Madri”, a marchinha cantada no mesmo Maracanã durante a goleada sobre a Espanha na Copa de 1950.

A torcida carioca, que nos últimos tempos ficou mais marcada pelas vaias à seleção do que aos gritos, foi vibrante durante os 90 minutos. Manteve uma postura que, aliás, foi praxe durante quase toda a competição – e que, de certa forma, foi influenciada pelo clima de manifestação no país que se instaurou no país, ainda que o público dos estádios, em suma, seja bastante diferente da massa que foi às ruas. Logicamente, ter uma equipe competitiva é o principal fator para conquistar a Copa do Mundo em 2014. Mas a final deste domingo mostrou que o apoio das arquibancadas também pode fazer uma diferença gritante.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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