Copa do MundoFiscalize Catar 2022Mundo

Só agora a Fifa exigirá que candidatos a sediar a Copa respeitem os direitos humanos

Confrontada pelas pesadas críticas por causa da escolha de Rússia e Catar como próximas sedes da Copa do Mundo e abalada pelas denúncias de corrupção e prisões de dirigentes, a Fifa implementará mudanças em suas regras de candidaturas à Copa do Mundo. Pouco foi revelado por enquanto, mas, segundo o jornal inglês Guardian, uma das alterações será a inclusão da exigência do respeito aos direitos humanos e trabalhistas de acordo com os padrões das Nações Unidas.

VEJA TAMBÉM: Presidentes da França e da Alemanha ajudaram Catar a ser sede da Copa, diz Blatter

É verdade que, diante da situação dos trabalhadores estrangeiros nas obras de infraestrutura para a Copa no Catar, parece um pouco tarde para que tal medida seja tomada. As alterações no regulamento de candidatura também não mudam imediatamente o panorama da organização do Mundial de 2022, que ainda corre risco de não acontecer onde foi planejado, mais por causa das investigações conduzidas atualmente pelo FBI em busca de evidências de corrupção do que pela violação dos direitos humanos evidenciada pelos números assustadores de mortes de operários.  A implementação de tal exigência, no entanto, não pode deixar de ser vista como uma vitória, por menor que seja perto do que já deveria ter sido feito.

Aos olhos da Fifa, a maior mudança no regulamento está na tentativa da entidade de inibir subornos durante as candidaturas. Está excluída da lista de exigências a apresentação de propostas de criação de centros de desenvolvimento do futebol em países do exterior, já que o processo pode ser um convite a esquemas de corrupção, com a compra de votos em troca da construção de instalações em determinados países. Uma resposta necessária da instituição diante de todas as críticas pesadas e denúncias que recebeu pela escolha da Rússia e do Catar como sedes.

O histórico do Catar já nos permitia prever que a violação de direitos humanos seria um problema na preparação para o Mundial, mas o dinheiro contou mais para a Fifa na escolha da sede de 2022. Os esquemas de corrupção, desnecessário dizer, também eram questão antiga, e tudo isso faz essas medidas parecerem apenas o único cenário possível para uma entidade contrariada e forçada a mudar de alguma maneira.

VEJA TUDO O QUE PUBLICAMOS SOBRE O FIFAGATE

Mostrar mais

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo