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O bilhete único virou visto para o Japão

Lembro bem do primeiro título que vi o Corinthians ganhar, o Paulistão de 1988. Gol do inesquecível Viola. Eram anos difíceis para um torcedor garoto que começava a entender e aprender o que era o futebol – e as provocações adversárias. Afinal, até o fim dos anos 1980, o alvinegro não passava de um forte time estadual, aspirante a tantas conquistas que viriam depois. A piada é pronta e velha. Corintiano “maloqueiro”, “não conhece nada além da Marginal Tietê”, “só anda de busão”.

Nos últimos anos, o time entrou de vez para o seleto grupo dos times que disputam os torneios continentais. Ainda assim, perdurava a chacota de que ir longe pra ver o Corinthians era, no máximo, pegar a estrada para Presidente Prudente – e ver Ronaldo calar o grande rival Palmeiras. Quase 600 km de distância de São Paulo. Ou até o Rio, ver o primeiro título mundial da história do clube – até esse, tão verdadeiro e tão contestado, avacalhado, menosprezado.

Em 2012, o corintiano conquistou de uma vez por todas seu passaporte. Fosse para ir até a Argentina ou… Para o Japão. Dessa vez, a baldeação mudou dos vagões para aviões. Este louco aqui, por exemplo; começou sua saga no último sábado, embarcando para Madri, na Espanha. Acostumar o corpo e a cabeça com o tal fuso. Dali para uma paradinha em Moscou, capital russa, e, finalmente, chegando em Tóquio, na terça de manhã. E, dali, mais algumas horas de trem, um velho conhecido, até Nagoia, ponto de encontro de mais de 30 mil “maloqueiros” que deixaram o bilhete único e foram atrás de visto, passagem e casa de câmbio para ver a estreia no Mundial.

A quilometragem aumentou. A rodoviária e a plataforma do metrô ficaram pequenas para a “favela”. Vamos ver o que a terra do sol nascente reserva para nós. Afinal, corintiano que é corintiano não desiste de torcer de perto. Mesmo que a viagem pro outro lado do mundo tenha sido definida aos 40 do segundo tempo – como o gol do iluminado Romarinho na Bombonera. Banzai, Corinthians!

Celso Forster é colaborador da F451 e um dos milhões de loucos do bando. Resolveu, de última hora, acompanhar o time do outro lado do mundo e vai compartilhar na Trivela como é a experiência de viajar para ver o time a tantos quilômetros de casa. 

No Japão, torcida do Corinthians acompanha o time como pode (Foto: AFP PHOTO / TOSHIFUMI KITAMURA)

 

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