ÁfricaBrasilMundial de ClubesMundo

Domínio do Al Ahly no 2º tempo foi maior que o do Corinthians no 1º

As estreias dos clubes brasileiros no Mundial de Clubes nunca foram tranquilas. Em 2005 e 2006, São Paulo e Internacional precisaram de gols no fim para garantir a vaga na decisão. Em 2010, o Inter sequer conseguiu superar o Mazembe. No ano passado, o Santos tomou sufoco no segundo tempo. E o Corinthians não fugiu dessa máxima. Embora indicassem uma classificação sem sobressaltos nos 45 minutos iniciais, os alvinegros precisaram suar para terem o direito de buscar o bicampeonato mundial.

O primeiro tempo foi de total controle do Corinthians. Os alvinegros não tinham pressa ao ditarem o ritmo do jogo. Com 63% de posse de bola, os brasileiros somaram 307 passes certos em 45 minutos, em aproveitamento de 92,7% – 1,5 vezes a mais que o total efetuado pelo Al Ahly. Já quando perdiam a bola, os corintianos tinham urgência para retomá-la. Pressionando a saída de jogo dos egípcios,  a equipe de Tite foi praticamente perfeita nos desarmes, roubando 14 bolas em 16 tentativas.

O domínio do Corinthians também era proporcionado pela postura tática do Al Ahly. Ao contrário do 4-1-4-1 utilizado na maior parte do tempo contra o Sanfrecce Hiroshima, os Diabos Vermelhos preferiram se resguardar no 4-4-2. As duas linhas de marcação bem definidas afastavam o Corinthians de sua área. Não à toa, Chicão foi o maior passador no período, com 51 toques. Os brasileiros tiveram apenas 17% de posse de bola no terço ofensivo do campo e só finalizaram duas vezes – uma delas no gol, a cabeçada de Guerrero, aproveitando reconhecida fragilidade do Al Ahly no jogo aéreo.

Na volta do intervalo, o técnico Hossam El Badry não realizou alterações imediatas no Al Ahly. Porém, o jogo mudou completamente diante da nova postura dos egípcios. Assim como tinha sido nas duas partidas da decisão da Liga dos Campeões da África, a equipe passou a sufocar no ataque. Geralmente, oito jogadores tinham liberdade para atacar, com a dupla de zagueiros presa na linha de meio-campo esperando possíveis contragolpes.

Finalizações no segundo tempo: em azul, as do Corinthians

O domínio do Al Ahly no segundo tempo foi maior que o do Corinthians no primeiro. Foram 264 passes certos dados pelos africanos na metade final da partida, 2,5 vezes mais do que os 103 dos corintianos no mesmo período – que despencaram seu aproveitamento no fundamento para 80%, errando demais na saída de bola. Ainda considerando apenas a etapa complementar, a equipe de El Badry também finalizou (seis contra três) e cruzou (18 contra 5) bem mais que os alvinegros.

No total dos 90 minutos, o Al Ahly permaneceu 27,5% do tempo no terço ofensivo, contra 18,7% do Corinthians. Uma das razões para essa evolução dos Diabos Vermelhos foi a entrada de Aboutrika, que passou a coordenar as ações no meio de campo com maestria. Foi em um lançamento dele que Fathy saiu na cara do gol e perdeu a melhor chance de seu time.

Ao Corinthians, restou comprovar alguns pontos fortes do trabalho feito por Tite, ainda que sem a eficiência de outras ocasiões. O empenho na marcação deu resultado. Tirando o chute de Fathy, as outras tentativas do Al Ahly foram de fora da área – e, falta de mérito dos africanos, todos sem direção. Além disso, os alvinegros foram soberanos nas bolas altas, sobretudo com Cássio, ganhando 16 dos 18 cruzamentos dos egípcios. Só restou ao Corinthians aproveitar melhor os contra-ataques, principalmente os espaços pelas laterais dados pelos adversários, que poderiam tornar a classificação bem mais tranquila.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo