Ainda de olho na eleição presidencial da Fifa, em fevereiro de 2016, Michel Platini sofreu sua primeira derrota na tentativa de retornar às suas funções como presidente da Uefa. O francês teve seu primeiro recurso contra a suspensão provisória de 90 dias rejeitado pelo CAS (Corte Arbitral do Esporte) e terá que se manter distante de atividades relacionadas ao futebol.
Isso significa que, por exemplo o ícone da seleção francesa campeã da Eurocopa de 1984 não poderá participar do sorteio deste sábado que definirá os grupos da edição do próximo ano da competição, que acontecerá justamente na França. Uma derrota, além de tudo, simbólica, já que justamente um dos maiores ídolos da história da seleção do país não poderá atender ao evento da entidade que preside, em seu próprio país de origem. Sem falar na perda de oportunidade de angariar apoio a uma possível candidatura. Cada vez mais, Gianni Infantino, seu substituto, ganha força.
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Apesar de ver a decisão do CAS dificultar seus planos de suceder Joseph Blatter na presidência da Fifa, Platini espera a decisão do Comitê de Ética, na próxima semana, para saber se poderá voltar à corrida presidencial, assumindo o lugar hoje ocupado por Infantino entre os candidatos. Segundo a Reuters, o encontro do órgão da entidade máxima do futebol pode tanto acabar com o fim da suspensão provisória quanto culminar em uma punição “por vários anos” a ele e a Blatter.
Apesar da derrota nesta sexta-feira e da confirmação de que não poderá participar do sorteio dos grupos da Euro, Platini pôde comemorar o fato de que o CAS, principal instância da Justiça Desportiva, tenha ordenado que a Fifa não prolongue sua suspensão. O advogado do presidente afastado da Uefa está bastante confiante e fala como se fosse certeza que, em breve, o francês poderá retomar suas atividades.
“Michel Platini nota, com satisfação, que o CAS atendeu parcialmente a seu pedido, quando exigiu que a Fifa não estenda seu banimento. Em substância, ele está confiante de que seu caso é sólido”, afirmou Thibaud d’Alès, em declaração publicada pelo Guardian. O caso a que se refere o advogado de Platini é o documento apresentado na semana passada que mostra que, em 1998, já estava previsto o pagamento da Fifa ao dirigente por serviços prestados posteriormente, entre 1999 e 2002. Platini recebeu o pagamento, de € 2 milhões, apenas em 2011, perto das eleições de que participaria mas das quais desistiu para apoiar Blatter. “A ideia é que tudo esteja acabado antes de 26 de janeiro, data teto para validar as candidaturas às eleições da Fifa de 26 de fevereiro”, acrescentou Thomas Clay, parte da equipe de defesa de Platini.
Se não conseguir voltar a tempo para as eleições, Platini verá Gianni Infantino como candidato apoiado pela Uefa. Por ter trabalhado muitos anos com o ídolo da seleção francesa, o secretário-geral da entidade já afirmou compartilhar vários pontos com o presidente afastado e disse esperar que o francês concordes com suas visões. Apesar de a figura de Infantino ser politicamente muito parecida com a de Platini, individualmente, para o presidente da Uefa, ver-se obrigado a se afastar do esporte e potencialmente perder a oportunidade de ser o homem mais poderoso do futebol mundial deve doer, após todo o tempo que tem dedicado à sua carreira política.



