“Desqualificam a Nigéria do Mundial Sub-17, o México se torna campeão”. Tudo não passava de uma brincadeira do site El Deforma, mas fez muita gente cair na lorota. Segundo a página mexicana, quatro jogadores nigerianos eram maiores de 17 anos, algo desconfiado depois que um dos gols da final foi comemorado ‘a la Bebeto’. A repercussão da notícia por alguns veículos sem apuração é um belo exemplo para o jornalismo. Porém, também um bom gancho para a discussão mais ampla da questão.
Se tantos acreditaram na notícia falsa, é porque sua verossimilhança é enorme. A superioridade física dos nigerianos era evidente e, não à toa, eles passaram por cima da maioria dos adversários sem piedade. Alguns derrotados, como uruguaios e iranianos, fizeram acusações duras contra as Super Águias. A partir do que se via em campo, era só juntar as pontas com os casos recentes de falsidade ideológica nas competições de base da Fifa.
No Mundial Sub-17 de 2009, os próprios nigerianos mudaram boa parte de seu elenco às vésperas do torneio por descobrirem 15 ‘gatos’. O mesmo aconteceu neste ano, quando três jogadores foram pegos depois do Campeonato Africano Sub-17. Além disso, testes retroativos mostraram que 35% dos jogadores presentes nos Mundiais da categoria entre 2003 e 2007 já tinham estourado o limite de idade.
Desde 2009, a Fifa introduziu exames de ressonância magnética para tentar comprovar a idade dos atletas em suas competições. A medida já flagrou adulterações e tem sua eficácia, mas não garante certeza plena. Segundo médicos, os testes funcionam em 99% dos casos para pessoas até 17 anos, dando brechas ao erro a partir de então. Justamente a idade que importa à Fifa.
Neste Mundial Sub-17, a entidade realizou testes de surpresa com alguns jogadores. É um começo, mas pouco. Com os milhões que lucra, a Fifa poderia investir mais pesado na questão, examinando todos os jogadores e investigando as documentações dos mais suspeitos – hoje, as datas de nascimento presentes nos passaportes são suficientes para a federação. Se não for assim, o desprestígio dessas competições continuará alto. Especialmente quando jogadores que destoam na base não vingarem contra adversários “da mesma idade”.



