Força do Brasil deve muito à qualidade de seus volantes
Dizer que a seleção brasileira prima pela qualidade de seus atacantes é lugar-comum. E, convenhamos, por mais que os homens de frente da equipe venham fazendo seu papel com Luiz Felipe Scolari e que Neymar seja o astro do time, não é no setor que o elenco está mais bem servido. Tendo reservas tão bons quanto os titulares, o Brasil conta com uma das melhores cabeças de área do mundo na atualidade. E Felipão pôde demonstrar toda a qualidade que tem em mãos na vitória por 2 a 0 sobre a Coreia do Sul.
A escalação da Seleção no amistoso manteve o time-base que conquistou a Copa das Confederações. Lesionados, Júlio César e Thiago Silva eram os únicos ausentes, substituídos por Jefferson e Dante. Enquanto isso, à frente da zaga, Luiz Gustavo e Paulinho combinavam a parceria que tanto deu certo nos últimos meses, equilibrando imposição física na marcação e potência na saída de jogo. Em um primeiro tempo sem tantas emoções, o Brasil manteve-se protegido e saiu em vantagem no fim do primeiro tempo, com um belo gol de falta de Neymar.
Logo no início do segundo tempo, Oscar deu tranquilidade à equipe ao ampliar a diferença no placar. Um gol construído com o trabalho dos volantes, em que Luiz Gustavo iniciou a jogada e Paulinho deu excelente passe para Oscar estufar as redes. Com a vantagem estabelecida, Felipão pôde testar as variações que os seus meio-campistas permitem. Talvez não seja um grupo de cabeças de área com tanta técnica quanto os alemães e espanhóis, mas a eficiência tem sido inegável.
Ramires entrou no lugar de Hulk, reforçando a marcação pela direita e dando liberdade às constantes (e incontroláveis) subidas de Daniel Alves. Hernanes, um volante que se acostumou com a meia na Lazio, passou a fazer a função de Paulinho na armação das jogadas. E Lucas Leiva, enfim ganhando sua primeira chance com Felipão, substituiu Luiz Gustavo para mostrar que também pode ser este jogador que dá segurança na proteção e cadência na saída de jogo.
Além do quinteto utilizado neste sábado, o Brasil ainda tem um bom número de opções. Fernando vinha ganhando chances e é um nome para o futuro. Sandro está voltando de lesão e, quando retomar seu espaço no Tottenham, também merece ser observado. E se o trabalho feito pelos volantes é tão bom, também tem méritos de Thiago Silva, Dante e David Luiz, zagueiros que saem jogando como cabeças de área, assim como do empenho de Oscar, Hulk e Neymar na marcação da saída de bola adversária.
Em abril, Felipão causou polêmica ao declarar que “essa história de volante goleador é muito bonita para a imprensa, mas não para o técnico”. Os gols dos cabeças de área podem não ser tão frequentes quanto se esperava, mas suas atuações estão longe de repercutir o extremismo do treinador na frase. Se o Brasil joga tão bem e bonito, deve muito ao trabalho e também ao talento de seus volantes, fundamentais em uma equipe estruturada.
Destaque do jogo
Neymar. Outra vez, as melhores jogadas ofensivas do Brasil estiveram concentradas no camisa 10. O atacante não criou tanto, mas chamou a responsabilidade e foi perseguido pelos defensores sul-coreanos. Acabou premiado com o primeiro gol.
Momento chave
O gol de Oscar. Em um jogo que não valia muito para a seleção brasileira, o segundo tento foi o suficiente para acabar com a pressão pela vitória. Depois disso, Felipão esteve livre para realizar testes na equipe, seu principal intuito na partida.
Os gols
44’/1T – GOL DO BRASIL! Falta na entrada da área. Neymar cobra com perfeição, rente à trave. O goleiro Sung-Ryong ainda toca na bola, mas não consegue evitar o gol.
4’/2T – GOL DO BRASIL! Excelente enfiada de bola de Paulinho. Oscar domina com liberdade, mesmo cercado por sul-coreanos. O camisa 11 dribla o goleiro e toca para as redes vazias.
Curiosidade
Hong Myung-Bo esteve presente nos últimos cinco jogos entre Brasil e Coreia do Sul. Foi zagueiro titular dos asiáticos nas quatro primeiras ocasiões e, agora, foi o técnico do time na derrota em Seul.






