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Depois de tanta confusão, a Fifa ainda considera organizar torneio no Brasil. Por quê?

Se há uma coisa que Jérôme Valcke aprendeu a fazer após esses anos trabalhando na organização da Copa do Mundo de 2014 é criticar o Brasil. Já até falou que aqui tem democracia demais (como se isso fosse ruim) e que os brasileiros mereciam um chute no retaguarda. Baseado nisso, e também no desespero que o COI começa a demonstrar nos preparativos para os Jogos Olímpicos de 2016, dá para imaginar que a Fifa não pretende trazer algum torneio ao Brasil tão cedo, certo? Incrivelmente, errado.

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A entidade informou nesta sexta que Brasil, Japão e Emirados Árabes lutam para sediar o Mundial de Clubes de 2018 e 2019. A candidatura dos últimos dois não vem como nenhuma surpresa, pois sediaram recentemente a competição. O país que mais levanta questões é mesmo o Brasil. Afinal, se a Fifa teve tantos problemas aqui, faz sentido dar corda para trazer outra competição?

Pode-se argumentar que o País teria uma estrutura já pronta em 2017. Mas não é bem assim. Não seria nada estranho se a CBF fugisse dos centros mais tradicionais, tentando valorizar cidades cujos estádios não terão tanto uso pós-Copa (como Cuiabá, Brasília e Manaus) ou algumas que ficaram de fora do Mundial deste ano (como Belém, Goiânia e Florianópolis). Esse último caso parece problemático considerando que seria gasto mais dinheiro em construção ou reforma de estádios, mas era o que a CBF pretendia fazer se o Brasil sediasse a Copa América de 2015.

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Talvez essa última opção representasse um caminho político e financeiro interessante à CBF, suficiente para fazer a Fifa esquecer algumas dores de cabeça.

Índia

Uma questão secundária (para nós) que merece atenção no anúncio dos candidatos a sede do Mundial de Clubes é a lista de opções para 2015 e 16. Ao lado do Japão, sempre presente devido à ligação da Toyota com o torneio, está a Índia.

Apesar do grande território e da população de 1,2 bilhão de pessoas, não vemos por aí grandes talentos indianos ou pelo menos atletas de algum destaque no cenário internacional. O grande interesse local é no críquete, esporte no qual o país é campeão mundial, mas há uma tentativa de colocar o país como uma força asiática no futebol.

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Em 2011, a seleção principal conseguiu vaga para a disputa da Copa da Ásia depois de um hiato de 27 anos, o que ajuda a ver uma ligeira melhora na organização do futebol no país. Mais recentemente, em abril deste ano, uma parceria entre empresários e a Federação Indiana de Futebol resultou na criação da  Superliga Indiana, um torneio que contará com oito equipes, cujos donos deverão investir em setores importantes do desenvolvimento do futebol no país. A ideia não foi aceita de forma unânime, mas pelo menos há uma tentativa de despertar o esporte na Índia, chamada por Joseph Blatter de “gigante adormecido” do futebol.

Bem, a África do Sul organizou a Copa de 2010, o Brasil receberá o Mundial de 2014 e a Rússia já foi agraciada com a edição de 2018. Como a China esteve mais preocupada com os Jogos Olímpicos, ficou faltando só a Índia para a Fifa colocar seus torneios nos países do Bricsa.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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