BrasilCopa do MundoMundo

Brasil até mereceu as vaias, mas foi muito bem testado pela Sérvia e saiu por cima

Puxando pela memória, é difícil lembrar-se de um jogo da seleção brasileira na cidade de São Paulo sem vaias. A torcida paulista – exigente, chata ou simplesmente corneteira, não julgamos – voltou a atacar nesta sexta-feira e teve uma boa dose de razão. O time de Luiz Felipe Scolari não fez uma apresentação convincente contra a Sérvia, mas foi testado por uma equipe de respeito. E no fim, usou o seu centroavante para decidir uma partida difícil, como muitas que virão pela frente na Copa do Mundo.

Leia mais: Pelé e mais nove: os melhores atacantes da história das Copas

No Grupo A das Eliminatórias Europeias, vencido pela Bélgica, a Sérvia ficou em terceiro lugar, a três pontos da Croácia, ou seja, a uma vitória a mais de disputar a repescagem. Não pode reclamar de nada porque perdeu da lanterna Macedônia e não venceu nenhum confronto direto, mas é uma equipe bem organizada defensivamente pelo técnico Ljubinko Drulovic e tem bons jogadores como Ivanovic, Kolarov e Matic.

Essa organização defensiva complicou muito a vida do Brasil em um gramado do Estádio do Morumbi que parecia ter recebido recentemente um estouro de manada ou 27 shows de rock and roll. A bola não rolava como deveria, o que atrapalha o time mais técnico que tem que furar uma defesa bem postada. E acima de tudo isso, os principais atletas ofensivos que Felipão tem à disposição não jogaram bem.

Neymar foi excessivamente individualista, um eufemismo utilizado pelo jornalismo esportivo para evitar o termo “fominha”. Foi muito bem marcado, é verdade, mas tentou dribles demais e acertou jogadas de menos. Talvez tenha sido incentivado pela tarde abaixo da média dos companheiros, especialmente Oscar, que não acertou nada até ser substituído por Willian no intervalo. Ainda deve ser titular na estreia, mas precisa comer a bola para que Felipão não comece a considerar uma troca mais definitiva.

No suporte do meio-campo, Luiz Gustavo foi muito bem. Executou cinco desarmes e acertou quase todos os passes. Contrastou com Paulinho, recuperando-se de uma pancada no tornozelo. O problema do ex-corintiano é que sua vaga talvez seja uma das mais disputadas do elenco. Ramires, principalmente, e Hernanes estão à espreita, aguardando uma chance para mostrar serviço.

>>>> Até o Daily Mail conhece a maldição alviverde da seleção brasileira

Nem a defesa da seleção brasileira, o ponto forte do time, esteve afiada. David Luiz e Thiago Silva bobearam em alguns lances, mas a Sérvia não soube aproveitar. Mitrovic errou uma cabeçada, livre, e Milos Jojic cabeceou um cruzamento de Kolarov na trave. O lateral do Manchester City também teve uma chance, em um lance meio estranho, no qual Júlio César interceptou um cruzamento e David Luiz afastou, meio atrapalhado.

Quando nada está funcionando direito, alguém precisa chamar a responsabilidade e resolver. Espera-se muito isso de Neymar, o menino de ouro, a Joia, o craque da seleção brasileira. Mas, nesta sexta-feira, quem fez isso foi Fred. No momento em que a torcida estava gritando o nome de Luis Fabiano, Thiago Silva jogou a bola na área, meio despretensiosamente, e o centroavante do qual Felipão nunca abre mão tirou a marcação ao dominar no peito e caiu no chão. Ainda assim, colocou a bola nas redes.

Desde a decisão da Copa das Confederações, a seleção brasileira não havia enfrentado um jogo com tanto clima de Copa do Mundo quanto este contra a Sérvia, que tem um estilo parecido ao da Croácia, adversária da estreia. Guardadas as devidas proporções, foi uma partida difícil, contra um rival fechado e duro na marcação, com pressão da torcida.

E o balanço não foi tão ruim. Serviu para mostrar que Neymar não vai ser craque todos os dias, que há outros jogadores no elenco com poder de decisão e que esse time consegue vencer mesmo sem jogar bem, o que invariavelmente um campeão mundial precisa fazer ao longo do torneio. Ainda cria ao menos um pouquinho de desconfiança depois de um ano de oba-oba desde o título das Confederações. E sabemos o quanto Felipão fica confortável nessas situações.

Você também pode se interessar por:

>>>> Até a ciência mostra que o Brasil não tem o que reclamar de seu grupo na Copa. O México então…

>>>> Liderados por Maradona, os 10 melhores meio-campistas da história das Copas

>>>> Neymar em ritmo de festa e churrasco contra o Panamá dá o tom do Brasil pré-Copa

>>>> Cinco histórias para se lembrar de Marinho Chagas, tão craque quanto polêmico

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo