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A bola não entra por acaso. Os corintianos sabem disso

“Platéia aplaude.

Público assiste.

Torcida interfere”.

A definição não é minha. Quisera eu que fosse. É do historiador Flávio de Campos. E foi feita em entrevista ao documentário “Bahêa Minha Vida”, lançado em 2011. Refere-se logicamente à torcida do Bahia, tratada no filme. Mas poderia perfeitamente ser aplicada à do Corinthians. E como poderia. Para o bem ou para o mal, a torcida do Corinthians interfere. Sempre interferiu. Interfere hoje. E seguirá interferindo no futuro. Sabem que são o grande bem deste clube. E se orgulham disso.

O Corinthians é hoje o maior clube do Brasil. E continuará sendo amanhã ou depois de amanhã se os adversários não se mexerem. O Mundial de Clubes foi a conquista do organização. Da aposta em Tite quando muitos teriam aberto mão de seu nome. Dá confiança num departamento de marketing que alavanca suas receitas a patamares europeus. Dá discrição de quem trabalha em silêncio para fechar acordos. E de um grupo que sabe que, acima disso tudo, está uma torcida.

A torcida é o bem maior do Corinthians. E hoje o mundo sabe disso. Foi o Mundial dos torcedores corintianos. 10, 20, 30 mil. Pouco importa. A torcida interferiu. A cada gesto de Tite, defesa de Cássio, passe de Paulinho, arrancada de Danilo e movimentação de Guerrero, ela interferiu. E, mais uma vez, seguirá interferindo porque ela tem certeza de que a bola não entra por acaso. Não foi assim nesta manhã. E não vem sendo assim há algum tempo. A bola não entra por acaso. Esse é o título de um livro que narra a história do Barcelona ao longo da última década. É também o livro de cabeceira de alguns dirigentes, muitos deles corintianos, incluindo o seu presidente, Mário Gobbi.

De 2008 para cá, o Corinthians se organizou. Da Série B até o Mundial, o Corinthians cresceu. E não deverá parar tão cedo.

No ano passado, me recordo de ter conversado com Raul Corrêa, diretor de finanças alvinegro. Raul é corintiano. Dos fanáticos. Mais um. Que gere o clube da torcida para a torcida. Na ocasião, comentei com ele uma conversa que tive com outros dirigentes em que a aposta era a de que, com o novo contrato de TV, além do Corinthians, Flamengo e São Paulo estariam entre os 20 maiores do mundo. Raul ouviu e cravou.

“Nos 20 acho pouco provável ter os três, mas pelo menos o Corinthians vai estar”.

O Corinthians caminha para isso fora de campo. Dentro dele, chegou hoje a uma de suas maiores glórias. Sempre acompanhado pelo seu torcedor. Aquele que até aplaude e assiste, mas que se orgulha mesmo é de poder interferir.

“O torcedor não é única e exclusivamente para você esperar o apoio no dia do jogo. O torcedor tem que participar da gestão do clube. Então, tudo que ocorre de uma forma ou outra tem que dizer respeito a ele e suas ações têm que ser voltadas para a torcida. Quando você tem isso, você acaba tendo o seu retorno que te permite investir. Futebol é gol. Se você tem o gol, você tem o patrocínio, você tem a bilheteria, você tem o respeito da torcida, você tem a auto-estima e, com isso, você toca. Sempre com o torcedor”, complementou Raul.

Sempre.

Parabéns, alvinegros.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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