Vitórias da GE TV sobre CazéTV com Flamengo mostram que audiência no YouTube não tem dono
Jogos do Rubro-Negro na Copa Intercontinental protagonizam disputa histórica entre os dois canais
A participação do Flamengo na Copa Intercontinental da Fifa virou um capítulo à parte no mundo da mídia esportiva por ser o primeiro embate real entre GE TV e CazéTV pela preferência dos internautas, com o mesmo evento, envolvendo o time de maior torcida do Brasil. E a GE TV levou a melhor nos dois rounds disputados até aqui.
Na vitória sobre o Cruz Azul, no Dérbi das Américas, na quarta passada (10), o canal lançado pela Globo em setembro bateu pico de 2,4 milhões de aparelhos conectados simultaneamente, chegando a dobrar o número da CazéTV, que ficou com 1,2 milhão. A GE TV tem 11,5 milhões de inscritos no YouTube, enquanto a CazéTV passou de 23,4 milhões.
Contra o Pyramids, pela Challenger Cup, a vitória do Flamengo por 2 a 0 teve uma repetição da vitória da GE TV, com a CazéTV suando para alcançar pico de 1 milhão nos acréscimos da etapa final, enquanto o canal da Globo passou de 2 milhões ainda no primeiro tempo.
Nas redes sociais, internautas relataram que a live da GE TV aparecia com mais destaque no YouTube ao entrarem no aplicativo ou site da plataforma, alguns falaram em dificuldade para achar o link da CazéTV. É um desvio da real discussão: a audiência não tem dono.
O Brasil se acostumou ao ritmo da TV aberta, mídia na qual a Globo, aí, sim, é dona da audiência. Um jogo do Flamengo dava 18 pontos no SBT com exclusividade em TV aberta na Libertadores, mas passava de 30 na Globo na mesma competição. Nas outras mídias, a realidade é diferente.

Por mais que a CazéTV seja um canal mais consolidado, tenha já três anos no ar, e a GE TV tenha nascido de um canal existente e cujo algoritmo era mais acostumado a vídeos de melhores momentos do que a transmissões ao vivo, o jogo é jogado no dia a dia.
É absolutamente comum no YouTube ver canais com menos inscritos dando mais audiência do que outros maiores em determinados temas. E nem precisa pagar para promover o link. Basta acertar em técnicas de SEO (otimização para mecanismos de busca, na sigla em inglês, o que seria algo como ‘coisas para sermos achados mais facilmente no Google’). A thumbnail (aquela imagem é a capa do vídeo), o título, tudo isso interfere.
O algoritmo faz escolhas inclusive baseadas na taxa de cliques e tempo de permanência do usuário em um vídeo ou live. As duas transmissões podem ser recomendadas para grupos de internautas diferentes, e quem tiver a melhor performance é mais recomendada para todos. Isso acontece com qualquer vídeo no YouTube.
Um vídeo do Canal Allan Simon sobre a tabela detalhada da Copa do Mundo, por exemplo, concorre com vídeos semelhantes de diversos canais. Se a minha capa for clicada por 10% dos usuários que receberam a recomendação na primeira hora, e o vídeo de um concorrente for clicado por 5%, o meu conteúdo será priorizado, sem pagar nada. Se ele conseguir 15%, o meu fica para trás. É o algoritmo protegendo a plataforma, priorizando a retenção do usuário e evitando que ele vá embora.
As estratégias neste caso específico da Copa Intercontinental estão sendo jogadas ao vivo. No jogo deste sábado (13), a CazéTV encerrou a live pré-jogo e abriu uma nova com a partida poucos minutos antes de começar a rolar a bola. Pareceu um tiro no pé, pois o canal demorou a remar tudo de novo na audiência. E a GE TV seguiu com o mesmo link consolidado que vinha desde o aquecimento.
Especular sobre se a Globo pagou para promover sua transmissão, se a CazéTV não fez o mesmo, tudo isso é perda de tempo: se isso for verdade, só explica que o torcedor quer ver jogo ao vivo e de graça, não importa onde, no primeiro link que aparecer. É um público que está tendo uma oportunidade inédita de ver muito futebol sem pagar e sem pirataria. Quem via tela torta de transmissão ilegal vai ficar feliz com o jogo oficial em boa qualidade e de graça.

O torcedor pode ter preferido ativamente a transmissão comandada por Jorge Iggor na GE TV no duelo contra a narração de Luis Felipe Freitas, o Luisinho, na CazéTV. Pode ter sido mais uma vez direcionado pelas escolhas do algoritmo, como alguns internautas apontaram. Pode apenas ter feito uma busca por ‘Flamengo x Pyramids’, ‘Flamengo ao vivo’, etc, e clicado no que deu ‘match’ com o termo pesquisado.
Em todos os cenários, o que vivemos hoje na internet é totalmente diferente de uma dinâmica na qual o telespectador liga na TV Globo e nem se preocupa em saber se tem futebol em outro canal. É fã de futebol, mas vê novela e às vezes nem sabe que o jogo da Sul-Americana estava disponível no SBT ou o do Brasileirão na Record.
Na internet, o jogo é jogado e a audiência é pescada. Com a estratégia que for possível. Quarta-feira (17) tem mais. Flamengo e PSG decidem o título da Copa Intercontinental às 14h (horário de Brasília) novamente com TV Globo, SporTV, CazéTV e GE TV. Que se movam novamente as peças no tabuleiro.
Quer mais análises de mídia esportiva e direitos de transmissão? Conheça o Canal Allan Simon no YouTube!



