Mundial de Clubes

Veiga e Dudu formaram uma dupla dinâmica, entre entendimento e talento, que desmontou o Al Ahly

Duas ótimas combinações entre Veiga e Dudu garantiram uma vitória bastante segura ao Palmeiras contra o Al Ahly

O Palmeiras chegou ao seu segundo Mundial de Clubes consecutivo mais preparado. Isso se torna evidente pela maneira como os alviverdes atuaram nas semifinais, uma etapa comumente difícil para os representantes da Conmebol. A equipe de Abel Ferreira dominou o Al Ahly com uma atuação bastante segura, em que a vitória por 2 a 0 não demorou a se impor. O acerto tático dos palmeirenses funcionou muito bem. A marcação agressiva, sobretudo no primeiro tempo, não deixou os egípcios respirarem. E o entrosamento também depende do entendimento de talentos individuais. Neste ponto, Raphael Veiga e Dudu foram diferenciais em relação à decepção ocorrida no último ano.

O Palmeiras passou por mudanças pontuais nestes últimos meses, em relação ao time eliminado pelo Tigres e batido pelo próprio Al Ahly na decisão do terceiro lugar. Dudu foi uma dessas novidades. A identificação do ponta com o clube é imensa e ele representa um momento importantíssimo de afirmação dos alviverdes na última década. Porém, durante o último Mundial ele defendia as cores do Al Duhail e tinha sido eliminado pelo próprio Al Ahly. Certamente tinha fome de se provar desta vez, numa competição inédita com a camisa palestrina. O melhor do talento de Dudu apareceu em Abu Dhabi.

Raphael Veiga, por sua vez, é apontado por grande parte dos palmeirenses como melhor jogador da equipe no último ano. O crescimento do meia é exponencial desde a chegada de Abel Ferreira e não à toa muita gente o vê como candidato à Seleção – e pra já. Embora titular do outro Mundial e em franca ascensão desde antes, Veiga não tinha atingido esse nível tão alto e também não tinha essa percepção ao seu redor naquela época. O talento aflorou de maneira fundamental ao Palmeiras, e o colocou como um protagonista no tri da Libertadores, com direito a gol na final e tudo. Sem esconder também a paixão pelo clube de infância, aproveita da melhor forma a nova chance no Mundial.

Num Palmeiras sem um centroavante tão fixo, a chegada dos homens mais atrás se torna vital para o funcionamento do ataque. Dudu e Veiga possuem uma capacidade de definição grande, assim como uma leitura privilegiada dos espaços. Isso aconteceu perfeitamente nos dois gols, também pelo refinamento de ambos na hora de criar. Depois da bola preparada por Danilo, o passe de Dudu foi o toque de arte no primeiro tento, para que Veiga pegasse um raro momento de abertura na defesa do Al Ahly e vencesse o goleiro. Pela maneira como os palmeirenses amassavam, a vitória era mais que merecida àquela altura.

O segundo tempo se projetava com mais espaços, até pela necessidade do Al Ahly em sair para o jogo – o que de fato aconteceu. Porém, o Palmeiras deixou o cenário bem mais tranquilo com o segundo gol anotado em poucos minutos. De novo, prevaleceu a telepatia entre dois enormes talentos alviverdes. O toque de Veiga com a parte de fora do pé, devolvendo para Dudu, é a velocidade de raciocínio que desmonta defesas. Com o caminho aberto, o veterano rompeu em velocidade e bateu firme para encaminhar a vitória.

O Palmeiras ainda terá seu maior desafio no final de semana, contra Chelsea ou Al Hilal, independentemente de quem passar. Mas, depois da frustração de 2021 e diante da pressão que a semifinal representa, era essencial que o time entrasse mais leve nesta terça-feira. Aconteceu, com a leveza de sua dupla principal. Veiga e Dudu chegarão com moral para a final, tentando repetir tamanho entrosamento. O mais velho, em busca do título que o botará num lugar muito privilegiado entre os ídolos. O mais novo, para confirmar de vez sua qualidade capaz de encarar qualquer adversário. Ambos, com o grupo, pelo maior sonho alviverde.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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