O campeão asiático chega ao Mundial de Clubes com um  primeiro objetivo claro: não passar vergonha. Depois de uma participação muito ruim em 2012, o clube coreano espera evoluir desta vez. O time tem problemas, perdeu jogadores importantes, como o artilheiro Junior Negão e o capitão Lee Keun-ho.

A ideia é tentar repetir o que fez o Pohang Steelers em 2009, melhor resultado de um time sul-coreano no Mundial de Clubes. Naquela edição, os asiáticos venceram os campeões africanos e perderam do Estudiantes na semifinal, antes de bater o Atlante, do México, na decisão do terceiro lugar. Se o conseguir repetir o resultado, será considerado um feito.

O time tem qualidades, mas ficou conhecido como aquele que falha nos momentos decisivos. Conseguiu reverter isso na Liga dos Campeões da Ásia. Conseguirá manter isso no Mundial de Clubes, com adversários ainda mais fortes?

A história de fundação

O clube foi fundado em dezembro de 1983 como Hyundai Horang-i e inicialmente ficava na cidade de Incheon. Entraram na K-League em 1984 e desde então disputam a primeira divisão do país. O time mudou de casa em 1987 para Gangwon-do. Foi só em 1990 que o clube se mudou para Ulsan, onde estava a sede da Hyundai Heavy Industries, a maior empresa de construção naval do mundo. Não confundir com a Hyundai Motors, que é outro braço do mesmo grupo e faz automóveis. Esta é dona do Jeonbuk Hyunday Motors FC, um rival e algoz na liga local sul-coreana.

A ascensão no futebol nacional

Desde que o clube surgiu, em 1984, já começou nas primeiras posições da tabela. Em seu primeiro ano, terminou em terceiro lugar. O primeiro título, porém, só veio em 1996. Voltaria a ser campeão em 2005. Em 2017, conquistou o título da Copa da Coreia do Sul. Tinha sido o seu último título até a Liga dos Campeões da Ásia.

Histórico nas competições continentais

São dois títulos da Liga dos Campeões da Ásia para o Ulsan Hyundai, em 2012 e em 2020. Antes disso, suas melhores campanhas foram a semifinal, em 2006. Depois do título de 2012, o máximo que a equipe sul-coreana tinha conseguido foi chegar até as oitavas de final duas vezes, em 2018, eliminados pelos compatriotas Suwon Samsung Bluewings, e 2019, quando caíram para o Urawa Red Diamonds.

Caminhada até o Mundial

A Liga do Campeões da Ásia foi muito afetada pela pandemia da COVID-19, como o mundo inteiro. Como foi feito na Europa, a AFC decidiu montar uma bolha para a disputa da competição, no Catar. Com a China sendo o primeiro país a detectar a doença, seus clubes tiveram que abrir mão da disputa. Depois, o então campeão, Al Hilal, também desistiu. Alguns jogos já tinham sido disputados em fevereiro, mas o torneio só seria retomado em setembro.

O Ulsan estava no Grupo F e só tinha feito um jogo quando a pandemia paralisou o torneio. Na retomada, o time embalou uma sequência de vitórias impressionante. Venceu seus cinco jogos restantes na primeira fase, já com o esquema de bolha no Catar. A partir das oitavas de final, com as disputas em jogos únicos, o Ulsan venceu, em sequência, o Melbourne Victory, o Beijing, o Vissel Kobe e, por fim, o Persepolis na final. O brasileiro Junior Negão, que deixaria o clube logo depois, foi o autor dos dois gols na vitória por 2 a 1, no dia 19 de dezembro.

Participações anteriores no Mundial

Campeão da Liga dos Campeões da Ásia em 2012, o Ulsan passou vergonha no Mundial de Clubes daquele ano. Foram duas derrotas, para Monterrey e Sanfrecce Hiroshima, e o sexto lugar na competição. Os sul-coreanos esperam fazer um pouco mais desta vez.

O destaque

O grande nome do Ulsan é o seu camisa 10, . Aos 30 anos, o meio-campista foi eleito o melhor jogador da Liga dos Campeões da Ásia, que acabou com o seu time campeão. Em 2020, o meia fez 37 jogos, marcou 10 gols e deu cinco assistências. O meio-campista chuta bem de fora da área e costuma atuar na armação das jogadas, em posição mais recuada. O que não o impede de chegar ao ataque eventualmente e fazer os seus gols. Destro, ele tem facilidade também em finalizar de pé esquerdo. Completou um ano de clube em janeiro.

Os estrangeiros

São três estrangeiros do time sul-coreano em campo. O zagueiro Dave Bulthuis, de 30 anos, que defende o clube desde 2019, vindo do Heerenveen. É alto, com 1,92 metro de altura, tem uma carreira modesta na Europa, com passagens por Utrecht, Nuremberg, e Qabala, do Azerbaijão, antes do Heerenveen.

Jason Davidson é outro estrangeiro. Aos 29 anos, é lateral esquerdo, australiano, e joga no clube desde 2019. Passou pela Europa, em clubes de Portugal, Holanda, Inglaterra, Croácia e Eslovênia, mas sem grande destaque. Voltou para o seu país em 2018 para defender o Perth Glory, e no ano seguinte chegou à Coreia do Sul.

Por fim, Lukas Hinterseer fecha a lista dos estrangeiros. Aos 29 anos, o atacante de 1,92 metro é austríaco, e é uma contratação recente do clube, depois de chegar no dia 22 de janeiro, vindo do Hamburgo, da Alemanha. Ainda nem estreou pela equipe.

O líder em campo

é um dos jogadores mais rodados do elenco do Ulsan Hyundai. Aos 32 anos, passou grande parte da carreira no Bolton, da Inglaterra, jogando principalmente a Championship, segunda divisão do país. Defendeu também o Crystal Palace e seu último clube na Europa foi o Bochum, da Alemanha. Chegou ao Ulsan Hyundai em março de 2020 e participou da campanha do time que culminou no título continental. Normalmente atua como ponta direita, mas eventualmente pode ser um meia ofensivo também. Quando necessário, até de lateral direito jogou, improvisado. Tem experiência e qualidade para liderar a equipe em campo no Mundial.

Treinador

, de 51 anos, assumiu o time no último dia 24 de dezembro. Ele substituiu o técnico que conquistou a Liga dos Campeões da Ásia, Kim Do-hoon, que estava no clube desde 2017. O treinador anterior conseguiu um título importante depois de quatro anos no comando, tendo perdido duas finais da Copa da Coreia e sendo vice-campeão sul-coreano duas vezes. Tinha um título, uma Copa da Coreia na sua primeira temporada.

Hong tem um histórico muito ligado à seleção sul-coreana. Como jogador, defendeu o país em quatro Copas do Mundo: 1990, 1994, 1998 e 2002. Atuou em 136 jogos, inclusive na bem-sucedida campanha que terminou com o time em quarto lugar, em 2002. Era o capitão daquele time, que fez história com uma campanha surpreendente, e muito beneficiada pela arbitragem, que chegou até a semifinal contra a Alemanha.

Sua trajetória na seleção o levou a continuar trabalhando no futebol depois de pendurar as chuteiras. Começou como técnico na seleção sub-20, passou pela seleção olímpica e assumiu a seleção principal em 2013. Ficou um ano no cargo, dirigindo o time na Copa 2014. Depois disso, foi para o clube chinês Hangzhou Greentown, atualmente na segunda divisão do país. Em 2017, retornou ao posto de técnico da seleção sul-coreana e ficou até dezembro de 2020. O Ulsan será apenas o seu segundo trabalho em clube e o primeiro na Coreia do Sul.

Ídolo do passado

Kim Shin-wook tem 32 anos e ainda está ativo, no Shanghai Shenhua, da China, onde está desde 2019. Com 1,96 de altura, é um centroavante grandalhão, bom no jogo aéreo e artilheiro. De 2009 a 2016, ele defendeu o Ulsan Hyundai e tornou-se o jogador com mais jogos e mais gols na história do clube. São 273 jogos e 111 gols.

Foi com ele em campo que o Ulsan Hyundai se tornou campeão asiático na temporada 2012. Naquela temporada, o atacante marcou 22 gols em 50 jogos, sendo seis deles na campanha continental. Fez 55 jogos pela seleção sul-coreana, para a qual ainda é chamado, e tem 14 gols.