‘Calendário interminável’: Sindicato dos jogadores detona Fifa por novo Mundial de Clubes
Associação de Futebolistas Profissionais apontou problemas que torneio nos Estados Unidos causam aos atletas
O novo Mundial de Clubes é um projeto ambicioso da Fifa para reunir 32 representantes de todos os continentes para brigarem pelo título. Entretanto, o torneio não caiu nas graças dos sindicatos dos atletas.
A Professional Footballer’s Association (Associação de Futebolistas Profissionais) — representante do futebol da Inglaterra e de País de Gales — detonou a entidade máxima por criar um “calendário interminável”.
Em entrevista ao jornal “The Times”, Maheta Molango, diretor-executivo da PFA, apontou os problemas que o Mundial causa aos jogadores envolvidos na competição, que terão menos tempo de descanso.
O sindicato já entrou com uma ação judicial contra a Fifa em um tribunal de Bruxelas, na Bélgica, alegando abuso de poder por parte da entidade ao introduzir a nova competição em um período de descanso entre temporadas no futebol europeu.
“Os jogadores têm sido muito claros sobre o impacto do futebol ininterrupto — passando de grandes torneios internacionais para uma temporada nacional completa e, em seguida, direto para jogos internacionais de pós-temporada”, começou Molango.
— É um calendário futebolístico interminável e, sem uma pausa significativa, simplesmente não é sustentável.
Qual o impacto do Mundial de Clubes para os atletas?

A base das críticas da Associação de Futebolistas Profissionais está na redução do período de descanso dos jogadores. A edição de 2025/26 da Premier League, por exemplo, começa cinco semanas depois da final do Mundial de Clubes.
Como consequência, as férias dos jogadores de Chelsea e Manchester City — representantes ingleses no torneio da Fifa — será menor quando comparada aos demais rivais, já que ainda há os trabalhos de pré-temporada.
Um novo estudo Delphi realizado por um grupo de 70 especialistas médicos e de desempenho recomenda que todos os atletas tenham, pelo menos, quatro semanas de férias a cada verão para evitar o esgotamento físico, além de mais quatro semanas de treinamentos preparatórios para a próxima temporada.
A pesquisa foi encomendada pelo FIFPro, sindicato internacional dos jogadores de futebol. O chefe da PFA destaca que o embasamento científico é a prova concreta que a saúde e bem-estar dos atletas devem ser a prioridade da Fifa.
— Não se trata apenas de olhar para o calendário e dizer “chega”. Especialistas médicos concordam que existem medidas específicas e imediatas que o futebol pode tomar para proteger o bem-estar dos jogadores.
Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol, já minimizou as preocupações causadas pela criação do novo Mundial de Clubes e o excesso de partidas para os jogadores. Para o dirigente, a competição representa “algo especial”, como dito em entrevista à agência “France-Presse”.



