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Rafinha garantiu um respiro a mais ao Flamengo no segundo tempo, decisivo à virada sobre o Al-Hilal

Deve ser chato enfrentar Rafinha dentro de campo. O lateral é irrequieto: discute, arruma briga, provoca, peita quem estiver pela frente, enche a paciência. Porém, o problema de encarar o defensor do Flamengo não se concentra nisso. Se o veterano bota tanta banca, é porque também chama a responsa para si e resolve na bola. Rafinha tem uma qualidade acima da média no futebol brasileiro e, cada vez mais, engrena com a camisa rubro-negra. Sua atuação contra o Al-Hilal ressalta a importância. Deu conta do recado na defesa e teve sua parte nos dois gols que garantiram a virada na vitória por 3 a 1.

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Existiam dúvidas sobre o rendimento de Rafinha no Flamengo. Aos 34 anos, o lateral participou bem menos da temporada com o Bayern de Munique e sofreu na Champions League. Estreou logo na goleada sobre o Goiás, mas também oscilou nas primeiras partidas com o clube carioca. A preocupação com a capacidade de marcação do veterano era clara. Hoje em dia, nem parece muito problema aos rubro-negros. Aquele lado do campo anda bem guardado.

O contraste de Rafinha se nota por uma comparação natural com Filipe Luís. A princípio, o lateral esquerdo transmitia muito mais segurança, por seu próprio histórico no Atlético de Madrid. O que se nota atualmente é diferente. Pelo estilo de jogo imprimido por Filipe, centralizando mais para ajudar na construção, o lado esquerdo fica desguarnecido. A cobertura por ali é falha e, muitas vezes, a avenida se tornou motivo de preocupação nas últimas partidas. É o ponto vulnerável do Flamengo. O mesmo não se sente com Rafinha.

Nesta terça, o lado direito do Flamengo também seria testado. O Al-Hilal tinha um lateral esquerdo que se mandava ao apoio, assim como contava com a presença de Salem Al-Dawsari por ali, um dos mais habilidosos do time. Especialmente nos primeiros minutos, Rafinha precisou se desdobrar. Mas o veterano manteve relativa segurança, levando em conta todo o sufoco que o time aguentou ao longo do primeiro tempo. O defensor conseguiu segurar as pontas.

A importância de Rafinha, contudo, seria mesmo no desafogo do Flamengo. Durante todo o primeiro tempo, a maioria das jogadas da equipe encontrava maior fluidez pela direita. A participação do lateral era fundamental, apesar das claras dificuldades nas transições. O cenário mudou na segunda etapa, com os espaços surgindo. E foi neste momento que o veterano passou a brilhar, com ações decisivas para que os rubro-negros arrancassem a virada.

A movimentação de Gabigol pela direita foi crucial. Da mesma forma, Everton Ribeiro também esbanjou inteligência para explorar os espaços. Foi isso que aconteceu no lance do gol de empate. Quando Rafinha recebeu na direita, Everton puxou a marcação rente à lateral, enquanto Gabigol apareceu como um meia. A visão de jogo do veterano iniciou a construção, com o passe ao artilheiro, que fez as vezes de garçom e deixou Bruno Henrique de frente com o goleiro. De Arrascaeta terminaria o trabalho.

Já no segundo tento, Rafinha cumpriu à risca a sua função como lateral. E com uma precisão imensa. Aproveitou o corredor pela direita e deu a opção de passe a Diego. Então, primou por aquele que precisa ser o principal fundamento de um jogador de sua posição: o cruzamento. Bola de primeira, que previu a corrida de Bruno Henrique e encontrou o atacante na risca da pequena área, para uma cabeçada potente às redes. A partir de então, a semifinal virou ao Flamengo, que faria o terceiro pela esquerda.

A carreira que Rafinha construiu na Europa fala por si. Foi ídolo do Schalke 04 e uma importante carta na manga do Bayern de Munique. É o sexto estrangeiro com mais partidas na história da Bundesliga e, entre os brasileiros, apenas Naldo e Zé Roberto o superam. No entanto, a idade trazia suas dúvidas, pela exigência física que há a qualquer lateral. O camisa 13 prova como ainda tem lenha para queimar e, sobretudo, como a sua qualidade pode prevalecer. Foi isso o que aconteceu contra o Al-Hilal.

Rafinha deve ser amplamente testado na final. Se o Liverpool confirmar o favoritismo, não será simples bater de frente com Sadio Mané e Andy Robertson. Na Champions passada, o veterano teve problemas sobretudo com o senegalês durante a eliminação nas oitavas de final. O possível reencontro oferece uma nova chance ao lateral. E, neste momento, esse nem parece o maior motivo de ansiedade dos flamenguistas rumo à decisão. O encaixe coloca o camisa 13 entre os mais regulares da equipe de Jorge Jesus. Sua postura irrequieta transforma-se em liderança e, por tudo o que vem jogando, os flamenguistas até se empolgam com o fogo que o defensor bota a cada partida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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