Mundial de Clubes

O Mundial é mais uma oportunidade para Funes Mori ampliar sua dimensão na história do Monterrey

Funes Mori se tornou o maior artilheiro da história do Monterrey e coleciona momentos decisivos

O Monterrey tem um elenco forte o suficiente para sonhar com uma grande campanha no Mundial de Clubes. Dez jogadores estavam com suas seleções na Data Fifa e outros seis possuem convocações passadas no currículo. À beira do campo, os Rayados ainda contam com a experiência de Javier Aguirre, comandante do México em duas Copas do Mundo, além de dirigir outras equipe nacionais e fazer trabalhos de relevo em clubes como o Atlético de Madrid. E, em meio a tantos nomes badalados, é difícil se equiparar à importância de Rogelio Funes Mori para a torcida. O centroavante está no clube desde 2015 e, neste ínterim, construiu uma trajetória de muitos gols – dos decisivos aos espetaculares. Com 127 tentos, o argentino naturalizado mexicano é o maior artilheiro da história do clube. O Mundial é mais uma chance de sacramentar sua imagem no país.

Esta será a quinta participação do Monterrey no Mundial de Clubes. Os Rayados tiveram um período dominante na Concachampions entre 2011 e 2013, com um tricampeonato continental. Eram tempos de nomes como José María Basanta, Neri Cardozo, César Delgado, Aldo de Nigris e Tecatito Corona. O artilheiro daquela série histórica, por sua vez, era o chileno Humberto Suazo. Mas os Rayados não tiveram desempenhos tão impressionantes assim no torneio da Fifa, com duas quedas nas quartas de final. A melhor campanha seria a de 2012, quando curiosamente o time foi derrotado pelo Chelsea na semifinal, antes de vencer o bronze diante do Al Ahly.

A volta do Monterrey ao Mundial de Clubes aconteceu em 2019. A base atual estava presente em peso, apesar de personagens diferentes como Marcelo Barovero, Dorlan Pabón e Miguel Layún. Os Rayados eram dirigidos por Turco Mohamed e de novo parariam nas semifinais. Depois da vitória sobre o Al Sadd nas quartas, os mexicanos receberiam muitos elogios pela maneira como dificultaram a vida do Liverpool, apesar da derrota no último minuto. Nos pênaltis, os representantes da Concacaf adicionaram mais um bronze à sua conta, com o triunfo sobre o Al Hilal na decisão do terceiro lugar. Funes Mori já tinha sido uma figura destacada naquela campanha, com gols sobre Al Sadd e Liverpool.

A situação do Monterrey no Mundial de 2021, porém, será de maior pressão. Basta lembrar o que fez o rival Tigres em sua estreia na competição, em 2020. Os felinos foram capazes de derrotar o Palmeiras na semifinal e ainda fizeram jogo duro contra o favoritíssimo Bayern na decisão. Potencial os Rayados têm e vão pegar um caminho parecido, medindo forças com os palmeirenses se eliminarem o Al Ahly. O “Gignac da vez” será exatamente Funes Mori. Embora o francês seja mais talentoso, o impacto do argentino dentro do Monterrey é parecido ao do rival.

Funes Mori desembarcou no Monterrey em 2015, sem tanto alarde. O atacante surgiu como uma promessa no River Plate e nas seleções de base, mas não impressionava tanto assim. Foi para o Benfica e basicamente só jogou com o segundo quadro. E ainda passou uma temporada na Turquia, com o pouco expressivo Eskisehirspor, até que os Rayados resolvessem levá-lo por €3,6 milhões. Acabou se tornando um achado. Não precisou de muitos meses para acumular gols e virar um dos principais centroavantes em atividade na Liga MX. Também primava por alguns golaços, que demonstravam sua enorme confiança para tentar jogadas plásticas.

Ainda levou um tempo para Funes Mori conquistar seus primeiros troféus com o Monterrey. A galeria se abriu em 2019. Foi quando levou a Concachampions sob as ordens de Diego Alonso e depois o Apertura com Turco Mohamed. O centroavante marcou o gol da classificação à final contra o Necaxa, além de estufar as redes do América nos dois jogos da decisão. Foi o suficiente para cair de vez nas graças da torcida, num momento em que passava dos 100 gols pelo clube e se aproximava de Suazo, pronto para virar o maior goleador dos Rayados em todos os tempos. O bom Mundial em 2019 sustentou um pouco mais sua fama.

Funes Mori, do Monterrey (Foto: Concacaf)

A Concachampions de 2021 foi outro momento fundamental à idolatria de Funes Mori. O centroavante marcou três gols na campanha e terminou eleito o melhor jogador da competição. Foram dois gols na goleada sobre o Cruz Azul na semifinal, que cravou a vaga na decisão. Por fim, o triunfo por 1 a 0 sobre o América aconteceu com um gol do matador, num jogo cheio de tensão. Abriria as portas para, aos 30 anos, brilhar outra vez no Mundial de Clubes e tentar igualar os feitos do Tigres.

O tempo em atividade no México e a fama no futebol local levaram Funes Mori a defender El Tri. Os números do centroavante com a seleção mexicana não parecem tão ruins, com cinco gols em 13 aparições, três deles na Copa Ouro. No entanto, o homem de referência pouco tem ajudado nas Eliminatórias e começou a conviver com as críticas. O retorno de Raúl Jiménez o relegou ao banco de reservas com mais frequência nas últimas rodadas. Nem de longe exibe a confiança que se repete no Monterrey.

Funes Mori parece aquele cara que se transforma com a camisa de um só clube. E o Monterrey reconhece a dedicação de um centroavante não mais que esforçado, mas que vira rei por seus golaços a serviço dos Rayados. Conta ao seu redor com ótimas estruturas e também qualidade abundante. Basta ver a maneira como repetidamente bons técnicos trabalham no Estádio BBVA. A chegada de Javier Aguirre, o veterano com o currículo internacionalmente mais recheado entre os treinadores mexicanos, indica bem o tamanho das ambições e da representatividade do Monterrey. Funes Mori tem a honra de encabeçar tal busca pelo sucesso.

A lista de figuras do Monterrey que frequentam a seleção do México vai além de Funes Mori, vale ressaltar. A defesa reúne o lateral Jesús Gallardo, bem como os zagueiros César Montes (desfalque por Covid) e Héctor Moreno. Luis Romo é um nome importante no meio-campo, enquanto a ligação ainda tem Rodolfo Pizarro, antigo membro de El Tri. A legião argentina também é forte. O goleiro Esteban Andrada e o ponta Maximiliano Meza seguem com a Albiceleste, enquanto Matías Kranevitter já apareceu nas convocações. Ainda há outras figurinhas carimbadas como Stefan Medina (Colômbia), Celso Ortíz (Paraguai), Joel Campbell (Costa Rica) e Sebastián Vegas (Chile). Isso sem falar no holandês Vincent Janssen, o europeu do elenco que esquenta o banco para Funes Mori. O colombiano Duván Vergara ainda seria opção, mas rompeu os ligamentos às vésperas do Mundial.

Um desafio para o Monterrey será lidar com o cansaço dos jogadores, já que os selecionáveis não tiveram tempo para se adaptar a Abu Dhabi. Muitos deles em atividade na Concacaf vão chegar com não mais que um dia de descanso, após os compromissos na Data Fifa. Funes Mori está entre esses, mas é difícil imaginar Aguirre prescindindo de seu artilheiro para enfrentar o Al Ahly nas quartas de final. A importância do centroavante nesse momento vitorioso dos Rayados é o passe automático para seguir como referência na cereja do bolo que é o Mundial.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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