Pode beber? Precisa de vacina? O que saber sobre os EUA antes de ir ao Mundial de Clubes
Estados Unidos têm muitas particularidades importantes que é melhor conhecer antes de embarcar
Os Estados Unidos terão, no Mundial de Clubes, em junho e julho deste ano, um bom ensaio para a Copa do Mundo de 2026 — que terá, além dos EUA, México e Canadá como sedes.
Torcedores dos 32 times participantes do torneio de clubes, assim como das 48 seleções que jogarão a Copa, também vêm de culturas e costumes bastante diferentes.
Ao contrário do que acontece no Brasil, cada um dos 50 estados norte-americanos tem suas próprias regras no que diz respeito a algumas proibições e liberalidades quanto a hábitos. Tais como se portar em público e consumir bebidas alcoólicas — bem como o uso de substâncias como a cannabis. Às vezes, até cidades dentro do mesmo estado têm regras diferentes entre si.
Na primeira fase, cada time brasileiro terá jogos em dois estados. O Palmeiras vai jogar em Nova Jersey (Porto e Al Ahly) e na Flórida (Inter Miami).
O Flamengo, na Flórida (Los Angeles FC) e na Pensilvânia (Espérance e Chelsea). A Flórida, aliás, tão habituada aos turistas brasileiros, também receberá o Fluminense (Mamelodi Sundowns), que tem compromisso em Nova Jersey (Borussia Dortmund e Ulsan).
O Botafogo é a única das equipes brasileiras que vai jogar na Costa Oeste, com jogos na Califórnia (Atlético de Madrid e PSG). O campeão da Libertadores é também o único time que terá de atravessar o país, para jogar no Estado de Washington (Seattle Sounders) — não confundir com a capital ianque Washington, que fica no Distrito de Columbia.
Álcool só pode em determinados lugares dos EUA

Acostumados aos aquecimentos etílicos nas calçadas, os brasileiros terão uma realidade bem diferente nos EUA.
— Bebida alcoólica na rua é proibida. Só beba em bares, festas privadas ou locais permitidos — explicou à Trivela Reynaldo Galeskas, o Tiozão do Verdão, que tem um canal no YouTube batizado com seu apelido. Radicado nos EUA, Galeskas virou um especialista na cultura local e vem trazendo dicas como essas aos seus seguidores.
Por outro lado, os estádios terão a venda de bebidas alcoólicas liberada, algo que os torcedores paulistas, por exemplo, não sabem o que é há muito tempo.
— Jamais dirija alcoolizado, nem mesmo após “só uma cervejinha”. Há tolerância zero em muitos estados. (Se flagrado ao) dirigir alcoolizado, a pessoa será presa e ou deportada — disse também o Tiozão.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
Pode fumar o que e onde?
O uso recreativo da cannabis é legal em 24 estados dos EUA, no Distrito de Columbia e em quatro territórios. O uso medicinal é legal com recomendação médica em 39 estados, quatro territórios e o Distrito de Columbia. O consumo nas ruas, no entanto, varia de estado para estado.
Dentre os 24 estados onde o uso recreativo está liberado, Califórnia, Nova Jersey (e seu vizinho Nova York, para onde muitos torcedores irão para turismo) e Washington receberão jogos de brasileiros na fase de grupos.
A Pensilvânia, no âmbito estadual, considera o uso ilegal. Mas a cidade de Filadélfia, onde o Flamengo vai jogar, permite o consumo. Já na Flórida, para onde só o Botafogo não vai, não tem conversa: possuir ou consumir maconha é ilegal.
Quanto ao tabaco, as regras são semelhantes às brasileiras: não se pode fumar em lugares cobertos ou fechados, exceto se o local em questão se destinar a esse fim, como espaços para degustação de charutos, por exemplo.

Gorjetas, dinheiro e “boas maneiras” dos americanos
A sociedade americana tem muito mais formalidades que a brasileira. Embora seja a maior nação hispânica do planeta, são os maneirismo e o recato dos europeus colonizadores que prevalecem.
Nos EUA, as pessoas são normalmente avessas a contatos físicos. Beijinhos no rosto e abraços para cumprimentos são praticamente proibidos.
As gorjetas em bares e restaurantes são obrigatórias. Isso porque a maior parte, quando não a totalidade dos ganhos dos garçons e atendentes vêm dos valores extras deixados pelos clientes. Normalmente, calcula-se algo entre 15% e 20% do valor da conta como gratificação.
Usar “please” (por favor), “sorry” (desculpas) e “excuse me” (com licença) é também um código inegociável — algo que também ocorre em diversos ambientes do Brasil. Também como em terra brasilis, é melhor evitar discussões políticas. A questão por lá está ainda mais polarizada do que por aqui.
Quanto a gastos, o uso de dinheiro em espécie é mais disseminado do que no Brasil. Mesmo assim, é importante habilitar cartões de crédito e débitos, quando for o caso. Usar carteiras internacionais, com cartões “carregados” por meio de transferências, também funciona bem.

Pontualidade e saúde nos Estados Unidos
Os horários costumam ser mais rígidos nos EUA. As autoridades policiais também costumam repreender manifestações públicas, como, por exemplo, cantos de torcidas longe dos perímetros dos estádios.
E, por via das dúvidas, é melhor evitar usar a “Lei de Gérson”. Tentar levar vantagem, como furar fila, pode virar caso de expulsão de determinados locais, como lojas e restaurantes, ou até de polícia. Desse modo, evite o jeitinho brasileiro.
— Como os serviços médicos são muito caros, é importante fazer um seguro saúde — acrescenta o Tiozão do Verdão.
Alguns remédios normalmente liberados no Brasil, como a dipirona, são proibidos nos EUA. Vale pesquisar dentre os que se pretende levar quais são os proibidos. E levar prescrições médicas dos indispensáveis.
Também é importante verificar a necessidade de vacinas para os viajantes que farão conexões em países da América Central e Caribe. O Panamá, por exemplo, exige a vacinação para Febre Amarela, que precisa ser comprovada com o certificado internacional de vacinação.
E nos estádios?
A Fifa é rigorosa com o que é permitido dentro dos estádios. Mochilas grandes não são aconselháveis. Tudo vai passar por raio-x e revista.
Embora seja permitido beber, a embriaguez exacerbada, que leva os torcedores a “causar”, como se diz por aqui, será reprimida. Por via das dúvidas, também é melhor adentrar o perímetro delimitado pela organização antes de iniciar cantorias e batucada.
Nas redes sociais, consulados de torcedores dos clubes brasileiros participantes informam pontos de encontros e dão dicas específicas de cada cidade. Vale a pena acompanhar o que cada grupo planeja



