Mundial de Clubes

Monterrey aposta em sangue argentino para reverter histórico mexicano no Mundial – e o seu próprio

Os gols de Gabigol contra o River Plate em Lima, entre outros efeitos mais importantes, evitaram que a Argentina tivesse um representante formal no Mundial de Clubes, mas o futebol do país estará envolvido na disputa de outra maneira: formando a espinha dorsal do Monterrey que, em sua quarta participação, tenta finalmente fazer barulho no torneio organizado pela Fifa.

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Tricampeão da Concacaf entre 2011 e 2013, o Monterrey prepara-se para o seu quarto mundial, igualando o número de participações do compatriota Pachuca e do Barcelona. À sua frente, apenas Al Ahly, do Egito, e Real Madrid, com cinco cada (contando 2000), e o Auckland City, recordista disparado, com nove. Mas os Rayados nunca causaram muito impacto.

A melhor campanha foi em 2012, quando venceram o sul-coreano Ulsan Hyundai, nas quartas de final, e marcaram um encontro com o Chelsea. No entanto, foram presa fácil ao time de Rafa Benítez, que chegou a abrir 3 a 0 no começo do segundo tempo, antes de Aldo de Nigris descontar, nos acréscimos. As suas outras duas participações pararam na fase anterior: derrotas para o Kashiwa Reysol, do Japão, nos pênaltis, e para o Raja Casablanca.

O poder financeiro que permite aos clubes mexicanos alinhar jogadores de qualidade comparável ao dos sul-americanos, ou melhor, e até mesmo alguns com capacidade europeia não tem significado campanhas à altura no Mundial. Outros de seus clubes até conseguiram chegar às semifinais, mas no geral foram eliminados sem muita cerimônia.

No atual formato, o América levou 4 a 0 do Barcelona (2006) e 2 a 0 do Real Madrid (2016). Os merengues também golearam o Cruz Azul por 4 a 0 (2014). O Atlante perdeu por 3 a 1 dos catalães (2009). O Pachuca levou 2 a 0 da LDU (2008) e 1 a 0 do Grêmio (2017), conseguindo levar o jogo para a prorrogação, em uma rara ocasião em que complicaram a semifinal.

Reverter esse histórico decepcionante e ser o primeiro clube do país a alcançar uma decisão, o que representantes da África e da Ásia já conseguiram, seria o resultado ideal para o Monterrey. É difícil cobrar tanto pelo potencial confronto com o Liverpool pela frente, mas pelo menos um jogo duro contra os campeões europeus estaria de bom tamanho.

Para isso, o técnico Antonio Mohamed, jogador do Monterrey nos anos noventa e treinador entre 2015 e 2018, antes de retornar em outubro para substituir o uruguaio Diego Alonso, responsável pelo título continental, tem um grupo de bons jogadores argentinos, começando por uma dupla com experiência em Mundiais.

Marcelo Barovero e Leonel Vangioni foram campeões da Libertadores pelo River Plate, em 2015, e titulares nos dois jogos do clube argentino no Mundial daquele ano, contra o Sanfrecce Hiroshima e o Barcelona. O goleiro saiu no ano seguinte para defender o Necaxa e assinou com o Monterrey, em 2018. É titular desde então. Vangioni fez uma ponte esquecível no Milan antes de aterrissar no México, em 2017, e entra e sai do time. Participou pouco da campanha vitoriosa da Champions League da Concacaf, mas foi titular no mata-mata do Apertura do Mexicano que levou o Monterrey à decisão, antes da viagem ao Catar.

A defesa também conta com Nicolás Sánchez. Zagueiro de 33 anos, teve passagens por River Plate, Godoy Cruz e Racing e chegou a Nuevo León em 2017. Foi uma das peças mais importantes do título continental. Atuou os 90 minutos em todos os jogos – menos na volta contra o Kansas City, na semifinal – e incrivelmente marcou cinco gols, inclusive os dois na decisão contra o grande rival Tigres (1 x 0 e 1 x 1). Acabou o eleito o melhor jogador da competição.

O torcedor flamenguista talvez se lembre de Maximiliano Meza. O meia que teve estranha importância no time de Jorge Sampaoli na Copa do Mundo da Rússia cruzou com o clube carioca na final da Copa Sul-Americana de 2017, quando vestia a camisa do Independiente. Inclusive, marcou um dos gols da vitória por 2 a 1 em Avellaneda, no jogo de ida da decisão. Foi contratado pelo Monterrey ao fim do ano passado.

José María Basanta é um patrimônio do Monterrey. O capitão está no clube desde 2008, quando saiu do Estudiantes, e soma 367 partidas pelos Rayados, com dois títulos mexicanos e quatro da Concachampions. Participou das três campanhas anteriores no Mundial de Clubes. Aos 35 anos e com problemas físicos, atuou apenas 16 minutos em três jogos nesta temporada, mas teve uma boa participação no Apertura de 2018.

No ataque, Rogelio Funes Mori, irmão de Ramiro, é um dos grandes responsáveis pelos gols do Monterrey desde que chegou ao clube, do Benfica, em 2015. Soma 93 em 183 partidas, boa média de um a cada dois jogos. Preferência no comando de ataque mesmo com a contratação de Vincent Janssen, ex-Tottenham e artilheiro do Campeonato Holandês em 2015/16.

Janssen, porém, foi importante na passagem do Monterrey à final do Apertura do Campeonato Mexicano. Os Rayados tiveram uma campanha inconstante, mas conseguiram uma boa sequência nas últimas cinco rodadas para garantir a última vaga na Liguilla. Derrotaram o Santos Laguna, nas quartas de final, e o Necaxa, na semi, com três gols do holandês ao longo desses jogos. A decisão contra o América está marcada para 26 e 29 de dezembro.

Mas isso fica para depois do Mundial. O Monterrey tem assuntos a resolver no Catar, que envolvem muito do orgulho do futebol mexicano. Enfrentam primeiro o representante do país-sede, o Al-Sadd, treinado por Xavi Hernández, e, se vencerem, tentarão estragar o possível encontro entre Liverpool e Flamengo. E se o fizerem, é provável que haja muita influência do sangue argentino que corre pela veia de alguns de seus principais jogadores.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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