Mundial de Clubes

Erro de Maresca sobre o Fluminense mostra que o combate ao eurocentrismo é um caminho longo

Técnico do Chelsea deu a entender que o time inglês chegou ao Mundial mais cansado fisicamente do que as equipes brasileiras

Enzo Maresca, técnico do Chelsea, mostrou desconhecimento sobre o insano calendário do futebol brasileiro. Durante entrevista coletiva nesta segunda-feira (7), véspera da semifinal do Mundial, onde os Blues enfrentarão o Fluminense, o treinador italiano recebeu o seguinte questionamento: “Qual é a importância que os europeus dão à Copa do Mundo de Clubes?”.

Na resposta, Maresca citou a quantidade de jogos que o Chelsea disputou na temporada, e deu a entender que o time londrino chegou ao Mundial mais cansado fisicamente do que as equipes brasileiras. No final de sua fala, ele perguntou: “Os brasileiros chegam aqui depois de quantas partidas?”.

— Para mim, pessoalmente, não é que não seja um jogo importante. Chegamos aqui com duas situações diferentes. Quantas partidas os brasileiros jogaram? Jogamos 63 partidas, os europeus chegam diferentes, em outra condição. A vontade de ganhar é a mesma dos dois lados, o que acontece é que as condições são diferentes. Os brasileiros chegam aqui depois de quantas partidas?

Maresca, no entanto, só não esperava receber uma réplica. Um jornalista brasileiro, presente na sala de coletiva, afirmou que, no mesmo período citado, o Fluminense jogou 70 partidas, ou seja, sete a mais que os ingleses. O comandante italiano ficou em silêncio.

70 (jogos). 70 no mesmo período. São mais partidas — disse o jornalista brasileiro.

Diferenças do calendário brasileiro e inglês

Renato Gaúcho, técnico do Fluminense
Renato Gaúcho, técnico do Fluminense (Foto: Imago)

O calendário do futebol brasileiro é bastante diferente do europeu em diversos aspectos, incluindo estrutura de competições, período da temporada e divisão de jogos. Para começar, a temporada no Brasil segue o ano civil e tem início em janeiro/fevereiro. Já a Inglaterra segue o modelo europeu, que começa em meados de um ano e termina no outro (de agosto a maio geralmente).

No Brasil, os clubes muitas vezes precisam equilibrar três ou quatro competições simultâneas, com viagens longas dentro de um país com dimensões continentais. Isso sem falar dos campeonatos estaduais, que costumam abocanhar mais de 15 datas no início do ano.

Na Inglaterra, apesar da intensidade da Premier League, o calendário é mais padronizado e concentrado, com menos deslocamentos longos. Todo o calendário é focado em ligas e copas nacionais (Copa da Inglaterra e Copa da Liga Inglesa) e internacionais (Champions League, Liga Europa e Conference League).

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A conta de Maresca está certa? Há controvérsias…

Maresca vive a primeira temporada à frente do Chelsea
Maresca vive a primeira temporada à frente do Chelsea (Foto: Imago)

A temporada do Chelsea começou no dia 18 de agosto de 2024 (derrota para o Manchester City na estreia da Premier League) e terminou no dia 28 de maio de 2025 (vitória sobre o Real Betis na final da Conference League). Neste período, o clube londrino disputou 57 partidas.

Uma observação, entretanto, merece ser destacada: em muitos jogos da Conference League, competição da Uefa que fica atrás da Champions League e Liga Europa ao nível de importância, Maresca mandou a campo escalações alternativas, sem os principais nomes do elenco, com jogadores da base e outros considerados reservas.

Diante do Astana, no gelado Cazaquistão, em duelo válido pela quinta rodada da Conference, essa foi a formação dos Blues: Jorgensen, Disasi, Tosin, Acheampong, Veiga, Rak-Sakyi, Chukwumeka, Dewsbury-Hall, Neto, Marc Guiu, George. Cole Palmer, Enzo Fernández e Moisés Caicedo, por exemplo, sequer no banco estavam.

Campeão da Conference e quarto colocado da Premier League, posição que lhe assegurou vaga na próxima edição da Champions League, o Chelsea foi para o Mundial embalado. Somando-se aos 57 jogos da temporada, a equipe londrina entrou em campo cinco vezes desde que chegou nos Estados Unidos.

Venceu Los Angeles FC, Espérance, Benfica (oitavas de final) e Palmeiras (quartas de final), e perdeu para o Flamengo.

Confira outras respostas de Maresca na coletiva

Elogios a Renato Gaúcho e ao Fluminense

— O ponto mais forte do Fluminense é um treinador de muita experiência e jogadores muito bons, como o Arias e o Cano. Toda partida é difícil nesta competição, que está quase chegando em seu final. Não há favoritos neste momento do torneio.

— O Renato é um técnico muito experiente, tem muitos anos no futebol. Assisti mais aos jogos dele quando estava no Grêmio, não tanto agora no Fluminense. Ele tem um estilo muito claro e, nessa etapa do campeonato, qualquer jogo será difícil.

Nível do futebol brasileiro

— Duas coisas estão muito claras sobre os adversários brasileiros. A primeira é a qualidade do jogador brasileiro. É, provavelmente, a melhor possível. A segunda é a energia que vocês (brasileiros) têm nesses momentos.

— O nível é o maior possível. Sempre tive respeito pelo Brasil, é um dos melhores países, se não o melhor do mundo quando falamos de futebol. Nesta Copa, entre Palmeiras, Flamengo e Fluminense, estou assistindo a vários jogos do futebol brasileiro. Agora, tenho assistido jogos do Grêmio, então tenho aprendido bastante.

Diferença da média de idade entre Chelsea e Fluminense

— Acho que há prós e contras. Jogamos toda uma temporada sendo os mais jovens da Premier League, tivemos rivais experientes e vencemos e perdemos. Amanhã, será a mesma coisa. Somos talvez o time mais jovem, vamos enfrentar alguns jogadores de idade mais avançada e será um desafio para nós. 

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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