Por que o Manchester City encara Mundial de Clubes para além do aspecto esportivo?
Expansão da marca e exposição nos Estados Unidos pesam mais que o título em campo
O Manchester City se prepara para estrear no Mundial de Clubes da Fifa e, enquanto o técnico Pep Guardiola ainda reforça a importância esportiva do torneio, a diretoria do clube tem uma visão bem diferente.
Para os dirigentes dos Citizens, a participação no torneio vai muito além da busca por um troféu: trata-se de um movimento estratégico para ampliar a presença da marca no mercado norte-americano.
O Mundial é mais do que futebol para o Manchester City
O City inicia sua campanha nesta quarta-feira (18), enfrentando o Wydad Casablanca, pela primeira rodada do Grupo G. Embora Guardiola veja o torneio como uma oportunidade para testar reforços e preparar o elenco para a temporada 2025/26 da Premier League, os bastidores do clube indicam uma expectativa muito maior.
Segundo o site inglês “The Athletic”, o foco da cúpula do City é usar o Mundial de Clubes como ferramenta de marketing e expansão global, com especial atenção para os Estados Unidos. A ideia é fortalecer a marca em um dos mercados mais estratégicos para o futebol mundial, ainda mais em um contexto de crescente popularidade da Premier League em solo norte-americano.

“Eles têm trabalhado muito nos últimos anos para fortalecer a marca do clube aqui”, comentou o jornalista Adam Crafton durante o podcast “The Athletic FC”.
“O City tem um time em Nova York, faz pré-temporadas nos Estados Unidos com frequência e, assim como o PSG, vende um conceito de estilo de vida associado ao clube.”
Crafton, que vive nos Estados Unidos há mais de um ano, reforça: “Vejo mais produtos e camisas do Manchester City por aqui do que de muitos outros times da Premier League, incluindo o Manchester United.”
Dados de vendas confirmam o crescimento
Os números reforçam essa percepção. Um levantamento recente feito pelo Soccer.com e publicado pelo site “GOAL” aponta que o Manchester City ocupa atualmente a terceira posição entre os clubes ingleses que mais vendem camisas nos Estados Unidos, ficando atrás apenas de Liverpool e Chelsea. O período analisado foi de agosto de 2024 a janeiro de 2025.
Ainda segundo os dados, Erling Haaland é um dos grandes motores dessa popularidade. O atacante norueguês aparece como o segundo jogador mais procurado pelos torcedores na personalização de camisas vendidas nos EUA, atrás apenas de Cole Palmer, do Chelsea.
A visão estratégica da diretoria também se conecta com o modelo de negócios do City Football Group, que já conta com clubes espalhados por diferentes mercados, como o New York City FC, na MLS.
Internamente, o Mundial de Clubes também é visto como uma oportunidade de reconexão para Guardiola, que recentemente reformulou sua comissão técnica, com a chegada de nomes como Pep Lijnders, ex-Liverpool.
Embora conquistar o título inédito seja um objetivo, a real prioridade do Manchester City no Mundial de Clubes passa também por métricas de longo prazo: engajamento de torcedores, vendas de produtos oficiais e posicionamento de marca.



