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Três zagueiros de novo? Por que Fluminense pode repetir estratégia contra Al-Hilal

Renato Gaúcho optou por escalação inédita no comando do Tricolor para passar pela Internazionale

Após a classificação heroica sobre a Internazionale, o Fluminense terá outra ladeira a subir, mesmo que seja menor, nas quartas de final. O Tricolor duela com o super-rico Al-Hilal nesta sexta-feira (4) e, como fez no jogo anterior, pode repetir a estratégia que fez a diferença para superar a vice-campeã europeia.

Frente a um time acostumado a jogar com três zagueiros, Renato Gaúcho optou pela primeira vez desde que chegou ao clube em utilizar um trio na zaga, espelhando o adversário em um 3-5-2 que evitava superioridade numérica do clube de Milão em qualquer setor do campo.

Essa formação foi a mesma que optou o time saudita em sua última partida, quando também venceu um adversário no papel muito superior, o temido Manchester City de Pep Guardiola.

O técnico Simone Inzaghi, após atuar toda fase de grupos com linha de quatro defensores como seus antecessores Mohammad Al-Shalhoub (interino) e Jorge Jesus, recorreu ao esquema que fez muito sucesso justamente na Inter de Milão entre 2021 e até maio deste ano.

O italiano ousou ao, na linha de três, só escalar Koulibaly como zagueiro de origem. O volante Rúben Neves era o defensor central, tendo o lateral-esquerdo Renan Lodi ao lado. Com isso, Cancelo e Al-Harbi foram os alas.

A diferença entre os esquemas esteve no ataque. Ao invés de dois atacante, usou apenas Marcos Leonardo como centroavante, tendo Malcom e Nasser Al-Dawsari saindo do lado para dentro.

A escalação do Al-Hilal contra o Manchester City
A escalação do Al-Hilal contra o Manchester City (Foto: Sharemytatics/Trivela)

Caso queira espelhar o Al-Hilal como fez com a Inter, o Fluminense de Portaluppi pode optar por baixar Jhon Arias para recompor na ponta direita, Nonato cai para esquerda, e deixar Cano sozinho na frente.

A boa postura do Fluminense com três zagueiros contra a Internazionale

Mesmo que o time italiano tenha terminado com mais posse de bola e finalizações no jogo das oitavas, o Flu foi absolutamente seguro defensivamente defendendo sua área e não cedendo muitas chances ao rival em zonas próximas à meta de Fábio.

De quebra, o lado brasileiro manteve o perigo ofensivo com escapadas de Arias e, além dos dois gols, teve outro anulado e duas boas chances de ampliar.

— O momento que tomei a decisão de armar esse esquema foi após assistir ao jogo da Inter. No dia seguinte eu conversei com o grupo, comecei a treiná-los, em todos os sentidos, conversei bastante com os líderes do grupo essa ideia. Nós treinamos bastante a parte tática, bola parada — explicou Renato Gaúcho na coletiva após o jogo.

Escalação do Fluminense contra a Internazionale
Escalação do Fluminense contra a Internazionale (Foto: Sharemytatics/Trivela)

A base da Inter no 3-5-2 perdurou pelas quatro temporadas de Inzaghi em San Siro. Com pouco tempo para treinos, o recém-chegado Cristian Chivu manteve o legado e os princípios do comandante anterior, o que pode ser um trunfo para a preparação do lado brasileiro.

— Mudei o sistema também porque a Inter é um time muito alto. Não só os zagueiros, mas uma equipe forte, alto, com poderio muito grande na bola aérea, tanto defensivamente como ofensivamente. Eu sabia que tinha que mudar o esquema, espelhar o time e levantar a altura do meu time, para que a gente pudesse competir com eles — apontou em outro trecho da coletiva.

Vale citar que é possível um cenário de nenhum dos times utilizarem três zagueiros já que, em ambos os lados, só aconteceu uma vez em quatro jogos como uma resposta aos adversários.

Tricolor, porém, enfrenta cenário diferente contra Al-Hilal

Diferentemente da Inter, que entrou no jogo para dominar 100% a bola, o time saudita pode ser mais adaptativo. Pela presença de Malcom e Marcos Leonardo, o Al-Hilal tem uma capacidade física grande para puxar contra-ataques e pode se sentir confortável sem a bola, como fez frente ao City.

A postura dos asiáticos é diferente dos italianos que, mesmo podendo jogar de outra forma, estavam exaustos pela temporada europeia e se pouparam mais tendo a posse.

Isso traz desafios ao Flu se, por exemplo, sair cedo atrás no placar e precisar se lançar ao ataque contra os asiáticos, cedendo espaço para um contragolpe que possa ser fatal. O natural, porém, é o jogo começar com o time da Arábia Saudita tendo o controle da bola e o outro lado na tentativa de ser letal quando atacar.

As respostas só serão reveladas na próxima sexta, a partir das 16h (horário de Brasília). O vencedor do confronto enfrenta Palmeiras e Chelsea, que jogam no mesmo dia, às 22h.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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