Mundial de Clubes

Flamengo começa mal, mas quebra tabu, vira jogo difícil contra Al-Hilal e mantém o sonho vivo

Semifinal de Mundial de Clubes é lugar de sufoco para os sul-americanos. Diante do campeão asiático, o Al-Hilal, o Flamengo arrancou uma virada com doses grandes de emoção. Os rubro-negros foram para o intervalo perdendo por 1 a 0, em uma atuação melhor do clube saudita. No segundo, porém, contou com uma atuação muito melhor, Bruno Henrique e Diego foram muito bem e o time virou o jogo para 3 a 1. O Flamengo está na final do Mundial de Clubes, no próximo sábado.

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O Flamengo quebrou um tabu. Foi a primeira vez que um time sul-americano conseguiu uma virada na semifinal e saiu com a classificação. Em 2018, o River Plate sofreu com o Al Ain, virou o jogo, mas sofreu o empate novamente no final e perdeu a classificação nos pênaltis. Portanto, o Flamengo quebrou uma marca na história deste formato do Mundial de Clubes, que começou em 2000, mas só teve continuidade a partir de 2005. Antes, na Copa Intercontinental, não havia semifinal.

O técnico Jorge Jesus escalou o time sem qualquer problema. Mandou a campo o time titular que todos os rubro-negros estão acostumados a cantar em verso e prosa. Nenhum desfalque para a equipe brasileira. A formação tradicional em um 4-2-3-1, mas que na prática por vezes se torna também um 4-4-2 com o recuo do uruguaio De Arrascaeta e o avanço de Bruno Henrique. É um time extremamente móvel.

No lado saudita, o Al-Hilal teve a volta do atacante italiano Sebastian Giovinco, que foi poupado na semifinal. Escalado em um 4-4-2, com o brasileiro Carlos Eduardo, capitão do time, atuando mais recuado ao lado do colombiano Gustavo Cuéllar, ex-Flamengo. No Campeonato Saudita, Carlos Eduardo tem brilhado: oito gols em nove partidas. Precisaria, neste jogo, fazer uma função mais recuada.

Primeiro tempo ruim

O primeiro tempo do Flamengo foi muito ruim. O Al-Hilal foi melhor que os rubro-negros no primeiro tempo, conseguiram criar chances – e desperdiçá-las -, deixando os milhares de torcedores brasileiros tensos no estádio Khalifa International, em Doha. O excelente time do Flamengo não apareceu no primeiro tempo.

Como era de se esperar, havia muito mais torcedores do Flamengo do que do Al-Hilal no estádio. Apesar da distância ser pequena para a Arábia Saudita, o país está fazendo um bloqueio ao Catar e, portanto, as fronteiras entre os dois países estão fechadas. Os brasileiros, dominantes no estádio, vaiaram os jogadores do time saudita assim que tiveram a sua primeira posse de bola mais longa no jogo.

O Flamengo chegou primeiro no ataque com um escanteio que Arrascaeta cobrou e levou perigo, mas a bola passou por todo mundo. No primeiro escanteio para o Al-Hilal, um lance de perigo após a primeira cobrança. Carlos Eduardo chutou, a bola desviou em Bruno Henrique e saiu em novo escanteio. Giovinco, em seguida, cobrou fechado e para fora.

Depois de alguns minutos com o Al-Hilal com a posse de bola e tentando chegar ao ataque, o Flamengo voltou ao campo de ataque, conseguiu outro escanteio. O goleiro saiu para dar um tapa em cruzamento de Arrascaeta, a bola sobrou para Gérson, que deu um tapa por cima. Errou o alvo, a bola mandou para fora.

O lance seguinte foi de muita habilidade. O zagueiro Ali Al-Boleahi saiu driblando no meio-campo, chegou às imediações da área do Flamengo e tocou para Salem Al-Dawsari, que teve a chance de chutar. Diego Alves, muito bem posicionado, fez uma grande defesa. No rebote, Gomis, sozinho, não conseguiu desviar para dentro do gol.

Aos 17 minutos, o Al-Hilal chegou de novo e desta vez de forma fatal. Giovinco recebeu pelo meio e fez uma boa abertura para André Carrillo, que foi inteligente e fez o passe para trás, preciso, para Salem Al-Dawsari. Ele finalizou de primeira, a bola ainda teve um leve desvio em Pablo Marí e entrou: 1 a 0 para o clube saudita.

Salem Al-Dawsari, do Al-Hilal, comemora o primeiro gol do jogo (Getty Images)

Logo depois da saída de bola, o Flamengo tentou um abafa, mas Bruno Henrique fez falta em Al-Boleahi. Os jogadores do clube brasileiro foram para cima do árbitro Ismail Elfath, dos Estados Unidos. O árbitro deu cartão amarelo para Bruno Henrique.

Depois do gol, o Flamengo foi mais para cima e o Al-Hilal parece ter dado um passo para trás. Só que isso não impediu dos árabes continuarem sendo perigosos. Duas vezes os atacantes Bruno Henrique e Gabigol perderam a bola e geraram contra-ataques a partir da intermediária que foram perigosos.

O Flamengo parecia sentir o nervosismo. Os jogadores reclamavam muito de faltas marcadas pelo árbitro, pareciam errar mais do que estão acostumados. O jogo não fluía tão bem quanto o time se acostumou a jogar no Brasil. Ao contrário: sofria muito para ganhar campo no ataque e, assim que perdia a bola, tomava uma correria imensa na defesa. Com a marcação mais baixa, o Al-Hilal deixava os jogadores do Flamengo tocarem a bola na intermediária, mas a partir dali, a marcação era voraz. O jogador com a bola era cercado por três jogadores, o que gerava erros e perda de bola.

No final do primeiro tempo, o jogo ficou tenso. Pablo Marí tomou cartão amarelo por uma falta que matou o contra-ataque em cima do brasileiro Carlos Eduardo. Do outro lado, Al-Boleahi deu uma entrada muito dura em Gabriel, que acabou gerando cartão amarelo. O primeiro tempo acabou com a vantagem do clube saudita.

Melhora e Diego bem em campo

Arrascaeta marca o gol de empate (Getty Images)

O segundo tempo começou com o Flamengo sendo o que o time foi ao longo de 2019. Gabigol saiu da área, recebeu, tocou bem para Bruno Henrique, que saiu na cara do gol. Ele rolou para o meio e Arrascaeta colocou a bola na rede: 1 a 1, a quatro minutos da etapa final. O empate igualou o marcador, mas o time brasileiro se empolgou. Nos lances seguintes, o Flamengo tentou impor o ritmo e chegou algumas vezes ao ataque. Não conseguiu transformar nenhuma dessas chegadas em chances claras.

À medida que os minutos passaram, o Al-Hilal melhorou um pouco no jogo e pareceu acordar. Parou de sofrer com os ataques do Flamengo. Os técnicos mudaram os times. O Al-Hilal tirou Sebastian Giovinco e colocou Omar Kharbin, atacante sírio. Jorge Jesus tirou Gérson, mais uma vez sem brilhar, e colocou Diego.

Foi dos pés de Diego que o Flamengo conseguiu o gol. O meia abriu o jogo para Rafinha no lado direito e o lateral cruzou precisamente para a área. Bruno Henrique tocou de cabeça, muito bem, e marcou. Virada do Flamengo no estádio Khalifa international 2 a 1, aos 33 minutos. Pareceu um alívio para os rubro-negros. O time tirou um peso das costas e o Flamengo repetiu algo que mostrou em outros momentos da temporada: aproveitou o bom momento.

Bruno Henrique comemora: ele participou bem dos três gols (Getty Images)

Tanto que logo depois, aos 37 minutos, veio mais um. Diego recebeu a bola pelo meio, abriu par Bruno Henrique na esquerda e o atacante levou até a linha de fundo e cruzou para o meio, na direção de Gabigol, que pedia a bola. A bola tocou no zagueiro Ali Al-Boleahi e entrou: 3 a 1. O jogo ficou mais encaminhado para acabar.

O jogo parecia nas mãos do Flamengo e as coisas ficaram mais encaminhadas ainda por causa de uma entrada violenta de André Carrillo. Ele entrou por cima da bola em Arrascaeta e tomou o cartão vermelho direto. Jorge Jesus fez alterações, tirando Bruno Henrique e colocando Vitinho, e depois tirando Arrascaeta e colocando Robert Piris da Motta.

O jogo foi até os 93 minutos, mas não houve mais chances. O Flamengo sai de campo com a vitória e espera pelo vencedor de Liverpool x Monterrey, nesta quarta-feira (14h30, SporTV). A virada, que aliviou a alma dos rubro-negros, também manteve o sonho vivo. Depois de colocar os ingleses na roda, em 1981, o duelo entre os mesmos times pode voltar a acontecer. Desta vez, não em Tóquio, mas em Doha. Ainda que, passando o Liverpool, os ingleses sejam favoritos na final, o Flamengo sabe que pode jogar mais e o sonho segue vivo para os milhares de torcedores que foram ao Catar e aos milhões que permanecem acompanhando, seja onde for.

A decisão, no sábado, será às 14h30, com transmissão da Globo e SporTV.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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