Mundial de Clubes

Como foram as (únicas) quatro derrotas do Chelsea nesta temporada?

Para ser campeão sem precisar dos pênaltis, o Palmeiras precisa fazer o que apenas três times conseguiram nesta temporada: ganhar do Chelsea

O Palmeiras entra em campo neste sábado para enfrentar o Chelsea valendo o título do Mundial de Clubes. É possível ser campeão sem fazer gols. Segura o 0 a 0 durante duas horas de bola rolando e conta com milagres de Weverton nas disputas de pênaltis. Se quiser evitar tanta emoção, precisará derrotar o campeão europeu. A má notícia? Poucos conseguiram fazê-lo nesta temporada.

E olha que o Chelsea chega à decisão como um europeu relativamente vulnerável, mas o seu sólido sistema defensivo acaba segurando as pontas. Tanto que três das quatro derrotas que sofreu em 2021/22 foram por 1 a 0 – duas para o Manchester City, uma para a Juventus. O ponto fora da curva foi o 3 x 2 para o West Ham, quando sofreu uma rara virada com dois gols marcados no segundo tempo.

Como foram essas partidas? O que o Palmeiras pode aprender com elas? Bom, é para isso que estamos aqui.

25/09/2021 – Stamford Bridge – Chelsea 0 x 1 Manchester City

Gabriel Jesus comemora o gol do Manchester City (Imago / OneFootball)

Vingança é um prato que se come frio. Não que o Manchester City tenha devolvido à altura a derrota na final da Champions League, mas pelo menos começou a temporada lavando a alma com a vitória magra – não tão incomum assim para o time de Pep Guardiola neste momento – por 1 a 0 sobre o Chelsea em Stamford Bridge, com gol de Gabriel Jesus.

Thomas Tuchel armou uma escalação diferente. Timo Werner e Romelu Lukaku formaram uma dupla de atacantes, com três meias centrais: N’Golo Kanté, Mateo Kovacic e Jorginho. Geralmente, o alemão prefere o 3-4-3, com apenas dois jogadores entre os alas e três homens de frente. O City usou seu habitual 4-3-3, com Jack Grealish e Gabriel Jesus pelas pontas, e Phil Foden por dentro.

Apesar do placar apertado, o City dominou a partida. Não permitiu uma finalização do Chelsea ao alvo e, das cinco dos anfitriões, quatro foram bloqueadas. O campeão inglês bateu 15 vezes ao gol e, se não criou tantas chances claras assim, também não foi ameaçado. Jesus teve uma boa oportunidade no primeiro tempo. Dominou na área e emendou o chute de perna esquerda, totalmente sem direção.

Aos oito minutos da etapa final, o City cobrou um escanteio curto de pé em pé até Cancelo bater da entrada da área. Não foi o melhor chute de todos os tempos. Rasteiro, caiu nos pés de Jesus, que dominou, girou para o lado direito, ajeitou e bateu, sem muita força. O desvio em Jorginho matou Edouard Mendy.

Tuchel reagiu com uma mudança tática. Sacou Kanté e colocou Kai Havertz, retornando ao seu 3-4-3 padrão. Ruben Loftus-Cheek também entrou na vaga de Jorginho, aumentando um pouco mais a força ofensiva. Teve um gol anulado por impedimento flagrante de Havertz, mas no geral não chegou nem perto de empatar.

E se Thiago Silva, que entrou no lugar de Reece James, machucado, ainda no primeiro tempo, não tivesse cortado em cima da linha um chute de Jesus, o placar teria sido mais amplo.

Principais estatísticas:

Posse de bola: Chelsea 41% x 59% City
Finalizações: Chelsea 5 x 15 City
Finalizações certas: Chelsea 0 x 4 City

Como foi o gol:

8’/2T: Escanteio curto cobrado pela esquerda, City trabalhou a bola de pé em pé até Cancelo chutar de fora da área. Jesus estava no meio do caminho, dominou, girou e bateu, com desvio em Jorginho que matou Mendy.

29/09/2021 – Allianz Stadium – Juventus 1 x 0 Chelsea

Federico Chiesa, da Juventus (Foto: Imago / One Football)

Não foi a melhor semana para o Chelsea. Quatro dias depois de perder para o Manchester City, o campeão europeu foi novamente derrotado, pela Juventus, na fase de grupos da Champions League. Um resultado sem grande consequência porque devolveria em grande estilo ao golear por 4 a 0 em Stamford Bridge. Se ficou em segundo lugar no grupo, foi porque empatou com o Zenit por 3 a 3 na última rodada da chave.

A Juventus havia começado mal a temporada, no retorno de Massimiliano Allegri, mas naquele momento emendava uma boa sequência de resultados. Foi escalada com um ataque leve, formado por Juan Cuadrado, Federico Bernardeschi e Federico Chiesa. A proposta de se defender e contra-atacar era clara e foi executada à perfeição. Apesar de ter tido 73% de posse de bola, o Chelsea criou poucas chances importantes e foi castigado por Chiesa no começo do segundo tempo.

De volta ao seu 3-4-3, Ziyech e Havertz fizeram companhia para Lukaku no trio de ataque. Jorginho e Kovacic ficaram no meio, e Thiago Silva foi titular na defesa. O Chelsea trocou mais de 700 passes e tentou 16 finalizações, mas durante os 90 minutos Wojciech Szczesny teve que fazer apenas uma defesa, uma batida de primeira de Lukaku em cobrança de escanteio rasteira, no meio do gol, sem problemas para o polonês.

Por outro lado, a Juventus esticava para o seu trio de ataque rápido e levava mais perigo. Como quando Chiesa aproveitou passe ruim de Kovacic no meio-campo e disparou pela direita. Bateu rasteiro, rente à trave, e ainda tinha a opção de cruzar para Bernardeschi. Com 10s da etapa final, Bernardeschi dominou na entrada da área e tocou de lado para Chiesa bater alto e marcar o único gol da partida.

As melhores chances de empate do Chelsea foram com Lukaku, em boa posição pela esquerda da área, e em cabeçada de Havertz, mas as duas tentativas passaram por cima do travessão.

Principais estatísticas:

Posse de bola: Juventus 27% x 73% Chelsea
Finalizações: Juventus 6 x 16 Chelsea
Finalizações certas: Juventus 1 x 1 Chelsea

Como foi o gol:

1’/2T: Lançamento da defesa, Rabiot ganhou pelo alto, Bernardeschi dominou na entrada da área e soltou rápido para Chiesa, que entrava em diagonal. Chute pelo alto, sem chances para Edouard Mendy.

04/12/2021 – Estádio Olímpico – West Ham 3 x 2 Chelsea

Masuaku, do West Ham (Foto: Julian Finney/Getty Images/One Football)

Demorou mais de dois meses para que o Chelsea perdesse novamente. Foi em um dérbi londrino e sob raras circunstâncias porque foi vazado três vezes. As circunstâncias se tornariam muito menos raras na semana seguinte quando o Zenit também conseguiu marcar três gols contra a defesa de Tuchel – e logo depois, o Leeds marcou dois, mas perdeu por 3 a 2.

Foi o momento em que o Chelsea parou de acompanhar o ritmo dos líderes Manchester City e Liverpool. Houve uma boa dose de azar na derrota para o West Ham, com um gol fortuito de Arthur Masuaku, mas era o terceiro tropeço em cinco rodadas do Campeonato Inglês. Haveria mais seis e apenas três vitórias antes da viagem para o Mundial de Clubes.

Voltando de lesão, Lukaku ficou no banco de reservas. Como Mateo Kovacic e Kanté eram desfalques por lesão, Loftus-Cheek acompanhou Jorginho no centro do meio-campo. Hakim Ziyech e Mason Mount completaram o trio de ataque com Kai Havertz mais adiantado. David Moyes armou o West Ham com três zagueiros, geralmente se defendendo com cinco – e às vezes até com seis, quando Declan Rice recuava para formar a linha com os zagueiros e alas.

Thiago Silva completou a cobrança de escanteio de Mason Mount para abrir o placar aos 28 minutos do primeiro tempo e depois fez o seu trabalho de zagueiro ao cortar quase em cima da linha uma batida de Vladimir Coufal que havia passado por Mendy. O empate, ainda na etapa inicial, foi uma lambança completa. Jorginho recuou na fogueira para Mendy, que se atrapalhou, demorou para afastar e foi pressionado por Bowen. Na hora de enfim tentar o chutão, fez falta no atacante do West Ham.

Manuel Lanzini cobrou o pênalti com perfeição, mas o Chelsea voltaria à frente ainda no primeiro tempo. E com um golaço. Ziyech virou o jogo da esquerda, direto para Mason Mount dentro da área. O meia inglês emendou um chute de chapa de primeira, certeiro, no canto de Fabianski. Mas o West Ham teve as melhores chances do segundo tempo, como no gol, uma bola lançada à área que Thiago Silva, Marcos Alonso e Antonio Rüdiger não conseguiram afastar. Bowen pegou a sobra da entrada da área e mandou no canto de Mendy para empatar novamente.

E o gol da virada… bom, aí foi só azar mesmo. Masuaku dominou na lateral esquerda, levantou a cabeça e cruzou. Loftus-Cheek tentou bloquear, mas um leve desvio direcionou a bola ao ângulo de Mendy que, totalmente surpreso, nada conseguiu fazer.

Principais estatísticas:

Posse de bola: West Ham 36% x 64% Chelsea
Finalizações: West Ham 11 x 19
Finalizações certas: West Ham 5 x 7

Como foram os gols:

40’1T: Lambança na saída de bola, Mendy foi pressionado por Bowen e fez pênalti. Lanzini cobrou com perfeição.

11’/2T: Bola longa para Michail Antonio. Thiago Silva afastou, mas Marcos Alonso e Rüdiger não conseguiram completar a ação defensiva. Coufal rolou para Bowen bater rasteiro da entrada da área.

42’/2T: Azar do caramba. Masuaku tentou o cruzamento, e desvio na ponta da chuteira de Loftus-Cheek matou Edouard Mendy.

15/01/2022 – Etihad Stadium – Manchester City 1 x 0 Chelsea

Kevin De Bruyne, do Manchester City (OLI SCARFF/AFP via Getty Images)

O Manchester City fez o famoso double contra o Chelsea (ganhar os jogos dos dois turnos do Campeonato Inglês), mas em um duelo mais equilibrado que o de Stamford Bridge. Os dois times tiveram as suas chances, e no fim das contas o que fez a diferença foi o golaço de Kevin de Bruyne – um homem terrivelmente acostumado a fazer golaços que decidem partidas.

Em meio à Copa Africana de Nações, Tuchel não tinha o goleiro Edouard Mendy e havia perdido o lateral esquerdo Ben Chilwell, uma lesão que o tirará de toda a temporada. Malang Sarr formou o trio de defesa com Thiago Silva e Rüdiger. No ataque, Christian Pulisic ganhou uma rara chance como titular, ao lado de Ziyech e Romelu Lukaku. O time de Guardiola não era muito diferente ao de setembro. John Stones entrou na zaga no lugar de Rúben Dias, o meio-campo foi o mesmo, e Jesus foi trocado por Raheem Sterling.

Stones subiu na segunda trave e conseguiu uma cabeçada firme, em cima de Kepa. Muito pressionado, Kovacic cruzou um passe ruim na entrada da área – nunca façam isso, crianças – e deixou Grealish na cara do gol. Kepa saiu bem e conseguiu defender com a coxa. No segundo tempo, Lukaku recebeu em profundidade e, vendo Ederson adiantado, tentou o chute colocado de fora da área. Boa defesa do goleiro brasileiro.

Depois de tentar uma cobrança de falta que Kepa defendeu quase no ângulo, De Bruyne esbanjou qualidade. Arrancou pela esquerda, deixou Kanté para trás, o que não é nada fácil, centralizou a jogada e, antes do semi-círculo, mesmo desequilibrado, acertou um chute colocado, no cantinho do goleiro espanhol. Um gol valioso que praticamente matou as chances do Chelsea de ser campeão inglês porque permitiu que o Manchester City abrisse 13 pontos de vantagem para os rivais de Londres.

Principais estatísticas:

Posse de bola: City 56% x 44% Chelsea
Finalizações: City 11 x 4 Chelsea
Finalizações certas: City 6 x 1 Chelsea

Como foram os gols:

25’/2T: De Bruyne arrancou pela esquerda, passou por Kanté com um bonito giro para o meio, centralizou ainda mais a jogada e, de fora da área, soltou um chute colocado certeiro, no canto, sem chance para Kepa.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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